{"id":2912,"date":"2024-11-21T10:48:19","date_gmt":"2024-11-21T13:48:19","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/?p=2912"},"modified":"2024-11-21T10:48:19","modified_gmt":"2024-11-21T13:48:19","slug":"a-jornada-pioneira-de-um-craque-da-fotografia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/2024\/11\/21\/a-jornada-pioneira-de-um-craque-da-fotografia\/","title":{"rendered":"A jornada pioneira de um craque da fotografia"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Por\u00a0H\u00e9lio Tremendani e Jos\u00e9 Cruz<\/strong><\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Adao1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-2913\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Adao1-217x300.jpg\" alt=\"\" width=\"217\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Adao1-217x300.jpg 217w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Adao1.jpg 576w\" sizes=\"auto, (max-width: 217px) 100vw, 217px\" \/><\/a>Tristemente, o fot\u00f3grafo carioca <em>Ad\u00e3o Leal do Nascimento<\/em> n\u00e3o est\u00e1 mais entre n\u00f3s. Ele foi um daqueles profissionais que fotografou intensamente momentos hist\u00f3ricos da Rep\u00fablica, desde a inaugura\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, em 21 de abril de 1960, com suas imagens publicadas em v\u00e1rios jornais onde atuou.<\/p>\n<p>\u00c9 de Ad\u00e3o Nascimento o registro n\u00ba 1 de rep\u00f3rter fotogr\u00e1fico do Correio Braziliense, fundado no mesmo dia da Capital da Rep\u00fablica e, ainda hoje, o principal jornal da cidade, do grupo dos Di\u00e1rios Associados.<\/p>\n<p>Como rep\u00f3rter fotogr\u00e1fico, Ad\u00e3o viajou por 35 pa\u00edses nos cinco continentes ao longo do tempo em que cobriu o Pal\u00e1cio do Planalto, desde em que aqui chegou, em 1960, vindo do Rio de Janeiro. Juscelino Kubitscheck estava no comando da na\u00e7\u00e3o e presidiu, tamb\u00e9m, a inaugura\u00e7\u00e3o da nova capital, sua ousada iniciativa.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, Ad\u00e3o Nascimento documentou a passagem de faixa entre 13 presidentes, incluindo os ditadores militares, de 1964 a 1985. E assim seguiram-se outros mandat\u00e1rios at\u00e9 se aposentar, em 2006.<\/p>\n<p>Na foto acima, que ilustra esta introdu\u00e7\u00e3o, Ad\u00e3o est\u00e1 usando uma m\u00e1quina com lente fixa, com as imagens sendo gravadas em filmes em preto e branco que precisavam de revela\u00e7\u00e3o para posterior c\u00f3pias em papel fotogr\u00e1fico. Ele foi um mestre na capta\u00e7\u00e3o de imagens, tanto com motivos da natureza quanto nas crises pol\u00edticas que viu ocorrerem.<\/p>\n<p><strong>O in\u00edcio<\/strong><\/p>\n<p>Fot\u00f3grafo desde os 12 anos, Ad\u00e3o se profissionalizou e atuou em v\u00e1rios jornais. Al\u00e9m do Correio Braziliense, ele trabalhou no O Estado de S\u00e3o Paulo, Jornal da Tarde, Jornal dos Sports, Di\u00e1rio de Not\u00edcias, O Jornal e ag\u00eancia United Press International.<\/p>\n<p>Quando Ad\u00e3o se aposentou, em 2006, estava vinculado \u00e0 Radiobr\u00e1s, hoje Empresa Brasileira de Comunica\u00e7\u00e3o, EBC.<\/p>\n<p><strong>Parceira<\/strong><\/p>\n<p>Esta reportagem de recupera\u00e7\u00e3o de fatos, a partir dos feitos de um fot\u00f3grafo pioneiro em Bras\u00edlia j\u00e1 falecido, tornou-se poss\u00edvel gra\u00e7as a depoimentos de Dilene, uma das filhas de Ad\u00e3o Nascimento. Ela \u00e9 candanga e at\u00e9 hoje mora na capital brasileira.