{"id":2897,"date":"2024-11-10T21:05:32","date_gmt":"2024-11-11T00:05:32","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/?p=2897"},"modified":"2024-11-10T21:05:32","modified_gmt":"2024-11-11T00:05:32","slug":"o-legitimo-berco-musical-de-brasilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/2024\/11\/10\/o-legitimo-berco-musical-de-brasilia\/","title":{"rendered":"O leg\u00edtimo ber\u00e7o musical de Bras\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p>Por H\u00e9lio Tremendani e Jos\u00e9 Cruz<\/p>\n<p>A cada novo depoimento para se construir a mem\u00f3ria da cultura e do esporte em Bras\u00edlia, fica clara a import\u00e2ncia pioneira da regi\u00e3o do Cruzeiro \u2013 antiga Gavi\u00e3o \u2013 nesse contexto. E, o mais interessante, a cultura art\u00edstica-musical que nesse bairro se desenvolve at\u00e9 hoje tem origens, tamb\u00e9m, na capela e na Lira Infantil do Cruzeiro, que ali conviviam em m\u00fatua colabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><em><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-2898\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson1-300x225.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson1.jpg 721w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O pioneiro Robson Oliveira Silva (foto), 66 anos, em Bras\u00edlia desde 1964, ajuda a recuperar mais um cap\u00edtulo dessa hist\u00f3ria. Vindo do Maranh\u00e3o, foi morar com a fam\u00edlia \u2013 pais e dez irm\u00e3os \u2013 em Taguatinga, mas pouco tempo depois a turma se mudou para o Cruzeiro<\/em><\/strong><em>.<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Carinho<\/strong><\/p>\n<p>Robson herdou da m\u00e3e, Raimunda, o carinho pelo bairro. Ela era uma das lideran\u00e7as da Par\u00f3quia Nossa Senhora das Dores, no Cruzeiro Velho, e organizadora de visitas anuais \u00e0 Bas\u00edlica de Nossa Senhora Aparecida, interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Enquanto isso, Robson, ainda garoto, integrava a Banda Bras\u00edlia, conhecida como \u201cLira Infantil do Cruzeiro\u201d, criada em 1966 pelo coronel Ant\u00f4nio de Jesus e maestro Zuza que, mais tarde, viria a ser o l\u00edder da prestigiada Banda do Sol. A \u201cLira infantil\u201d, chegou a ter 60 integrantes e fazia a abertura do desfile militar de 7 de setembro.<\/p>\n<p><strong><em>\u201cMaestro Zuza (foto), com apoio do coronel Jesus, incentivava a garotada para aulas de m\u00fasica, onde cada um aprendia um instrumento\u201d, conta Robson, que aprendeu a tocar tuba<\/em><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2899\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson2.jpg\" alt=\"\" width=\"555\" height=\"235\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson2.jpg 555w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson2-300x127.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 555px) 100vw, 555px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>A era do rock<\/strong><\/p>\n<p>Bras\u00edlia ainda estava em constru\u00e7\u00e3o e fam\u00edlias chegavam diariamente de todos os estados para suprir a diversidade da m\u00e3o de obra na nova capital.<\/p>\n<p>Como se sabe, havia falta de espa\u00e7os de lazer e a juventude come\u00e7ava a viver a era do rock. Os jovens j\u00e1 frequentavam a Universidade de Bras\u00edlia, um dos ber\u00e7os da cultura brasiliense e a criatividade surgia, como na m\u00fasica e artes c\u00eanicas, principalmente.<\/p>\n<p>\u201cNessa \u00e9poca, eu tinha v\u00ednculo com o padre Alfredo, um americano que me incentivou a organizar uma rua de arte e lazer na frente da Igreja Nossa Senhora das Dores, onde ele era p\u00e1roco. Topei a parada e como trabalhava na R\u00e1dio Planalto, eu ia no Correio Braziliense, pr\u00e9dio pr\u00f3ximo, pegar restos de papel jornal que n\u00e3o eram usados na impress\u00e3o di\u00e1ria. Mais uns pinc\u00e9is e tinta guache era o suficiente para a nossa rua de arte e lazer\u201d, conta Robson sobre aqueles tempos em que a criatividade era fundamental.