{"id":3156,"date":"2025-04-24T18:02:02","date_gmt":"2025-04-24T21:02:02","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/?p=3156"},"modified":"2025-04-24T18:02:02","modified_gmt":"2025-04-24T21:02:02","slug":"luis-carlos-dos-santos-silva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/2025\/04\/24\/luis-carlos-dos-santos-silva\/","title":{"rendered":"Lu\u00eds Carlos dos Santos Silva"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por H\u00e9lio Tremendani e Jos\u00e9 Cruz<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>O carioca Lu\u00eds Carlos dos Santos Silva tinha 10 anos quando veio morar em Bras\u00edlia. Aqui, praticou esportes e sambou no bom embalo carnavalesco, mantendo as tradi\u00e7\u00f5es de sua origem, o Rio de Janeiro. <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>No atletismo e no futebol, principalmente, construiu carreiras vitoriosas, tudo ao seu tempo. Aos 62 anos, o seu mais recente p\u00f3dio \u00e9 o de campe\u00e3o brasiliense pela Sociedade Esportiva do Gama, time de futebol que comandou no Campeonato Candango de 2025, cuja medalha do t\u00edtulo ele exibe, na foto. A hist\u00f3ria de mais um carioca \u201ccom alma brasiliense\u201d ele contou com detalhes. Confira, a seguir. \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Samba em fam\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Na m\u00fasica, Lu\u00eds Carlos teve escola dom\u00e9stica desde a inf\u00e2ncia. O seu pai, Cec\u00edlio de Azevedo Souza, tocava cu\u00edca com maestria e integrou a bateria da vitoriosa Escola de Samba Imp\u00e9rio Serrano, do Rio de Janeiro, origem da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Quando veio para Bras\u00edlia, Cec\u00edclio manteve o pique da m\u00fasica e tocou no SamBrasil, tradicional grupo de sambistas. \u201cReuni\u00f5es, churrascos, festas&#8230; tudo que tinha samba no meio a gente estava junto\u201d, diz Luiz Carlos que acompanhava as andan\u00e7as do pai, na m\u00fasica, em especial. \u201cPapai foi um dos precursores dos grupos de samba em Bras\u00edlia\u201d, destaca, com orgulho. \u201cEle era bom de samba e de baile\u201d.<\/p>\n<p><strong>O in\u00edcio<\/strong><\/p>\n<p>Antes da m\u00fasica e ainda na \u00e9poca escolar, Luiz Carlos destacou-se no esporte, o atletismo, em especial, que j\u00e1 teve projetos maravilhosos em Bras\u00edlia. Mas sem desprezar a companheira de sempre, a bola de futebol.<\/p>\n<p><strong><em>\u201cMas, tamb\u00e9m joguei bola, desde menino, sempre. Eu era daqueles que jogava todos os dias\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Em 1976, o pai de Luiz Carlos, militar, retornou ao Rio de Janeiro para participar de um curso. O garoto, ent\u00e3o com 13 anos, aproveitou para jogar nas categorias de base da Portuguesa de Desportos, j\u00e1 nas primeiras manifesta\u00e7\u00f5es de que queria ser um profissional. Dois anos depois, a fam\u00edlia retornou a Bras\u00edlia, mas a Portuguesa n\u00e3o liberou Lu\u00eds Carlos, ent\u00e3o com 15 anos. \u201cEles n\u00e3o acreditavam que eu voltava para Bras\u00edlia para acompanhar a fam\u00edlia, mas para jogar em outro time. Assim, fiquei preso por dois anos ao clube e precisei cumprir est\u00e1gio\u201d, conta ele. Enquanto isso, voltava \u00e0s pistas do Cief, mas sem perder de vista o futebol.<\/p>\n<p><strong>Atletismo<\/strong><\/p>\n<p>Nesse retorno, Lu\u00eds Carlos envolveu-se mais a s\u00e9rio com o atletismo, no Centro Interescolar de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica (Cief). No passado ainda recente, esse Centro reunia o que havia de melhor na teoria e na pr\u00e1tica do esporte. No atletismo, a intelectualidade de Bras\u00edlia era formada por M\u00e1rio Cantarino Filho (1930-2012), Maria Terezinha Tofoli \u2013 a Professora Teia, Ant\u00f4nio Carlos Feij\u00e3o, Domingos Guimar\u00e3es \u2013 Professor Mingo \u2013, Luiz Alberto de Oliveira, que treinava o futuro campe\u00e3o ol\u00edmpico Joaquim Cruz, entre outros.