<\/p>\n<p>Dilene atuou como uma \u201cassessora\u201d do pai. Ao sair para uma cobertura ele a convidava: \u201cQuer ir, filha\u201d? A resposta era sempre positiva, seguida da rotina de pegar a bolsa com os equipamentos fotogr\u00e1ficos. E l\u00e1 saiam os dois para mais registros de imagens da ainda jovem Bras\u00edlia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2914\" aria-describedby=\"caption-attachment-2914\" style=\"width: 847px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2914\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao2.jpg\" alt=\"\" width=\"847\" height=\"798\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao2.jpg 847w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao2-300x283.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao2-768x724.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 847px) 100vw, 847px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2914\" class=\"wp-caption-text\">Lembran\u00e7a de Fam\u00edlia: (da esquerda para a direita): Ad\u00e3o, Edir, Dilene, Delaine e Edilson. A garotinha \u00e9 Michele, na inaugura\u00e7\u00e3o de uma exposi\u00e7\u00e3o de Ad\u00e3o, sobre Bras\u00edlia, no Senado Federal<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cMeus pais, Ad\u00e3o e Edir, tiveram cinco filhos, sendo quatro mulheres \u2013 Denise, Deise, Delaine e eu \u2013 e um homem, Edilson\u201d, conta Dilene. \u201cE temos duas irm\u00e3s de cria\u00e7\u00e3o, Michele e Maria Aparecida\u201d, complementa.<\/p>\n<p><strong><em><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2915 size-medium\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao3-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao3-300x225.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao3.jpg 626w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u201cO meu pai trabalhou como fot\u00f3grafo por mais de 50 anos, a maior parte desse tempo em Bras\u00edlia. Em 2006, ele se aposentou e retornou ao Rio de Janeiro, sua cidade natal. Papai morreu em 2012, aos 77 anos. Deixou muitas hist\u00f3rias registradas em fotografias. Deixou muita saudade, principalmente. Mam\u00e3e, Edir Castro do Nascimento, mora em Bras\u00edlia at\u00e9 hoje\u201d. <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>A decis\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-2916\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao4-214x300.jpg\" alt=\"\" width=\"214\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao4-214x300.jpg 214w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao4.jpg 483w\" sizes=\"auto, (max-width: 214px) 100vw, 214px\" \/><\/a>O tempo passou&#8230; Certo dia, Dilene lembrou dos arquivos do pai. Com medo de aquelas produ\u00e7\u00f5es ca\u00edssem nas m\u00e3os de quem n\u00e3o as valorizasse, ela correu para o Rio de Janeiro, pegou fotos e textos, cuidadosamente protegidos por envelopes pl\u00e1sticos e arquivados em pastas, e trouxe para Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Aqui, sob a sua guarda, Dilene (foto) mostra p\u00e1gina por p\u00e1gina e fala sobre as condi\u00e7\u00f5es em que determinada imagem foi captada por seu pai.<\/p>\n<p>Fazer isso \u00e9 voltar no tempo, porque em muitas jornadas de Ad\u00e3o Dilene estava presente. Carregando a bolsa de equipamentos dele, ela conheceu de perto a atua\u00e7\u00e3o de um fot\u00f3grafo profissional, enquanto testemunhava boa parte da hist\u00f3ria da Rep\u00fablica, em seus momentos festivos e de crises pol\u00edticas, inclusive.