<\/p>\n<p><strong>Show de m\u00fasica<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_2900\" aria-describedby=\"caption-attachment-2900\" style=\"width: 292px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2900\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson3.jpg\" alt=\"\" width=\"292\" height=\"511\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson3.jpg 292w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson3-171x300.jpg 171w\" sizes=\"auto, (max-width: 292px) 100vw, 292px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2900\" class=\"wp-caption-text\">Renato Russo, em 1981, na frente\u00a0da Igreja Nossa Senhora da Dores<\/figcaption><\/figure>\n<p>As pinturas na frente da Igreja evolu\u00edram, a Lira Infantil arregimentava mais e mais componentes e da\u00ed surgiu a ideia de um show de m\u00fasica ao ar livre. \u201cA ideia saiu da cabe\u00e7a de dois camaradas, Moraes e Djalmir Assis\u201d lembra Robson. Foi assim que surgiu o movimento Galeria Cruzeiro-Eixo, mais tarde Concerto Canta Gavi\u00e3o.<\/p>\n<p>Padre Alfredo adorava as ideias dos jovens e dava o suporte para avan\u00e7ar nos projetos. Era um padre meio roqueiro, gostava do som, e liberava a energia da igreja para ligar os equipamentos. Nessa \u00e9poca, a Aruc j\u00e1 existia e a manifesta\u00e7\u00e3o musical no Cruzeiro crescia e crescia. Nessa proposta de levar o rock para a frente da Igreja, tocaram bandas, cantores e compositores que se tornariam destaques nacionais. Por exemplo, Aborto El\u00e9trico, de Renato Russo e Felipe, hoje baterista do Capital Inicial, Detrito Federal, P\u00f4r do Sol, Sepultura Rock, do Cruzeiro, Leal Carvalho, Ney Valen\u00e7a,etc&#8230;<\/p>\n<p><strong>Apoio<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA turma jogava junto, cada um levava uma caixa de som, uma bateria, um equipamento. Todos cooperavam, era um movimento espont\u00e2neo, bonito de se ver. Assim como, a importante participa\u00e7\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o do Jos\u00e9 Cesar, Tomaz, Ismael Cesar, Bebe, Jo\u00e3o do Faces do Caos, Claudelis e muitos outros moradores que se juntaram ao movimento\u201d, conta Robson.<\/p>\n<p>Observa-se nessa fase de uma Bras\u00edlia sem alternativas de lazer a import\u00e2ncia do espa\u00e7o f\u00edsico na frente de uma igreja, o incentivo do p\u00e1roco em abrir espa\u00e7os para a juventude, a Lira Infantil iniciando os jovens na arte musical que, logo, revelaram-se capazes de produzir \u201csom\u201d, m\u00fasica que se espalhou Brasil afora; tudo isso pr\u00f3ximo de uma institui\u00e7\u00e3o que j\u00e1 existia, a Aruc, hist\u00f3rico reduto do samba, formadora de sambistas e de uma bateria que se tornaram multicampe\u00f5es do Carnaval de Bras\u00edlia. E, claro, tudo isso apoiado por uma comunidade majoritariamente vinda do Rio de Janeiro, com sua alegria e paix\u00e3o pelo samba.<\/p>\n<p><strong>Reduto da m\u00fasica<\/strong><\/p>\n<p>Essas iniciativas e sequ\u00eancia permitem concluir que desde o in\u00edcio de Bras\u00edlia o bairro Cruzeiro era reduto da m\u00fasica, da qual C\u00e1ssia Eller e Alexandre Carlo, da ex-banda Natirrutis se tornaram refer\u00eancias nacionais.