<\/p>\n<p>\u201cQuando tinha 15, 16 anos, eu estudava no Col\u00e9gio Elefante Branco. Acabei participando do projeto Coca-Cola, no Cief, onde comecei no pentatlo\u201d, lembra Luiz Carlos.<\/p>\n<p><strong>Medalha de ouro<\/strong><\/p>\n<p>Sob o comando do paulista Professor Mingo (Domingos Guimar\u00e3es), Lu\u00eds Carlos praticou os 100 e os 200 metros rasos. E ganhou a medalha de ouro na prova de revezamento \u00a04x400m, nos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs), no Par\u00e1, quando teve o privil\u00e9gio de integrar a equipe em que corria o brasiliense Joaquim Cruz, que, em 1984, viria a se tornar campe\u00e3o ol\u00edmpico dos 800m, nos Jogos de Los Angeles.<\/p>\n<p><strong><em>\u201cNos JEBs do Par\u00e1, lembro que o quarteto de revezamento de S\u00e3o Paulo do 4x400m era fant\u00e1stico, era o favorito. Joaquim Cruz (<\/em><\/strong><strong>na foto, treinando)<em> nos reuniu e pediu que entreg\u00e1ssemos o bast\u00e3o o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel. Era uma estrat\u00e9gia. Ele fechou aquele revezamento, correu de forma fenomenal e ganhamos do time paulista\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Em outra forma\u00e7\u00e3o do 4x400m, mas sem Joaquim Cruz, ganhamos a medalha de bronze na Gymnasiade de Turim (It\u00e1lia), competi\u00e7\u00e3o esportiva organizada a cada quatro anos pela Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Desporto Escolar.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Professor Mingo, uma das refer\u00eancias<\/em><\/strong><strong><em> no ensino do atletismo, paral\u00edmpico, inclusive\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u201cNo Cief, treinado pelo Professor Mingo (foto), participei de um dos projetos mais sensacionais no esporte\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7a de rumos<\/strong><\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca em que frequentava o Cief, Luiz Carlos e a \u201cmolecada do atletismo\u201d disputaram uma pelada de futebol contra o time do Unidade Vizinhan\u00e7a. \u201cQuando o Professor Mingo me viu jogado, correndo pela ponta esquerda, ficou encantado e disse que o meu esporte era o futebol e n\u00e3o o atletismo\u201d, lembra Lu\u00eds Carlos. \u201cEu corria muito e driblava bem\u201d, relembra sobre as suas caracter\u00edsticas no futebol.<\/p>\n<p><strong><em>Lu\u00eds Carlos, nos tempos do atletismo<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Surpresa!<\/strong><\/p>\n<p>Foi assim que o Professor Mingo se encarregou de encaminh\u00e1-lo no novo esporte, acionando amigos, em Campinas e conseguindo um teste no Guarani Futebol Clube, uma pot\u00eancia, \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p>\u201cCheguei em Campinas numa ter\u00e7a feira pela manh\u00e3 e \u00e0 tarde j\u00e1 treinava com o time profissional\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Naquele primeiro contato com um clube com estrutura forte, o t\u00e9cnico Z\u00e9 Duarte (foto) parou o treino em determinado momento e chamou Lu\u00eds Carlos para uma conversa r\u00e1pida \u00e0 beira do gramado, mais ou menos assim:<\/p>\n<p><strong>\u201cMenino vem at\u00e9 aqui. Quem \u00e9 voc\u00ea\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>Ele queria saber quem era aquele ponteiro que surgiu entre titulares e agradava em cheio, como se j\u00e1 fosse gente grande.<\/p>\n<p>\u201cEu era um ponta esquerda abusado, que corria muito, driblava, cruzava. Corrida era comigo. No atletismo, fazia os 100 metros rasos em menos de 11 segundos, o que j\u00e1 havia chamado a aten\u00e7\u00e3o do Professor Mingo, que me encaminhou para o futebol\u201d, conta Lu\u00eds Carlos.