<\/p>\n<p><strong>Um servi\u00e7o \u00e0 mem\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_2917\" aria-describedby=\"caption-attachment-2917\" style=\"width: 427px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2917 size-full\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao5.jpg\" alt=\"\" width=\"427\" height=\"285\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao5.jpg 427w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao5-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 427px) 100vw, 427px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2917\" class=\"wp-caption-text\">Esta \u00e9 a primeira sede do Correio Braziliense, em meio ao Cerrado. Atualmente est\u00e1 no mesmo local, em pr\u00e9dio moderno e j\u00e1 numa das mais desenvolvidas regi\u00f5es de Bras\u00edlia<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cPreservar esse material \u00e9 um dever, \u00e9 um servi\u00e7o \u00e0 mem\u00f3ria de Bras\u00edlia, al\u00e9m de prestar uma homenagem ao meu pai. Por isso fui buscar essas pastas no Rio de Janeiro. Agora, tenho em m\u00e3os a produ\u00e7\u00e3o do rep\u00f3rter fotogr\u00e1fico com registro n\u00ba 1 do Correio Braziliense e que mostrou ser um dos melhores do pa\u00eds\u201d, orgulha-se Dilene.<\/p>\n<p><strong>Legado<\/strong><\/p>\n<p>Boa parte da produ\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica de Ad\u00e3o Nascimento ainda est\u00e1 no Rio de Janeiro. S\u00e3o pain\u00e9is de exposi\u00e7\u00f5es que ele promoveu, como \u201cO Brasil em Tr\u00eas Tempos\u201d, sobre Bras\u00edlia, Porto Seguro e Ouro Preto; \u201cBras\u00edlia, Jubileu de Prata\u201d, sobre os 25 anos da capital; \u201cCerrado, Fauna e Flora\u201d, entre outras.<\/p>\n<p>\u201cQuero trazer esses pain\u00e9is para Bras\u00edlia. S\u00e3o imagens importantes do in\u00edcio da Capital da Rep\u00fablica. Mas ainda falta um patrocinador para o transporte desse material\u201d, diz Dilene, esperan\u00e7osa de, um dia, ver essa preciosidade num ambiente adequado e de destaque da cidade, como o Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico de Bras\u00edlia, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>Tempos da on\u00e7a&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Quando Bras\u00edlia foi fundada, 1960, ningu\u00e9m queria trocar o conforto de sua morada no Rio de Janeiro por uma cidade \u201conde as on\u00e7as passeavam assustando pessoas\u201d, como ainda contam alguns pioneiros da capital da Rep\u00fablica, hoje com tr\u00eas milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Com o tempo, soube-se que essa hist\u00f3ria de on\u00e7as era um dos argumentos para n\u00e3o deixar a antiga capital, o querido Rio de Janeiro.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2918\" aria-describedby=\"caption-attachment-2918\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2918\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao6-300x269.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao6-300x269.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao6.jpg 655w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2918\" class=\"wp-caption-text\">Carnaval de 1962, W3 Sul: Edir com Dilene, no colo, ao lado de Deise, hoje jornalista e\u00a0Denise, a filha mais velha, ao lado de Ad\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Erguida com ousadia incomum, decis\u00e3o do ent\u00e3o presidente Juscelino Kubitscheck, Bras\u00edlia estava cercada por uma flora e fauna nativas do cerrado no Planalto Central. E era como uma selva que a nova capital era vista, principalmente pelos cariocas, mas de forma ir\u00f4nica. Eles resistiam perder a sede do Governo da Rep\u00fablica para uma nova cidade surgida do nada e cuja popula\u00e7\u00e3o \u201cdividia espa\u00e7o com \u00edndios e animais silvestres\u201d, como diziam os mais cr\u00edticos.\u00a0 Exageros, claro.