<\/p>\n<p><strong><em><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-2901\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson4.jpg\" alt=\"\" width=\"192\" height=\"193\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson4.jpg 192w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson4-150x150.jpg 150w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson4-70x70.jpg 70w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson4-120x120.jpg 120w\" sizes=\"auto, (max-width: 192px) 100vw, 192px\" \/><\/a>Com esses elementos, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas em afirmar que, assim como o espa\u00e7o livre na \u00e1rea t\u00e9rrea dos blocos residenciais de Bras\u00edlia foram importantes para reunir garotos, seus viol\u00f5es e suas ideias, at\u00e9 tornar a Capital refer\u00eancia no rock, o bairro do Cruzeiro e o tradicional espa\u00e7o-sede da Aruc s\u00e3o ber\u00e7os do samba e da MPB surgidos com Bras\u00edlia. <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Com o passar do tempo os espa\u00e7os se ampliaram, ganharam o Plano Piloto e as regi\u00f5es administrativas. Mas o ponto de partida do som mais remoto est\u00e1 l\u00e1 atr\u00e1s, quando garotos aprendiam em bandinhas, recebiam guitarristas que dialogavam com o padre da par\u00f3quia e tinham, ent\u00e3o, o lazer que buscavam. Lazer praticado pela cultura musical, no bairro do Cruzeiro.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Chegando \u00e0 Aruc<\/strong><\/p>\n<p>Voltando \u00e0 narrativa de Robson, ele conta que o seu v\u00ednculo com a Aruc come\u00e7ou quando ingressou no Conselho de Representantes dos Moradores do Cruzeiro. Sua atua\u00e7\u00e3o na entidade evoluiu, com v\u00ednculo at\u00e9 hoje, quando ocupa o cargo de Presidente da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1981, o carioca e pioneiro de Bras\u00edlia, H\u00e9lio Tremendani, presidia a Aruc. A dificuldade para captar recursos era grande. Certo dia, H\u00e9lio viu aquela movimenta\u00e7\u00e3o de garotos e instrumentos musicais em frente \u00e0 par\u00f3quia e parou para ver o show. \u201cEle gostou do que viu e me convidou para assumir o departamento Cultural da Aruc\u201d, conta Robson. \u201cFoi quando H\u00e9lio acrescentou a palavra \u201ccultura\u201d no registro da Aruc e criou-se um Departamento Cultural para a entidade. Tamb\u00e9m passamos a ter um CNPJ, indispens\u00e1vel para captar recursos e a\u00ed se criou um movimento Cruzeiro-Eixo, isso \u00e9, juntando a turma musical daqui com a de l\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cA\u00ed veio a Rua de Arte e o Concerto Canta Gavi\u00e3o, mais planejado, mais organizado e com o apoio da Funda\u00e7\u00e3o Cultural do DF\u201d, conta Robson.<\/p>\n<p>A entrada de Robson na diretoria da Aruc refor\u00e7ou a proposta para abrir o Barrac\u00e3o do Samba \u00e1 comunidade, para cursos de dan\u00e7a, de m\u00fasica, independentemente do Carnaval. \u201cAssumi para fortalecer o elo entre a comunidade e a Aruc\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Espa\u00e7o na Aruc<\/strong><\/p>\n<p>O melhor nessas iniciativas \u00e9 que as atividades desenvolvidas em frente \u00e0 igreja vieram para a Aruc, fortalecendo a institui\u00e7\u00e3o e dando cobertura \u00e0s iniciativas culturais que surgiam. Nessa ocasi\u00e3o, tamb\u00e9m foi feita uma pesquisa para identificar quem foram os primeiros moradores, as origens do bairro, quando, enfim, esse espa\u00e7o come\u00e7ou a ser ocupado. Chegaram a 30 de novembro como a data de cria\u00e7\u00e3o do bairro.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_2902\" aria-describedby=\"caption-attachment-2902\" style=\"width: 765px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2902\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson5.jpg\" alt=\"\" width=\"765\" height=\"516\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson5.jpg 765w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson5-300x202.