<\/p>\n<p>Lu\u00eds Carlos soube, depois, que ao final do treino Z\u00e9 Duarte foi \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do Guarani e falou: \u201cAquele menino (Lu\u00eds Carlos) tem que jogar. O que ele fez no treino profissional impressiona. Tem que jogar aqui no clube\u201d, insistiu.<\/p>\n<p>A estreia de Lu\u00eds Carlos no Guarani foi contra a Ponte Preta, num jogo em que entrou em substitui\u00e7\u00e3o a um companheiro e atuou pela ponta direita ao lado de craques como Neto e Evair. O Guarani venceu o jogo, 1&#215;0, gol de Lu\u00eds Carlos. Depois desse desempenho, em duas semanas Lu\u00eds Carlos j\u00e1 se firmava no time profissional.<\/p>\n<p><strong>Craques<\/strong><\/p>\n<p>Foi assim o ingresso desse carioca-brasiliense na carreira de futebolista, sob a orienta\u00e7\u00e3o do t\u00e9cnico Z\u00e9 Duarte, que gostava do estilo do ponta veloz que chegava.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, Lu\u00eds Carlos estreava ao lado de craques consagrados. No time do Guarani estavam, entre outros nomes de express\u00e3o, Careca, Jorge Mendon\u00e7a, Ailton Lira, J\u00falio C\u00e9sar, Mauro, Jaime. \u201cEra um tima\u00e7o\u201d, resume Lu\u00eds Carlos.<\/p>\n<p><strong>Despedida<\/strong><\/p>\n<p>A mudan\u00e7a de Bras\u00edlia para Campinas foi no in\u00edcio dos anos 1980, perto de Luiz Carlos completar 18 anos. Hoje, ele confessa que ficou saudade dos tempos em que morou na rua 113 do Cruzeiro, sua refer\u00eancia na adolesc\u00eancia, e dos bailes da Aruc que ele frequentava,<\/p>\n<p><strong><em>\u201cO envolvimento de minha fam\u00edlia com o Cruzeiro sempre foi bem forte. Meu irm\u00e3o Ant\u00f4nio C\u00e9sar gostava muito de carnaval e chegou a ser mestre-sala da Escola de Samba da Aruc. E eu tamb\u00e9m desfilava, foi um per\u00edodo legal\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Andan\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>Ao final da temporada no Guarani, Lu\u00eds Carlos veio jogar no Taguatinga, aqui conquistando um Campeonato Candango nos anos 1980, numa final contra o Bras\u00edlia. Em seguida, ele voltou para o Guarani, depois para o Comercial de Ribeir\u00e3o Preto e dali seguiram-se transfer\u00eancias ao longo da carreira, que durou at\u00e9 os 31 anos.<\/p>\n<p>\u201cDos 18 aos 31 anos Joguei em v\u00e1rios times, como o Am\u00e9rica, do Rio de Janeiro, o Atl\u00e9tico Goianense, a Portuguesa de Desportos, o Cear\u00e1, S\u00e3o Carlense, Novo Horizontino, Sport Recife (foto) e Ferrovi\u00e1ria de Araraquara. Meu \u00faltimo time foi o S\u00e3o Carlense, porque me machuquei e vi que era hora de parar\u201d.<\/p>\n<p><strong>No Cear\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>O diretor da Aruc, H\u00e9lio Tremendani, que participava desta entrevista, lembrou que foi disputar o Campeonato Brasileiro de Futebol de Sal\u00e3o em Fortaleza. Num dia de folga, ele foi \u00e0 praia, quando levou um papo com outros jogadores da cidade.<\/p>\n<p>\u201cL\u00e1 pelas tantas, quando o pessoal soube que eu era de Bras\u00edlia, come\u00e7ou a fazer elogios a um jogador que atuava pelo Cear\u00e1. O tal cara era demais, jogava \u201cpra caramba\u201d, na avalia\u00e7\u00e3o deles. Eles estavam se referindo a Lu\u00eds Carlos, que j\u00e1 havia espalhado a sua fama de craque naquele estado\u201d, lembra H\u00e9lio <em>(Na foto, H\u00e9lio e Lu\u00eds Carlos, na sede da Aruc<\/em>).<\/p>\n<p><strong>Barra pesada<\/strong><\/p>\n<p>Quando parou de jogar, no in\u00edcio dos anos 1990, Lu\u00eds Carlos enfrentou momentos dif\u00edceis. N\u00e3o bastasse o afastamento dos clubes, dos gramados e das competi\u00e7\u00f5es, ele sofreu, como milh\u00f5es de brasileiros, o \u201cconfisco do Plano Collor\u201d.