<\/p>\n<p>Naqueles tempos, Ad\u00e3o trabalhava no Di\u00e1rio Popular, no Rio de Janeiro. Quando veio cobrir a inaugura\u00e7\u00e3o da cidade, em 21 de abril de 1960, foi com o compromisso de retornar em uma semana \u00e0 reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPapai acabou ficando por 46 anos\u201d, conta Dilene. Ele viu que, pr\u00f3ximo do poder da Rep\u00fablica, a reportagem fotogr\u00e1fica seria mais valorizada. E ficou. Al\u00e9m da cidade, Ad\u00e3o trocou tamb\u00e9m de jornal e foi trabalhar no rec\u00e9m fundado Correio Braziliense. Pouco tempos depois, estava na fotografia do Jornal da Tarde, depois no O Estado de S.Paulo, o tradicional Estad\u00e3o, e na Empresa Brasileira de Not\u00edcias\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNo in\u00edcio, moramos em um acampamento. Depois fomos para os primeiros blocos de apartamentos constru\u00eddos na 208 Sul e, depois, para a 406, tamb\u00e9m na Asa Sul\u201d, recorda Dilene.<\/p>\n<p><strong>Uma casa no Cruzeiro<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao7.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-2919\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao7-297x300.jpg\" alt=\"\" width=\"297\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao7-297x300.jpg 297w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao7-70x70.jpg 70w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao7-120x120.jpg 120w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao7.jpg 677w\" sizes=\"auto, (max-width: 297px) 100vw, 297px\" \/><\/a>Israel Pinheiro, prestigiado pol\u00edtico da \u00e9poca, era uma esp\u00e9cie de prefeito de Bras\u00edlia. Ele chamou os jornalistas e falou sobre o novo bairro que surgia, o Cruzeiro, e disse que cada jornalista escolhesse o seu novo espa\u00e7o. Ad\u00e3o ficou com o antiga Quadra 46, atualmente Quadra 12\u201d, lembra Dilene. Na foto, Edir e a tia av\u00f3 Clara, na casa oferecida pelo Governo do Distrito Federal.<\/p>\n<p>Essa era uma forma de o Governo atrair profissionais de diferentes \u00e1reas para Bras\u00edlia. Os jornalistas, em especial, n\u00e3o eram funcion\u00e1rios do governo, e n\u00e3o tinham prioridade nas raras resid\u00eancias que existiam. Da\u00ed o surgimento de bairros, o Cruzeiro, inicialmente, contemplando, tamb\u00e9m, a turma da imprensa.<\/p>\n<p><strong>Parceira<\/strong><\/p>\n<p>Desde pequena, Dilene acompanhava o pai em algumas coberturas para o jornal. \u201cQuer ir comigo, filha? Indagava Ad\u00e3o. A resposta era positiva e a dupla se mandava para mais uma miss\u00e3o fotojornal\u00edstica.<\/p>\n<p>Foi assim que Dilene, ent\u00e3o com 25 anos, acompanhou os \u00faltimos meses de vida p\u00fablica do presidente eleito Tancredo Neves, que \u00e0s v\u00e9speras da posse passou mal, foi internado e morreu pouco tempo depois, em 21 de abril de 1985.<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>\u201cEu carregava a bolsa de equipamentos de meu pai e entrava com ele nos locais onde estavam autoridades. Foi assim que acompanhei a missa, nas v\u00e9speras da posse de Tancredo Neves\u201d.<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Em 14 de mar\u00e7o de 1985, na missa celebrada na Igreja Dom Bosco, Ad\u00e3o, segundo a filha, tinha a lente de sua m\u00e1quina focada no novo presidente, que seria empossado no dia seguinte. Ad\u00e3o observou que a todo momento Tancredo colocava a m\u00e3o na altura do abd\u00f4men, demonstrando nas fei\u00e7\u00f5es algum desconforto.<\/p>\n<p>\u201cDe fato, Tancredo estava desconfort\u00e1vel. Ao final da missa, a dor aumentou e ele foi para o Hospital de Base. Fui com papai para l\u00e1. Chegamos a tempo de ficarmos na parte de dentro do hospital. Depois, fecharam a porta e n\u00e3o entrava mais ningu\u00e9m. L\u00e1 j\u00e1 estavam muitos ministros com suas esposas, gente famosa pelos corredores, Faf\u00e1 de Bel\u00e9m, madames da sociedade&#8230; Papai registrou tudo aquilo para o jornal\u201d!