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson5-110x75.jpg 110w\" sizes=\"auto, (max-width: 765px) 100vw, 765px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2902\" class=\"wp-caption-text\">Concerto Canta Gavi\u00e3o, quadra da Aruc, 1989<\/figcaption><\/figure>\n<p>A for\u00e7a dos movimentos de rua associados \u00e0 estrutura da Aruc culminou com a ades\u00e3o da Viplan, empresa de \u00f4nibus, que passou a ser parceira as iniciativas culturais e apoio do Sesc-DF.<\/p>\n<p>\u201cTudo come\u00e7ou quando nos tornamos bairro do Plano Piloto. Procuramos o dono da Viplan que nos atendeu: al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o da passagem nos concedeu um patroc\u00ednio. Foi o primeiro patroc\u00ednio privado que tivemos\u201d, disse Robson.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-2903\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson6.jpg\" alt=\"\" width=\"288\" height=\"183\" \/><\/a>Com esse apoio, surgiram nomes que se destacavam no cen\u00e1rio nacional, como C\u00e1ssia Eller, cuja m\u00e3e, Nancy, mora at\u00e9 hoje no Cuzeiro, Renato Russo, Gerson Montenegro&#8230; Foi quando surgiu o movimento \u201cCanta Gavi\u00e3o\u201d, primeiro nome do Cruzeiro, em refer\u00eancia a essa ave que habitava a regi\u00e3o. A foto ao lado foi um show do Canta Gavi\u00e3o no Cruzeiro Novo, nos anos 1990.<\/p>\n<p><strong>Bons tempos<\/strong><\/p>\n<p>\u201cMeu pai, Djalma, e minha m\u00e3e, Raimunda (foto abaixo), com seus dez filhos, vieram em 1964 para o Cruzeiro. Eu e meus irm\u00e3os fomos criados aqui no bairro. Estudamos e crescemos, cada um pegou o seu rumo. Da fam\u00edlia, eu e minha m\u00e3e fomos os que mais se envolveram com o bairro. Minha m\u00e3e, que vestia a camisa da Aruc, morreu em 2022, tinha 97 anos. E tem muitas fam\u00edlias com essa hist\u00f3ria aqui no bairro, que vive com esse esp\u00edrito comunit\u00e1rio\u201d, conta Robson, num tom de saudosismo, mas orgulhoso dessa viv\u00eancia e de trabalho pelo hist\u00f3rico Cruzeiro que continua ainda hoje, quando ele \u201cest\u00e1\u201d \u2013 como diz \u2013 presidente da Aruc.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson7.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-2904 size-medium\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson7-260x300.jpg\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson7-260x300.jpg 260w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson7.jpg 553w\" sizes=\"auto, (max-width: 260px) 100vw, 260px\" \/><\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_2905\" aria-describedby=\"caption-attachment-2905\" style=\"width: 291px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson8.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2905\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson8-291x300.jpg\" alt=\"\" width=\"291\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson8-291x300.jpg 291w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson8.jpg 662w\" sizes=\"auto, (max-width: 291px) 100vw, 291px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2905\" class=\"wp-caption-text\">Ber\u00ea Bahia, Vladmir Carvalho e Maria do\u00a0Ros\u00e1rio Caetano em debate no Cine Clube Gavi\u00e3o Aruc, em 2019<\/figcaption><\/figure>\n<p>A ideia \u00e9 ocupar mais o barrac\u00e3o do samba, com dan\u00e7a e com m\u00fasica, independentemente do Carnaval. Robson quer, tamb\u00e9m, fazer crescer o elo entre a Aruc e a comunidade e voltar aos tempos em que o bairro era, tamb\u00e9m, uma resist\u00eancia pelas boas causas. Isso j\u00e1 ocorreu nos anos 1990, quando o Movimento em Defesa da Cultura Candanga (Cuca) atuava com a Aruc com nomes importantes das artes e da imprensa local, como Maria do Ros\u00e1rio Caetano, Tet\u00ea Catal\u00e3, o poeta Ezio Pires, Omar Abud, a pesquisadora de cinema Ber\u00ea Bahia, o cineasta Vladimir Carvalho, que recentemente nos deixou, enfim.