{"id":3122,"date":"2025-03-31T17:35:42","date_gmt":"2025-03-31T20:35:42","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/?p=3122"},"modified":"2025-03-31T17:35:42","modified_gmt":"2025-03-31T20:35:42","slug":"adauto-cruz-pioneiro-do-fotojornalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/2025\/03\/31\/adauto-cruz-pioneiro-do-fotojornalismo\/","title":{"rendered":"Adauto Cruz: pioneiro do fotojornalismo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por <\/strong><strong>Jos\u00e9 Cruz<\/strong><\/p>\n<p><strong><em><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-3123\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto1-242x300.jpg\" alt=\"\" width=\"242\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto1-242x300.jpg 242w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto1.jpg 553w\" sizes=\"auto, (max-width: 242px) 100vw, 242px\" \/><\/a>O goiano Adauto Cruz veio para Bras\u00edlia em 1960 e aqui continua, agora contando sobre a sua fa\u00e7anha e abnega\u00e7\u00e3o para se tornar rep\u00f3rter fotogr\u00e1fico. Era a segunda vez que aqui chegava. Na primeira tentativa n\u00e3o \u00a0\u00a0teve sucesso e voltou para a sua cidade, no interior de Goi\u00e1s. H\u00e1 \u00a065 anos, enfrentou os desafios de uma cidade em constru\u00e7\u00e3o. Mas, foi batalhando e com persist\u00eancia que Adauto buscou o seu espa\u00e7o, at\u00e9 chegar aonde o seu foco sempre o norteou, a fotografia. E, assim, se revelar, literalmente, um dos craques do fotojornalismo da capital da Rep\u00fablica.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>As origens<\/strong><\/p>\n<p>Adauto nasceu em Ner\u00f3polis, cidade a 170 Km de Goi\u00e2nia, hoje com cerca de 30 mil, habitantes. Quando aqui chegou, as resid\u00eancias se concentravam no N\u00facleo Bandeirantes e alojamentos na Vila Planalto. No mais, eram obras para todos os lados, na Esplanada dos Minist\u00e9rios e nas Asas Norte e Sul, principalmente, onde surgiam as superquadras.<\/p>\n<p><strong><em>\u201cEu estava ficando velho; na ro\u00e7a, onde eu trabalhava, n\u00e3o tinha muito futuro. Acreditava que numa capital teria boas chances de crescer e foi assim que decidi tentar a segunda vez em Bras\u00edlia. Deu certo!\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>A viagem<\/strong><\/p>\n<p>Na primeira tentativa de trabalho na nova capital, Adauto caminhou com tr\u00eas amigos por 50 km, entre Ner\u00f3polis e Auril\u00e2ndia, aonde ficaram por um tempo. Trabalhou na fazenda de um candidato a vereador, mas no final de um m\u00eas ele viu que ali n\u00e3o teria futuro. P\u00e9 na estrada.<\/p>\n<p>Quando chegou em Bras\u00edlia foi logo procurar um cunhado, pois havia a promessa de que conseguiria um emprego. Surpresa!\u00a0 o cunhado tinha morrido. \u201cFui para um hotel e nem dinheiro tinha para pagar. Foi um sufoco\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Adauto seguiu procurando o que fazer e conseguiu vaga numa pedreira, que tamb\u00e9m oferecia alimenta\u00e7\u00e3o. Mas, quando chovia, nada de trabalho nem de alimentos. Por isso, retornou \u00e0s origens, Ner\u00f3polis. Mas n\u00e3o por muito tempo, pois voltou para Bras\u00edlia, tempos depois. Algo o atra\u00eda nessa cidade que estava nascendo.<\/p>\n<p><strong>Vida nova<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-3124\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto2.jpg\" alt=\"\" width=\"328\" height=\"227\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto2.jpg 328w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto2-300x208.