<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>\u201cEu gostava muito daquele movimento da imprensa, mas n\u00e3o me tornei jornalista, fui para o lado do magist\u00e9rio, sou professora. Mas tenho uma irm\u00e3 jornalista, no Rio de Janeiro\u201d<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O \u00cdndio e o Papa <\/strong><\/p>\n<p>As coberturas de Dilene acompanhando o pai se sucederam. Outra, tamb\u00e9m dolorosa, foi quando cinco marmanjos-assassinos atearam fogo no corpo do \u00edndio Galdino, que dormia numa pra\u00e7a da avenida W3 Sul. Era a madrugada de 20 de abril de 1997, um ato de crueldade que chocou a cidade. A morte de Galdino esfriou os festejos de 21 de abril, quando se comemorou 37 anos de funda\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia. Ad\u00e3o cobriu esse triste evento e Dilene estava com ele.<\/p>\n<p>Em outro evento, dessa vez festivo, que Dilene acompanhou o pai foi em 30 de junho de 1980, na primeira visita de um Papa ao Brasil, um feito hist\u00f3rico protagonizado por Jo\u00e3o Paulo II. Logo depois que desceu do avi\u00e3o ele se ajoelhou e beijo o solo brasileiro. Ad\u00e3o registrou esse momento e outros, tamb\u00e9m importantes, se seguiram.<\/p>\n<p><strong>Censura<\/strong><\/p>\n<p>Pela lideran\u00e7a que exercia, Ad\u00e3o chegou \u00e0 presid\u00eancia do Comit\u00ea de Imprensa do Pal\u00e1cio. O general-presidente de plant\u00e3o era Jo\u00e3o Baptista de Oliveira Figueiredo (1918 \u2013 1981), que assumiu a presid\u00eancia sem o voto popular. Apesar de se mostrar \u201camigo\u201d dos jornalistas, esse ditador gostava \u201cmais de cavalos do que do povo\u201d, como chegou a revelar.<\/p>\n<p>Certa ocasi\u00e3o, os jornalistas ganharam novas e confort\u00e1veis depend\u00eancias no Pal\u00e1cio do Planalto. Os fot\u00f3grafos contribu\u00edram com a amplia\u00e7\u00e3o de algumas de suas melhores fotos para decorar o ambiente. A sala foi inaugurada pelo ent\u00e3o vice-presidente, o mineiro Aureliano Chaves.<\/p>\n<p>Entre as imagens estava uma que mostrava um momento de descontra\u00e7\u00e3o de Figueiredo e do general Pinochet, por ocasi\u00e3o da visita presidencial brasileira ao Chile.\u00a0 Pinochet comandou uma das mais cru\u00e9is ditaduras sul-americanas, prendeu, torturou e matou milhares de chilenos entre 1973 e 1990.<\/p>\n<p>Fl\u00e1vio Sapha, que era o assessor de imprensa do governo brasileiro, n\u00e3o gostou daquela foto que decorava o novo ambiente dos jornalistas e determinou que fosse retirada. Naquele dia, ao descer a rampa interna do Pal\u00e1cio do Planalto, Figueiredo se deparou com um corredor de fot\u00f3grafos, todos com os bra\u00e7os cruzados, e seus equipamentos no ch\u00e3o. Era o protesto pelo ato de censura do assessor presidencial.<\/p>\n<p>Em pouco instantes, o chefe do Gabinete Militar, Danilo Venturini, determinou que a foto retornasse \u00e0 decora\u00e7\u00e3o original. Ad\u00e3o Nascimento estava nesse protesto e contou essa passagem para a filha Dilene.<\/p>\n<p><strong>O preferido<\/strong><\/p>\n<p>O ex-presidente Fernando Collor de Mello, que governou por dois anos, 1990 a 1992, pois foi cassado acusado de corru\u00e7\u00e3o, era um homem arrojado, gostava de desafios e mostrava-se imbat\u00edvel. Gostava, tamb\u00e9m, do estilo de imagens feitas por Ad\u00e3o Nascimento (foto).<\/p>\n<p>Certa feita, Collor reprovou as fotografias feitas pelo ent\u00e3o fot\u00f3grafo oficial da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, quando voava num avi\u00e3o Tucano da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira. \u00a0\u00a0\u00a0Em novo convite, dessa vez para voar num ca\u00e7a supers\u00f4nico F-5 da FAB, Collor n\u00e3o teve d\u00favidas, chamou Ad\u00e3o para preparar o equipamento que o fotografaria na arrojada aventura e que precisava ser fixado \u00e0 sua frente, ou seja, na parte posterior da poltrona do piloto.