<\/p>\n<p>Rec\u00e9m eleito, o ent\u00e3o presidente da Rep\u00fablica, Fernando Collor de Mello, confiscou as economias dos brasileiros, acumuladas com muito sacrif\u00edcio. Foi uma esp\u00e9cie de \u201croubo legalizado\u201d, mas que fez um estrago enorme na vida de quem guardava um dinheirinho mensalmente.<\/p>\n<p>\u201cEu morava em Bras\u00edlia. Aquela medida presidencial agravou uma depress\u00e3o horr\u00edvel que eu tinha e durou dois anos\u201d, conta Lu\u00eds Carlos.<\/p>\n<p>\u201cPerdi as minhas economias. Foram duas porradas grandes, o confisco de minha poupan\u00e7a e a depress\u00e3o, tudo agravado com o afastamento dos gramados\u201d, conta ele.<\/p>\n<p><strong>Projeto acad\u00eamico<\/strong><\/p>\n<p>Dois anos depois dessas \u201ctrag\u00e9dias\u201d, Lu\u00eds Carlos conseguiu se reerguer e, para isso, contou com a formatura nos cursos de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Na academia, Lu\u00eds Carlos participou \u201cde um projeto legal\u201d, na Upis, tradicional universidade de Bras\u00edlia, onde ele estudou Hist\u00f3ria. L\u00e1, ele dirigiu o time de futebol universit\u00e1rio, formado por estudantes-bolsistas, que integravam uma Sele\u00e7\u00e3o permanente. O time, representando a comunidade do Parano\u00e1, n\u00e3o conseguia jogar torneios profissionais em Bras\u00edlila, mas conquistou o bicampeonato brasileiro universit\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong><em>\u201cFoi assim que comecei a virar t\u00e9cnico, primeiro na Sele\u00e7\u00e3o Permanente da Upis, depois na Aruc, no Cruzeiro Sub\u00a0 20 e no Bras\u00edlia\u201d, recorda Lu\u00eds Carlos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Atuando como t\u00e9cnico do Bras\u00edlia, Lu\u00eds Carlos levou o time ao primeiro t\u00edtulo de Campe\u00e3o da Copa Verde, em 2014.<\/p>\n<p>A Copa Verde de Futebol \u00e9 uma competi\u00e7\u00e3o regional organizada pela CBF e disputada entre equipes da Regi\u00e3o Norte e Centro-Oeste, al\u00e9m do Esp\u00edrito Santos.<\/p>\n<p>Na primeira competi\u00e7\u00e3o, o Bras\u00edlia, sagrou-se campe\u00e3o com vit\u00f3ria final sobre o Paysandu, de Bel\u00e9m. Como o primeiro jogo foi vencido pelo advers\u00e1rio, a decis\u00e3o foi para os p\u00eanaltis, com vit\u00f3ria do Bras\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>E agora?<\/strong><\/p>\n<p>Lu\u00eds Carlos n\u00e3o esconde que \u00e9 apaixonado por Bras\u00edlia. E foi nesse embalo que ele se tornou mais \u00edntimo da capital que o acolheu ao dirigir o time do Gama, que amargava sete anos sem conquistar o t\u00edtulo de campe\u00e3o brasiliense.<\/p>\n<p>\u201cAcabei de ser campe\u00e3o com o Gama, numa final contra o Capital. Vencemos nos p\u00eanaltis\u201d, comemora ele, ainda euf\u00f3rico com o resultado.<\/p>\n<p>\u201cEu comandava times que jogavam contra o Gama, mas nunca havia trabalhado nessa agremia\u00e7\u00e3o\u201d, contou. E fiquei impressionado como a cidade do Gama torce e se une em torno da agremia\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o tinha essa dimens\u00e3o do que \u00e9 a paix\u00e3o club\u00edstica no Gama, com torcedores por todos os cantos da cidade e comparecendo, inclusive, aos treinos da semana\u201d, revelou.<\/p>\n<p>O trabalho da atual diretoria \u00e9 no sentido de que a Sociedade Esportiva do Gama se torne uma SAF (Sociedade An\u00f4nima do Futebol), isto \u00e9, recebendo investimentos empresariais que tornariam o futebol daquele clube mais forte para buscar vagas em competi\u00e7\u00f5es nacionais. Para isso, Luiz Carlos diz que a agremia\u00e7\u00e3o faz uma \u201cadministra\u00e7\u00e3o participativa\u201d, conta com bom est\u00e1dio e tem boas categorias de base, sendo o atual campe\u00e3o da Sub-20.