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto2-110x75.jpg 110w\" sizes=\"auto, (max-width: 328px) 100vw, 328px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>\u201c<\/em>Na segunda tentativa para trabalhar em Bras\u00edlia, encontrei o D\u00e1rio, meu amigo das antigas, que me levou para fazer um teste num escrit\u00f3rio. Errei nas contas, n\u00e3o deu certo. Depois, me ofereceram vaga de copeiro no Bras\u00edlia Palace Hotel (foto), fundado em 1958, perto do Pal\u00e1cio da Alvorada. Logo que cheguei, a turma viu que eu era um cara grosseiro, da ro\u00e7a e me ca\u00e7oavam, porque at\u00e9 as m\u00e3os eu queimava na \u00e1gua quente. Levei na boa, na malandragem. Logo ficaram meus amigos\u201d<\/p>\n<p><strong>O tempo passou&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA turma que me ca\u00e7oava no restaurante do hotel conheceu o meu trabalho. Eu dava conta do que me pediam. Progredi e em cinco meses eu j\u00e1 era chefe de todos. Eles n\u00e3o sabiam que eu estava acostumado ao trabalho pesado. Naquele hotel, que foi o primeiro de Bras\u00edlia, vi gente famosa , nada me assustava. Naquele hotel, vi muitos shows, como os cantores I\u00a0 von Cury, Cauby Peixoto, \u00c2ngela Maria, Maysa Matarazzo\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca, as r\u00e1dios reinavam nas comunica\u00e7\u00f5es. Neles eram lan\u00e7ados os sucessos musicais e novelas que ganhavam audi\u00eancia nacional. \u00a0Ao lado do hotel funcionava o Casar\u00e3o do Samba, ponto de encontro musical nas noites ainda de raras atra\u00e7\u00f5es em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>Jogada esperta<\/strong><\/p>\n<p>Em Bras\u00edlia Adauto foi morar na Ceil\u00e2ndia, onde est\u00e1 at\u00e9 hoje. Com o tempo, abriu uma lojinha, a <em>Discol\u00e2ndia Foto<\/em>, que tamb\u00e9m operava com fotos 3&#215;4. Foi uma jogada esperta, pois havia muita gente chegando \u00e0 cidade procurando emprego. \u201cE todos precisavam de uma foto para se apresentar nas ofertas de trabalho que tinham\u201d, lembra Adauto.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-3125\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto3-300x285.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"285\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto3-300x285.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto3.jpg 369w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Naquela \u00e9poca, Adauto j\u00e1 ensaiava na fotografia e fazia algumas imagens usando uma m\u00e1quina <em>Kapsa,<\/em> do estilo \u201ccaixote\u201d.<\/p>\n<p><strong><em>\u201cLembro que eu tive uma m\u00e1quina fotogr\u00e1fica desde cedo, do tempo em que eu trabalhava na ro\u00e7a. At\u00e9 tenho umas fotos do meu pai no meio das vacas. Sempre fui inclinado para a imagem\u201d, afirmou.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Andan\u00e7as <\/strong><\/p>\n<p>E foi assim, de emprego em emprego, sempre buscando a carreira de fot\u00f3grafo, que Adauto conheceu um personagem que mudaria definitivamente o seu rumo profissional.<\/p>\n<p>O nome dessa personagem ele n\u00e3o lembra mais, mas recorda que o sujeito conhecia o Joca, no jornal Correio Braziliense, para quem escreveu um bilhete, mais ou menos assim:<\/p>\n<p><strong><em>\u201cJOCA,<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>a\u00ed vai um amigo meu, veja o que pode fazer por ele, ele quer trabalhar no laborat\u00f3rio de fotografia\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u201cFui ao Correio, no dia seguinte. Joca me recebeu muito bem. A vaga seria para o laborat\u00f3rio de revela\u00e7\u00e3o de fotos, que eu j\u00e1 havia aprendido um pouco. Ele gostou do meu teste e disse que no dia seguinte me ensinaria mais. Na outra manh\u00e3, quando retornei ao jornal, havia uma tristeza grande no ambiente. Surpreendente, o Joca, o cara que t\u00e3o bem havia me recebido e acertou a vaga comigo no Correio havia morrido na madrugada. Fatalidade!\u201d<\/p>\n<p>Passados uns dias, a turma do Correio Braziliense contratou Adauto. E um dos primeiros fot\u00f3grafos com quem teve contato foi Cl\u00e1udio Alves (1948-2016), que o ensinou um pouco sobre fotojornalismo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3126\" aria-describedby=\"caption-attachment-3126\" style=\"width: 335px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3126\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto4.jpg\" alt=\"\" width=\"335\" height=\"285\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto4.jpg 335w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto4-300x255.