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao8.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-2920\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao8-300x160.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"160\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao8-300x160.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao8-310x165.jpg 310w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao8.jpg 343w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O resultado foi excelente, os cliques fotogr\u00e1ficos funcionaram como o presidente exigira. Posteriormente, os filmes foram revelados nos laborat\u00f3rios da Fuji, em S\u00e3o Paulo (foto ao lado), aumentando a qualidade do produto final.<\/p>\n<p>O exigente Collor disse que as fotos eram \u201caceit\u00e1veis\u201d, mas o prest\u00edgio de Ad\u00e3o junto presidente cresceu muito.<\/p>\n<p><strong>Resumo de uma jornada<\/strong><\/p>\n<p>Ad\u00e3o trabalhou nas revistas Manchete, Tr\u00eas Tempos, Cerrado, Fatos Brasil-Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>E nos jornais Di\u00e1rio da Noite, O Jornal, Jornal dos Sports, Correio Braziliense, DC Bras\u00edlia, United Press International, o Estado de S\u00e3o Paulo e Jornal da Tarde.<\/p>\n<p>Ad\u00e3o foi editor de Fotografia da Empresa Brasileira de Not\u00edcias (EBN), Secret\u00e1rio de Fotografia da Empresa Brasileira de Comunica\u00e7\u00e3o (Radiobr\u00e1s) e editor de Fotografia do Jornal do Senado.<\/p>\n<p>Ao longo de sua carreira, Ad\u00e3o Nascimento foi distinguido com as seguintes honrarias: Medalha do M\u00e9rito Jornal\u00edstico, Medalha de Prata da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional dos jornalistas, em concurso realizado em Bagd\u00e1, em 1987; segundo colocado em concurso fotogr\u00e1fico realizado em Berlim, por ocasi\u00e3o das comemora\u00e7\u00f5es dos 750 anos da cidade, onde participaram 600 fotojornalistas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao9.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-2921\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao9-242x300.jpg\" alt=\"\" width=\"242\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao9-242x300.jpg 242w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/adao9.jpg 538w\" sizes=\"auto, (max-width: 242px) 100vw, 242px\" \/><\/a>Finalmente, Ad\u00e3o Nascimento (foto) promoveu tr\u00eas exposi\u00e7\u00f5es, cujas imagens ainda est\u00e3o no Rio de janeiro:<\/p>\n<ol>\n<li>O Brasil em tr\u00eas tempos \u2013 Document\u00e1rio fotogr\u00e1fico das cidades de Porto Seguro, Ouro Preto e Bas\u00edlia;<\/li>\n<li>Bras\u00edlia Jubileu de Prata \u2013 Ensaio fotogr\u00e1fico da cidade de Bras\u00edlia, ao completar 25 anos.<\/li>\n<li>Cerrado \u2013 Fauna e Flora \u2013 Document\u00e1rio fotogr\u00e1fico da fauna e flora do Planalto Central.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Depoimento<\/strong><\/p>\n<p>Em 14 de abril de 2000, pouco antes de se aposentar, Ad\u00e3o Nascimento escreveu um depoimento, que est\u00e1 no acervo agora protegido pela filha Dilene. Entre outras revela\u00e7\u00f5es, Ad\u00e3o escreveu:<\/p>\n<p>\u201c<em>O meu primeiro contato com a m\u00e1quina fotogr\u00e1fica aconteceu quando eu tinha dez anos de idade. Um namorado de minha tia, ao conhecer nossa fam\u00edlia, levou a m\u00e1quina fotogr\u00e1fica para tirar algumas fotografias, coube a mim, depois de receber algumas explica\u00e7\u00f5es registrar aquele momento. <\/em><\/p>\n<p><em>O resultado foi bom. Fiquei entusiasmado, e a partir daquele dia nunca mais abandonei a fotografia. Passei a me interessar cada vez mais pelo assunto. Comprava livros, visitava exposi\u00e7\u00f5es e lojas de materiais fotogr\u00e1ficos e ficava horas diante das vitrines olhando os equipamentos que n\u00e3o podia comprar.