<\/p>\n<p>\u201cSe montarem um time legal, pela for\u00e7a que tem regionalmente, o Gama poder\u00e1 ir alcan\u00e7ando os objetivos. Em termos de engajamento nas redes sociais naquela regi\u00e3o o clube de Bras\u00edlia s\u00f3 perde para o Vila Nova (de Goi\u00e1s).<\/p>\n<p>Mesmo com o t\u00edtulo que conquistou, Lu\u00eds Carlos ainda n\u00e3o renovou contrato com o Gama. \u201cVamos ver, vamos aguardar\u201d, diz ele. O atual presidente do Gama \u00e9 Wendel Lopes, que assumiu em 2022 e tem mandato at\u00e9 2028.<\/p>\n<p><strong>Depoimentos e desabafos <\/strong><\/p>\n<p>Lu\u00eds Carlos \u00e9 cr\u00edtico no quesito da triste realidade do nosso futebol pentacampe\u00e3o mundial, que registra a aus\u00eancia de novos craques e a fartura de estrangeiros nos clubes. O misto de depoimento com desabafos, a seguir, resumem o pensamento do t\u00e9cnico campe\u00e3o brasiliense de 2025:<\/p>\n<p>\u201cQuando eu era menino, no Rio de Janeiro ou aqui em Bras\u00edlia, havia campinhos de futebol por todos os lados. Hoje n\u00e3o se v\u00ea mais isso. Bras\u00edlia ainda \u00e9 um lugar fora da curva, pois aqui tem espa\u00e7os dentro das quadras. As escolinhas ocuparam o espa\u00e7o dos campinhos, o futebol est\u00e1 elitizado\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se v\u00ea mais garotos jogando nas ruas, onde, antes, se enfrentava dificuldade, mas era assim que se aprendia a driblar os obst\u00e1culos a se ganhar habilidades, ponto de partida para se tornar grande jogador. Uma das coisas para isso \u00e9 mesmo a falta de locais para a garotada brincar de jogar bola e isso muda a nossa realidade no futebol profissional, pois nele chegam menos talentos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cLembro da minha inf\u00e2ncia, quando eu jogava na rua estreita, com ladeira, postes de luz que tamb\u00e9m dribl\u00e1vamos, cal\u00e7amento de paralelep\u00edpedo, espa\u00e7os com areia&#8230; tudo era obst\u00e1culo que ajudava a garotada a crescer superando dificuldades, enquanto se divertia. Eu fui usar uma chuteira quando estava com quase 13 anos&#8230; Hoje, a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 pintar o cabelo, \u00e9 com o visual, com as redes sociais&#8230;\u201d<\/p>\n<p>\u201cSou flamenguista e fui torcedor na geral do Maracan\u00e3. Hoje n\u00e3o tem mais geral, n\u00e3o tem mais ingresso barato, o ingresso \u00e9 caro e afasta os meninos dos campos dos est\u00e1dios. O futebol profissional est\u00e1 elitizado tamb\u00e9m na torcida\u201d<\/p>\n<p><strong>Trabalho com crian\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>Lu\u00eds Carlos tem um trabalho de inicia\u00e7\u00e3o com meninos e meninas que querem jogar futebol.<\/p>\n<p>\u201cFa\u00e7o exerc\u00edcios de repeti\u00e7\u00e3o, como dominar, driblar e passar a bola, que considero os tr\u00eas principais fundamentos b\u00e1sicos para quem quer crescer no futebol. Se quer ser jogador tem que saber fazer isso, \u00e9 fundamental! \u00c9 um trabalho que come\u00e7ou com a hoje estrela do futebol feminino mundial, Catarina Macario, maranhense que morou em Bras\u00edlia, mas que em 2011 se mudou para os Estados Unidos, onde se tornou cidad\u00e3 norte-americana. Ela foi eleita duas vezes a melhor jogadora dos Estados Unidos (2019 e 22020). Desde 2003, Catarina joga no Chelsea, da Inglaterra. \u201cCatarina Mac\u00e1rio foi minha primeira aluna mulher nesse trabalho que mantenho at\u00e9 hoje, na AABB\u201d, disse Lu\u00eds Carlos.