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 335px) 100vw, 335px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3126\" class=\"wp-caption-text\">Cl\u00e1udio, o primeiro mestre de Adauto no fotojornalismo<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Promo\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Com um ano de laborat\u00f3rio, Adauto foi promovido a rep\u00f3rter fotogr\u00e1fico do jornal. Era o dia 10 de agosto de 1973, est\u00e1 na lembran\u00e7a desse veterano da fotogafia.<\/p>\n<p>\u201cEstou no Correio h\u00e1 51 anos, mas agora de licen\u00e7a m\u00e9dica, pois tenho uns problemas de sa\u00fade, muita tontura, um ouvido apagou&#8230; Estou em tratamento com o doutor Renato, no hospital Santa L\u00facia\u201d, revela Adauto, hoje com 87 anos.<\/p>\n<p><strong>Mem\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Dos tempos da fotorreportagem, Adauto destaca o \u201cmassacre no restaurante da construtora Pacheco Fernandes\u201d, no Carnaval de 1959. Bras\u00edlia ainda n\u00e3o tinha jornais, mas, conforme registros de pioneiros da \u00e9poca, soldados da Guarda Especial de Bras\u00edlia (GEB) invadiram o refeit\u00f3rio da construtora e alvejaram dezenas de oper\u00e1rios, que reclamavam da m\u00e1 qualidade dos alimentos oferecidos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3127\" aria-describedby=\"caption-attachment-3127\" style=\"width: 609px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3127\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto5.jpg\" alt=\"\" width=\"609\" height=\"409\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto5.jpg 609w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto5-300x201.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto5-110x75.jpg 110w\" sizes=\"auto, (max-width: 609px) 100vw, 609px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3127\" class=\"wp-caption-text\">Candangos trabalhando na constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong>Afinal, preparava-se uma festa para a inaugura\u00e7\u00e3o da Capital, em 1960, e um massacre com mortes de oper\u00e1rios n\u00e3o era not\u00edcia para ganhar o mundo.\u00a0 Assim, trataram de desacreditar as vers\u00f5es populares e abafar o assunto. Certo \u00e9 que, at\u00e9 hoje, n\u00e3o se confirmou o n\u00famero de mortos naquele confronto de oper\u00e1rios com a Guarda Especial de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p><strong><em>\u201cUm delegado da Pol\u00edcia Federal que eu conheci me levou ao local onde tem uma placa identificando o massacre. Eu fotografei essa placa, que fica onde hoje tem uma pracinha, na Vila Planalto\u201d, afirmou Adauto.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u201cO primeiro jornal aqui inaugurado foi o Correio Braziliense, em 21 de abril de 1960, mesma data de funda\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia. Na \u00e9poca do conflito com os oper\u00e1rios ainda n\u00e3o circulavam jornais em Bras\u00edlia\u201d, disse Adauto.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3128\" aria-describedby=\"caption-attachment-3128\" style=\"width: 302px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3128\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto6.jpg\" alt=\"\" width=\"302\" height=\"238\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto6.jpg 302w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto6-300x236.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 302px) 100vw, 302px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3128\" class=\"wp-caption-text\">Primeira sede do Correio Braziliense, em meio ao Cerrado, onde depois surgiria o Setor de Ind\u00fastrias Gr\u00e1ficas<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Equipamentos<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto7.