<\/em><\/p>\n<p><em>Aos 12 comecei a trabalhar numa casa de fotografias e aos 14 em um grande laborat\u00f3rio fotogr\u00e1fico no Rio de Janeiro. At\u00e9 os 22 anos trabalhei em v\u00e1rios studios e laborat\u00f3rios fotogr\u00e1ficos, entrando em seguida para a \u00e1rea de jornalismo onde estou h\u00e1 43 anos. Passei por todas as editorias de jornalismo: Pol\u00edcia, Esportes, Cultura, Pol\u00edtica etc. <\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 &#8230;..<\/em><\/p>\n<p><em>Apesar de todos esses anos no jornalismo, o meu gosto pela fotografia-arte sempre foi mais forte. Sou rep\u00f3rter fotogr\u00e1fico porque sou fot\u00f3grafo. Procuro transformar o gesto de apertar o bot\u00e3o numa arte. Sempre dou mais \u00eanfase ao meu lado de artista. <\/em><\/p>\n<p><em>O redator faz a hist\u00f3ria, o fot\u00f3grafo retrata o fato. Um trabalho jornal\u00edstico sobre um fato exige muitas palavras, a foto apenas um click. A hist\u00f3ria pode ser contada e pesquisada, a foto \u00e9 o momento exato<\/em><em>\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>Apoio<\/strong><\/p>\n<p>Ouvir as hist\u00f3rias de Dilene sobre o seu pai Ad\u00e3o foi um grande prazer. Al\u00e9m de revelar fatos in\u00e9ditos de um fot\u00f3grafo profissional na rotina de Bras\u00edlia logo nos seus primeiros anos e os bastidores da imprensa e de sua rela\u00e7\u00e3o com o Poder, a entrevista dessa brasiliense mostra como muitas hist\u00f3rias da jovem Bras\u00edlia ainda est\u00e3o escondidas e devem ser contadas.<\/p>\n<p>\u00c9 nessa busca que a equipe do <em>Mem\u00f3ria da Cultura e do Esporte em Bras\u00edlia<\/em>, trabalha, para que surjam, cada vez mais, personagens daquele tempo.<\/p>\n<p>Obrigado, Dilene.<\/p>\n<p>E tenha a certeza de que nos associamos, tamb\u00e9m, \u00e0s suas pretens\u00f5es de trazer para Bras\u00edlia todo o valioso acervo fotogr\u00e1fico constru\u00eddo por seu pai, Ad\u00e3o Nascimento.<\/p>\n<p>Nesse sentido, tamb\u00e9m vamos conversar com autoridades locais da \u00e1rea de pesquisa e preserva\u00e7\u00e3o de fatos hist\u00f3ricos de Brasilila, que possam contribuir para que seja concretizada a sua proposta de transportar do Rio de Janeiro para Bras\u00edlia, o acervo que l\u00e1 ainda est\u00e1 guardado para que aqui enrique\u00e7a o document\u00e1rio de imagens de Bras\u00edlia nas suas origens.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0H\u00e9lio Tremendani e Jos\u00e9 Cruz Tristemente, o fot\u00f3grafo carioca Ad\u00e3o Leal do Nascimento n\u00e3o est\u00e1 mais entre n\u00f3s. Ele foi um daqueles profissionais que fotografou intensamente momentos hist\u00f3ricos da Rep\u00fablica, desde a inaugura\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, em 21 de abril de 1960, com suas imagens publicadas em v\u00e1rios jornais onde atuou. \u00c9 de Ad\u00e3o Nascimento o &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2912","post","type-post","status-publish","format-standard","","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2912","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2912"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2912\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2925,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2912\/revisions\/2925"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2912"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2912"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2912"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}