<\/p>\n<p><strong>Futebol em Bras\u00edlia. <\/strong><\/p>\n<p>\u201cBras\u00edlia j\u00e1 formou e exportou excelentes jogadores. Se formarmos uma Sele\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia de todos os tempos teremos pessoal de muita qualidade, como o goleiro Van\u00e1, de Planaltina, atualmente no futebol portugu\u00eas; o zagueiro L\u00facio, Jairo, o artilheiro T\u00falio, Carlos Alberto Dias, que jogou nos quatro grandes times do Rio de Janeiro, Hilton, que fez sucesso na Fran\u00e7a, Amoroso, com passagens pelo Parma e Udinese, Kak\u00e1 (foto), \u00eddolo do Milan, Washington Cora\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o, artilheiro no Fluminense e no S\u00e3o Paulo, Endric, campe\u00e3o brasileiro pelo Palmeiras, Bob, o goleiro Paulo Victor, Edmar Ernani Banana, Lira, Jo\u00e3ozinho&#8230; e por a\u00ed vai, todos de \u00f3tima qualidade\u201d<\/p>\n<p><strong>Passista e sambista <\/strong><\/p>\n<p>Wellington Campos, o Vareta, Mestre de Cerim\u00f4nia da Aruc e hist\u00f3rico carnavalesco brasiliense, acompanhou a entrevista com Lu\u00eds Carlos, de quem \u00e9 amigo h\u00e1 d\u00e9cadas. Assim Vareta resumiu o personagem entrevistado:<\/p>\n<p>\u201cLuiz Carlos foi um passista que deu show, na Aruc, no Carnaval de Bras\u00edlia. Ele e a rapaziada dos anos 1977, 1978&#8230; dos tempos bons. \u00c9 excelente dan\u00e7arino de samba, o que vem de fam\u00edlia, diz Vareta, com a concord\u00e2ncia de H\u00e9lio Tremendani. Seu pai foi bom de samba e de baile de gafieira. Seu Cec\u00edlio e Dona L\u00edgia foram refer\u00eancias nos bailes do Clube Previdenci\u00e1rio, em Bras\u00edlia\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e9lio Tremendani conclui:<\/p>\n<p>\u201cLu\u00eds Carlos dos Santos \u00e9 o melhor dan\u00e7arino de samba tradicional da cidade, tem at\u00e9 um f\u00e3 clube. Foi refer\u00eancia para o meu pai e para a minha m\u00e3e, nas reuni\u00f5es dan\u00e7antes do Clube previdenci\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p><strong>Declara\u00e7\u00e3o a Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Sou carioca porque nasci no Rio de Janeiro, de onde guardo o sotaque e boas lembran\u00e7as. Mas, a minha refer\u00eancia \u00e9 Bras\u00edlia, onde estou desde os 10 anos. Tenho irm\u00e3os, netos, filhos, tenho uma gera\u00e7\u00e3o brasiliense\u201d.<\/p>\n<p><strong>Tem mais: <\/strong><\/p>\n<p>\u201cLu\u00eds, nos pagodes da vida, no samba de mesa, na roda de samba, toca, canta e puxa o samba. Se est\u00e1 tocando com o pessoal \u00e9 ele quem conduz as mudan\u00e7as na maioria dos casos. Eu (H\u00e9lio) e Lu\u00eds Carlos, somos f\u00e3s incondicionais do Reinaldo. Ele faleceu recentemente. Foi o melhor \u201cpr\u00edncipe do pagode\u201d, em n\u00edvel de Arlindo Cruz. O grupo do Reinaldo n\u00e3o dava porrada em instrumento, era no ritmo. (Depoimento final de H\u00e9lio Tremendani)<\/p>\n<p><strong><em>Vareta, H\u00e9lio, Lu\u00eds Carlos e Jos\u00e9 Cruz, na tradicional foto <\/em><\/strong><strong><em>com o entrevistado<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por H\u00e9lio Tremendani e Jos\u00e9 Cruz O carioca Lu\u00eds Carlos dos Santos Silva tinha 10 anos quando veio morar em Bras\u00edlia. Aqui, praticou esportes e sambou no bom embalo carnavalesco, mantendo as tradi\u00e7\u00f5es de sua origem, o Rio de Janeiro. No atletismo e no futebol, principalmente, construiu carreiras vitoriosas, tudo ao seu tempo. Aos 62 &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,6,4,16,14],"tags":[],"class_list":["post-3156","post","type-post","status-publish","format-standard","","category-colunistas","category-entrevistas","category-esporte","category-helio-tremendani","category-jose-cruz"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3156"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3156\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3157,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3156\/revisions\/3157"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}