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-3129\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto7-276x300.jpg\" alt=\"\" width=\"276\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto7-276x300.jpg 276w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto7.jpg 593w\" sizes=\"auto, (max-width: 276px) 100vw, 276px\" \/><\/a>Nas primeiras sa\u00eddas para coberturas jornal\u00edsticas, Adauto usada uma m\u00e1quina Nikon (foto). Era tempo dos filmes em preto e branco de 12, 24 e 36 poses. Os fot\u00f3grafos de jornais e de revistas usavam \u201crolinhos\u201d de 36 poses, pois ficavam mais tempo na m\u00e1quina, n\u00e3o era preciso troc\u00e1-los com tanta frequ\u00eancia. Depois vieram outros modelos de equipamentos, como a Nikon F2 e a\u00ed a tecnologia n\u00e3o parou de prosperar.<\/p>\n<p>\u201cHoje, os telefones celulares t\u00eam c\u00e2meras potentes, capazes de produzir excelente material. Por\u00e9m, a grande vantagem dos fot\u00f3grafos profissionais com seus equipamentos Canon ou Nikon s\u00e3o as teleobjetivas, que permitem captar imagens longas trazendo para mais perto, muito utilizadas em eventos de rua ou em esportes\u201d, ensina Adauto.<\/p>\n<p>\u201cLogo que chegaram os equipamentos digitais, comprei um e passei a trabalhar no jornal para test\u00e1-lo. O resultado foi positivo e a dire\u00e7\u00e3o do Correio Braziliense comprou m\u00e1quinas da Nikon para a equipe.<\/p>\n<p>\u201cAtualmente, enquanto estou afastado do jornal e quando preciso, uso a m\u00e1quina de um telefone Sansung S4, modelo S22. Essa linha j\u00e1 est\u00e1 no modelo S24 e em breve chega o S25, que pretendo comprar\u201d, conta Adauto.<\/p>\n<p>Adauto tamb\u00e9m lembrou das coberturas jornal\u00edsticas com m\u00e1quinas digitais, como Nikon D300. \u201cDepois com as D300S, com motordrive, que permitiam fazer fotos em sequ\u00eancia, sem tirar o dedo do disparador\u201d.<\/p>\n<p>Adauto era fotojornalista de extremos. Tanto estava de terno e gravata como de cal\u00e7a jeans e camisa esporte cobrindo \u201cuma greve, um quebra-pau\u201d&#8230; \u201cCobria o que pintava\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Lembran\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>Houve uma \u00e9poca em que Adauto cobriu pol\u00edtica e foi setorizado no Pal\u00e1cio do Planalto. Nesse tempo, palet\u00f3 e gravata era obrigat\u00f3rias. \u201cTenho fotos com os ex-presidentes Itamar Franco, Fernando Collor de Mello, Jos\u00e9 Sarney.<\/p>\n<p>E foi bom cobrir pol\u00edtica?<\/p>\n<p>&#8211; Foi muito bom. Ao contr\u00e1rio do dia-a-dia da Reda\u00e7\u00e3o do jornal, quando surgia uma pauta e n\u00e3o se sabia o que ir\u00edamos encontrar, no Pal\u00e1cio t\u00ednhamos o foco na pol\u00edtica e no pol\u00edtico\u201d, explica ele.<\/p>\n<p><strong><em>\u201cNa pol\u00edtica \u00e9 muito etiqueta, muito personagem, muito protocolo. Fica-se tentando uma boa foto, mas \u00e9 tudo padronizado, s\u00e3o s\u00f3 pessoas de terno e gravata. Tem gente que n\u00e3o faz um s\u00f3 gesto para dar movimento \u00e0 foto. A vantagem \u00e9 que no Pal\u00e1cio do Planalto trabalha-se com os maiores personagens do Basil, \u00e0s vezes do mundo\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n<p>Na rotina palaciana, Adauto captou uma imagem incomum. Numa certa sexta-feira, o ent\u00e3o presidente Fernando Collor de Mello descia a rampa do Pal\u00e1cio do Planalto quando se observou movimento brusco entre os seguran\u00e7as. Era um popular tentando esfaquear o presidente. Foi tudo muito r\u00e1pido.<\/p>\n<p>\u201cA imagem que peguei foi do maluco sendo colocado dentro do cambur\u00e3o pelos seguran\u00e7as. A foto ganhou destaque no dia seguinte. Afinal, era um atentado contra o presidente da Rep\u00fablica\u201d<\/p>\n<p>Em outra ocasi\u00e3o, Adauto pegou a imagem do tricampe\u00e3o mundial de F\u00f3rmula 1, Nelson Piquet, agredindo fot\u00f3grafos. Ele estava num tribunal depondo sobre a sua separa\u00e7\u00e3o conjugal. Ao final, quando sa\u00eda, ficou nervoso e deu um soco no fot\u00f3grafo Jo\u00e3o Ramid, da Veja.<\/p>\n<p><strong><em>\u201cAquela foto repercutiu muito, pois Piquet\u00a0<\/em><\/strong><strong>\u00e9 muito famoso, mas truculento, tamb\u00e9m\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Tristeza<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto8.