<\/p>\n<p>\u201cCom esse pessoal, criamos o Cine Clube Gavi\u00e3o, uma vertente do Departamento Cultural. Nossa rela\u00e7\u00e3o com a imprensa era t\u00e3o forte que t\u00ednhamos a Ala dos Jornalistas na Escola de Samba da Aruc, que desfilava anualmente, liderada pelo Moa (Moacir Oliveira, ex-presidente da Aruc) e a turma do Pacot\u00e3o\u201d, conta o tamb\u00e9m jornalista Robson Silva.<strong><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Lideran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>O esp\u00edrito comunit\u00e1rio e de lideran\u00e7a da Aruc foi exercido h\u00e1 alguns anos, quando apareceu uma conversa para derrubar \u00e1rvores de um bosque, perto da Igreja Presbiteriana. O argumento \u00e9 que estavam velhas e poderiam cair.<\/p>\n<p>\u201cNa<a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson9.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-2906\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson9-205x300.jpg\" alt=\"\" width=\"205\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson9-205x300.jpg 205w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/robson9.jpg 292w\" sizes=\"auto, (max-width: 205px) 100vw, 205px\" \/><\/a> verdade, a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria queria construir uma escola infantil, particular, ali naquele espa\u00e7o. Trouxemos professores da Unb que comprovaram que as \u00e1rvores n\u00e3o eram velhas. De fato, elas nunca ca\u00edram, est\u00e3o l\u00e1 at\u00e9 hoje e o bosque continua fazendo parte da nossa comunidade\u201d, conta Robson.<\/p>\n<p>\u201cA Aruc \u00e9, at\u00e9 hoje, o principal n\u00facleo defensor do desenvolvimento do Cruzeiro. Hoje temos a Administra\u00e7\u00e3o do bairro, mas naquela \u00e9poca a rapaziada estava aqui dentro, jogava futebol, ia para as apresenta\u00e7\u00f5es do rock, para as rodas de samba. Era uma \u00e9poca em que o bairro desfilava na Aruc\u201d. Al\u00e9m de uma associa\u00e7\u00e3o club\u00edstica, somos um n\u00facleo de resist\u00eancia. A hist\u00f3ria jamais ser\u00e1 contada sem a import\u00e2ncia que a Aruc teve, tem e ter\u00e1 para este bairro. \u00c9 uma institui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica\u201d, repete Robson. E concluiu:<\/p>\n<p><strong><em>O Barrac\u00e3o da Aruc em dia de samba\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u201cO Cruzeiro \u00e9 o bairro mais bairro de Bras\u00edlia. \u00c9 um bairro comunit\u00e1rio, de pedir ovo emprestado para o vizinho. V\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es que aqui se criaram daqui nunca sa\u00edram\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por H\u00e9lio Tremendani e Jos\u00e9 Cruz A cada novo depoimento para se construir a mem\u00f3ria da cultura e do esporte em Bras\u00edlia, fica clara a import\u00e2ncia pioneira da regi\u00e3o do Cruzeiro \u2013 antiga Gavi\u00e3o \u2013 nesse contexto. E, o mais interessante, a cultura art\u00edstica-musical que nesse bairro se desenvolve at\u00e9 hoje tem origens, tamb\u00e9m, na &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,2,3,6,16,14],"tags":[],"class_list":["post-2897","post","type-post","status-publish","format-standard","","category-colunistas","category-cultura","category-destaque","category-entrevistas","category-helio-tremendani","category-jose-cruz"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2897","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2897"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2897\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2909,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2897\/revisions\/2909"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2897"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2897"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}