3 de abril de 2025

Amigo Arnaldo

Logo que publicamos as primeiras entrevistas neste site, em 3 de maio de 2022, Arnaldo Gomes, um carioca com alma brasiliense, gostou do que leu e logo aderiu ao projeto. Ex-atleta, gestor do esporte e servidor concursado do Senado Federal, Arnaldo tristemente nos deixou na manhã do último sábado, vítima de acidente de trânsito.

Arnaldo vibrava lendo entrevistas com pioneiros de Brasília, que o reportavam para tempos que ele viveu logo no início da nova Capital. E passou sugerir nomes de personagens que ajudaram a construir o esporte ou a cultura daqui.

Em Brasília desde 1961, Arnaldo Gomes logo se enturmou com jovens de sua geração. Estudou Administração e foi aprovado em concurso para o Senado Federal em 11º lugar. No Legislativo, avançou em cargos e chegou à direção da Gráfica do Senado, à época a mais aparelhada de Brasília.

Nas suas folgas, Arnaldo jogava tênis, futebol e futebol de salão, hoje o nosso futsal. Ganhou campeonatos locais e chegou à Seleção de Futebol do Distrito Federal em jogos de representação, atuando na ponta esquerda.

Em várias de nossas entrevistas, Arnaldo estava presente. Com memória privilegiada corrigia nomes e ajustava datas de eventos passados. Foi um fiel parceiro deste projeto da Memória da Cultura e do Esporte em Brasília. Não é exagero afirmar que Arnaldo vibrava com esta proposta de contar histórias com personagens locais.

A última entrevista que ele participou foi com o amigão Guairacá Carvão Nunes, acreano, um craque no futebol de salão, parceiro de Arnaldo. Aposentados, deixaram as quadras, mas continuaram convivendo com a melhor amizade possível.

Recentemente, Arnaldo abriu as portas de sua casa no Lago Sul e trouxe o amigo Guairacá para um café. Avisou a mim e ao companheiro Hélio Tremendani. Fomos para lá, notebook em punho pegar depoimento valioso. O papo durou uma tarde enquanto viajávamos em noticiários das antigas, recortes de jornais que Arnaldo guardou com carinho. Com as informações que colhemos publicamos uma reportagem que pode ser lida neste link:

https://memoriadaculturaesportebsb.com.br/index.php/2023/06/01/arnaldo-gomes-craque-no-futebol-e-na-gestao-do-esporte/

Tem mais: no final dos anos 1990, na vice-presidência da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Arnaldo questionou o então presidente, Jorge Lacerda da Rosa, sobre a falta de transparência na gestão da entidade. Desconfiava de que algo não ia bem. Pesquisou daqui e dali, foi ao Ministério do Esporte, que liberava recursos públicos para a CBT e confirmou que parte do dinheiro da Lei de Incentivo ao Esporte não era aplicada como deveria. Jorge Rosa reagiu com um processo judicial contra Arnaldo. Também sobrou para mim, jornalista que divulgava os deslizes no Correio Braziliense. Certo dia, a contadora da CBT abriu o jogo para a imprensa e se confirmou que Arnaldo estava certo, a fraude existia. Esse era o lado transparente do gestor esportivo no trato com o bem público. E falava com autoridade, pois presidia a Federação Brasiliense de Tênis.

Nos últimos anos, Arnaldo foi desacelerando. Já não ia às quadras com frequência e cuidava mais da saúde. Mas não perdia o pique para um almoço e bom papo onde sempre nos passava ótimas ideias de entrevistas. E sempre que encontrava um pioneiro falava sobre este site e via no personagem mais um que poderia nos conceder entrevista.

Arnaldo nos ligava sempre tinha um assunto novo para conversar. Nessas ocasiões, fazia referência à família, aos seis filhos em especial: os mais velhos – Arnaldinho, André e Flávio – dos quais se orgulhava; e comentava com alegria sobre as sapequices e evoluções escolares dos três menores – João Antônio, Benjamin e Maria Cecília –, que ele cuidava com a mamãe Cecília.

Enfim, estamos nos habituando à nova rotina sem o apoio de Arnaldo Gomes, que começava sempre com uma saudação diária de “Bom Dia”.

Sentimos a sua falta, Amigo. Tua intimidade com Basília nos ajudou muito neste projeto de preservar memórias da nossa querida Capital. Também por isso, somos eternamente agradecidos. Foi prazeroso e valioso conviver contigo. Que o Papai do Céu te acolha na Sua Grande Casa.

Hélio Tremendani e José Cruz

Memória da Cultura e do Esporte em Brasília