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-3130\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto8-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto8-225x300.jpg 225w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto8.jpg 420w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a>Adauto revela que tem duas tristezas: a de n\u00e3o estar indo ao jornal para seguir fotografando, pois ainda est\u00e1 em tratamento de sa\u00fade, e a aus\u00eancia de sua mulher, Maria Aparecida, que morreu h\u00e1 pouco tempo. Cabe\u00e7a baixa, ele fala sobre a conviv\u00eancia feliz com ela e a dor que sente dessa aus\u00eancia. Nessa rotina, Adauto \u00e9 acompanhado pelas filhas e por amigos, ex-companheiros de reda\u00e7\u00e3o que o visitam com frequ\u00eancia. Mas h\u00e1 uma alegria, por ele revelada, quando recebe o Correio Braziliense, diariamente. \u201cAinda curto muito. Ler o jornal \u00e9 um prazer que dura uma vida\u201d.<\/p>\n<p><strong>Meu Lindo!<\/strong><\/p>\n<p>Aos 87 anos, Adauto ainda cativa amigos. Trata a todos com aten\u00e7\u00e3o e leva bom papo. No Correio Braziliense, onde fez toda a sua carreira de fot\u00f3grafo, o chamavam de \u201cMeu Lindo\u201d. O apelido tem a seguinte origem:\u00a0 Adauto n\u00e3o lembrava o nome de tantos e tantas rep\u00f3rteres com quem sa\u00eda para as coberturas di\u00e1rias. Diz que sempre foi ruim de mem\u00f3ria para guardar nomes. Da\u00ed passou a usar um tratamento carinhoso, \u201cMeu Lindo\u201d e \u201cMinha Linda\u201d, express\u00e3o que turma inverteu para homenage\u00e1-lo e se perpetuou.<\/p>\n<p>Quem contou sobre isso foi a jornalista Concei\u00e7\u00e3o Freitas, numa cr\u00f4nica que homenageia o companheiro de jornal, quando ele completou 35 anos de profiss\u00e3o, em 2008. \u00c0 \u00e9poca, Adauto estava com 70 anos e Concei\u00e7\u00e3o (foto abaixo) tamb\u00e9m sintetizou a carreira dele no fotojornalismo com este belo relato:<\/p>\n<p><strong><em><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto9.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-3131\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto9-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto9-300x180.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/adauto9.jpg 304w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u201cMeu Lindo teria mais de 12 mil fotos publicadas. Mas quem \u00e9 fot\u00f3grafo de jornal nunca faz menos de tr\u00eas pautas por dia e cada pauta rende d\u00fazias de fotos. Portanto, Meu Lindo j\u00e1 deve ter feito mais de 300 mil fotos, das quais deve ter publicado n\u00e3o menos de 20 mil, em conta rasa. O grande barato de um fot\u00f3grafo de jornal \u00e9 ter sua foto na primeira p\u00e1gina. Pois ent\u00e3o, morram de inveja, retratistas: Meu Lindo emplacou foto na primeira durante 29 dias subsequentes, no tempo em que Renato Riella era o editor do jornal, na d\u00e9cada de 80. &#8220;Foi sorte, Linda. Fui empolgando, empolgando e queria conseguir os 30, mas no trinta n\u00e3o tive mais sorte.&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Profissional<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o foi \u201csorte\u201d, n\u00e3o, Meu Lindo Amigo. Foi compet\u00eancia, profissionalismo, mesmo! Renato Riella n\u00e3o publicaria a foto por publicar, para te agradar. Ele era rigoroso na escolha do texto e da imagem, sabes disso. Portanto, ter faturado a capa do Correio Braziliense por 29 dias consecutivos \u00e9 um pr\u00eamio sem igual. Marca dif\u00edcil de ser batida, o que te torna um campe\u00e3o do fotojornalismo. Muito obrigado pelo teu depoimento \u00e0 Mem\u00f3ria da Cultura e do Esporte em Bras\u00edlia, que conta mais um pouco sobre os pioneiros da nossa querida Bras\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <strong><em>H\u00e9lio Tremendani e Jos\u00e9 Cruz<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Cruz O goiano Adauto Cruz veio para Bras\u00edlia em 1960 e aqui continua, agora contando sobre a sua fa\u00e7anha e abnega\u00e7\u00e3o para se tornar rep\u00f3rter fotogr\u00e1fico. Era a segunda vez que aqui chegava. Na primeira tentativa n\u00e3o \u00a0\u00a0teve sucesso e voltou para a sua cidade, no interior de Goi\u00e1s. 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