Por Hélio Tremendani e José Cruz

A longa temporada de 12 anos sem desfiles oficiais no Carnaval brasiliense incentiva as agremiações carnavalescas a intensificarem suas programações, principalmente nessa tradicional época de fevereiro, para que acompanhem as evoluções que se sucedem em todos os segmentos de uma escola de samba.
Nesta série de reportagens, que entra para os arquivos da “Memória da Cultura” em Brasília, mostramos o envolvimento de jovens em programas da Aruc, que buscam a atualização e a modernidade de suas rotinas carnavalescas sem perder a história e tradições dessa sexagenária agremiação do Cruzeiro.
Inovações
Essas transições propostas pela diretoria da Aruc, presidida por Robson Silva, buscam acompanhar as inovações das tecnologias da informática, da comunicação, de iluminação, som, técnicas da inteligência artificial, etc. São recursos que não podem ser ignorados no conjunto de uma escola de samba. Tudo isso faz parte da modernidade de seu tempo. As oficinas carnavalescas, já uma tradição que se renova anualmente, se repetirá neste 2026, com especialistas do Rio de Janeiro e de Brasília, dando aulas e mostrando as novidades em fantasias, adereços, passistas, bateria etc.
Daniel Leonardo Cavalcante Mendonça, o Mestre Léo, e Fernanda Classos Gonçalves Maier, madrinha da bateria e coordenadora de carnaval da Aruc são dois dos personagens que atuam nessa transição.
Intimamente vinculados aos “tempos modernos” que vivemos, eles aproveitam a experiência da Velha Guarda para dar rumos à nova geração de carnavalescos que anualmente se vinculam à agremiação.
Carioca e apaixonada
Carioca do tradicional bairro da Tijuca, Fernanda Classos Gonçalves Maier, traz em seu currículo a experiência de ter morado por 17 anos Florianópolis e seis em São Paulo antes de aqui chegar, em 2015.
Mãe de Matheus, 12 anos, e Maithe, 10, Fernanda é uma apaixonada por música, pelo samba e por Carnaval. Ela não se envolveu com escola de samba por acaso, mas desde cedo está acompanha esse movimento, a partir da família. “Aprendi a sambar com minha avó, Nídia”, diz ela orgulhosa da escola que teve.
Amiga da Rainha de Bateria, Gabriela Lima, Fernanda começou a frequentar a Aruc e gostou.

“Comecei como apoio à Rainha da Bateria da época, minha amiga Gabi (Gabriela Lima). Aqui, recebi o apoio de Vareta (Wellington Campos), que tristemente nos deixou em 2025. Também conheci o Mestre Léo e me senti em casa. Em 2023, já vestia a camiseta da bateria e fui convidada para desfilar, num Carnaval que foi realizado em 24 de Junho, Dia de São João”.
“Botei o pezinho aqui e aqui fiquei, não saí mais”
Depois de ter morado em Santa Catarina e São Paulo, Fernanda, também Comissária de Aviação, veio parar em Brasília e se vinculou à Aruc, a mais premiada escola de samba da cidade. Ela fez aula de percussão e voltou a se envolver com o samba, inclusive tendo a companhia dos pais e de suas duas crianças, que também já demonstram o gosto pelo Carnaval, a folia, o samba.
Depoimento
“No Sul, onde moramos por mais de dez anos, a cultura carnavalesca não é igual à do Rio e a de Brasília e isso nos afastou um pouco do movimento. Mas, quando viemos, logo voltamos a nos integrar ao samba. No início não entendíamos muito sobre o Carnaval de Brasília, mas fomos aprendendo. Fiz aula com Diana Carvalho, professora de música. Gosto de cantar e até fiz apresentações na Aruc”.
Dos destaques do samba, Fernanda aponta, Arlindo Cruz, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Alcione e Martinho da Vila entre os favoritos.
Em Brasília, meus filhos também foram se envolvendo com os amiguinhos, participando de festinhas, pequenos desfiles. “Minha filha, Maithe (foto), começou a sambar e se tornou Rainha Mirim da Bateria da Unidos do Jardim Botânico e até já fala em ser passista. Meu filho Matheus é vocalista e interprete mirim” – conta Fernanda.
Desse “mutirão familiar” o marido Adilson Maier também participa. “Ele se envolveu de corpo e alma, apresenta sugestões, nos ajuda a escolher as fantasias, é colaborador da Aruc, inclusive”, revela Fernanda. O pai, Fernando Gonçalves também gosta e participa de grupos de música. “Já a minha mãe Angelita é expectadora e incentivadora”, diz Fernanda.

Na coordenação do Carnaval na Aruc, Fernanda destaca que “a renovação é ponto positivo. Busca-se uma nova geração para o samba com os exemplos da Velha Guarda, para manter a Aruc pulsando, mesmo com a ausência dos desfiles oficiais”, diz ela.
A “coordenação” e novidade para Fernanda, mas ela busca, também, ouvir a comunidade, “pois as críticas e opiniões são importantes”, garante. E sabe, também, que quando se fala em renovação e mudanças “isso assusta”.
“Até aqui, acho que o trabalho vem dando certo na Aruc”, diz Fernanda, animada.

Memórias da Cultura e do Esporte de Brasília