{"id":2794,"date":"2024-10-20T18:28:18","date_gmt":"2024-10-20T21:28:18","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/?p=2794"},"modified":"2024-10-20T18:39:12","modified_gmt":"2024-10-20T21:39:12","slug":"os-63-anos-da-aruc-na-visao-de-um-cruzeirense-pioneiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/2024\/10\/20\/os-63-anos-da-aruc-na-visao-de-um-cruzeirense-pioneiro\/","title":{"rendered":"Os 63 anos da ARUC na vis\u00e3o\u00a0de um cruzeirense pioneiro"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por H\u00e9lio Tremendani, em depoimento a Jos\u00e9 Cruz<\/strong><\/p>\n<p><strong><em><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio1-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-2805\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio1-1-300x297.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"297\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio1-1-300x297.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio1-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio1-1-70x70.jpg 70w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio1-1-120x120.jpg 120w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio1-1.jpg 348w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/em><\/strong><strong><em>H\u00e9lio Tremendani chegou em Bras\u00edlia em 1961, quando tinha nove anos. O pai, Jo\u00e3o Mello dos Santos, funcion\u00e1rio da C\u00e2mara dos Deputados, veio transferido do Rio de Janeiro. Era uma \u00e9poca em que milhares de cariocas aqui desembarcavam para que a m\u00e1quina p\u00fablica do governo continuasse a sua rotina na nova Capital brasileira. Depois dos Candangos \u2013 oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o civil que constru\u00edram Bras\u00edlia \u2013 os novos moradores que chegaram tamb\u00e9m foram classificados como \u201cPioneiros\u201d. H\u00e9lio, hoje com 72 anos, o ca\u00e7ula numa fam\u00edlia de oito irm\u00e3os, \u00e9 um desses personagens que viveu e ainda participa da hist\u00f3ria cultural e esportiva da cidade, do Cruzeiro, em especial. <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00c9 dele o depoimento a seguir, um mergulho nesses 63 anos da ARUC, contando sobre momentos emocionantes e marcantes dessa ainda recente hist\u00f3ria da querida institui\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-cultura-esportiva. <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Coisa de adulto<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_2806\" aria-describedby=\"caption-attachment-2806\" style=\"width: 203px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio2-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2806\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio2-1.jpg\" alt=\"\" width=\"203\" height=\"296\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2806\" class=\"wp-caption-text\">Tr\u00eas Irm\u00e3os Tremendani: Mel\u00e3o, Melinho e H\u00e9lio (da esquerda para a direita)<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cEu tinha 11 anos e vivia na casa do Seu Dudu, um vizinho, que era dirigente da ARUC \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro \u2013, que ainda n\u00e3o tinha sede. Ali, eu ouvia falar muito em escola de samba, sem que eu soubesse o que era. Um dia, perguntei pra minha irm\u00e3, Marli, o que era escola de samba. Pra mim, a palavra escola me remetia a estudo, estudar&#8230; mas tinha o samba no meio e aquilo me despertou curiosidade. Marli me respondeu:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o te mete, garoto, isso \u00e9 coisa de adulto&#8230;<\/p>\n<p>Mal podia imaginar que aquele fora para eu ficar distante da escola de samba seria o in\u00edcio de um envolvimento que eu viria a ter com essa institui\u00e7\u00e3o, o samba, que me conquistou e que me enche de alegrias e emo\u00e7\u00f5es, at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p><strong>Falando s\u00e9rio<\/strong><\/p>\n<p>Passados uns dias, Marli se arrependeu por n\u00e3o ter esclarecido minha d\u00favida. Ela voltou atr\u00e1s e veio me explicar:<\/p>\n<p>\u201cGaroto, escola de samba \u00e9 uma reuni\u00e3o de sambistas, gente que dan\u00e7a samba, s\u00e3o grupos que desfilam no Carnaval&#8230;<\/p>\n<p>\u201cA\u00ed entendi que aquela conversa toda que eu ouvia na casa do Seu Dudu era para fundar justamente uma escola de samba no bairro onde mor\u00e1vamos, o Gavi\u00e3o, que depois foi rebatizado de Cruzeiro. Foi o meu primeiro aprendizado cultural, digamos assim.<\/p>\n<p><strong>O lado real<\/strong><\/p>\n<p>\u201cNo seu in\u00edcio, Bras\u00edlia era uma cidade completamente diferente do Rio: ainda deserta na imensid\u00e3o do Cerrado, as obras se multiplicavam, mas n\u00e3o se tinha o que fazer nas horas de folga. N\u00e3o havia op\u00e7\u00f5es para o lazer. Tinha o futebol do Cruzeiro do Sul, time do nosso bairro, que foi campe\u00e3o da cidade em 1963. Por\u00e9m, nem todos queriam saber de futebol e o samba estava chegando para ser a op\u00e7\u00e3o que identifica e vincula, ainda hoje, os cariocas, o Cruzeiro e a ARUC.<\/p>\n<p><strong>Enfim, a escola<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio3-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-2807\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio3-1.jpg\" alt=\"\" width=\"358\" height=\"358\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio3-1.jpg 358w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio3-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio3-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio3-1-70x70.jpg 70w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio3-1-120x120.jpg 120w\" sizes=\"auto, (max-width: 358px) 100vw, 358px\" \/><\/a>\u201cFoi nesse ambiente e negocia\u00e7\u00f5es carnavalescas que em 21 de outubro de 1961 a ARUC foi fundada (<em>foto<\/em>). A movimenta\u00e7\u00e3o na casa de Seu Dudu se estendeu, tempos depois, para a minha casa, onde o pessoal se reunia. Meus irm\u00e3os jogavam futebol no Cruzeiro do Sul e o Z\u00e9 Maria, meu cunhado, era o treinador do time juvenil. Era uma grande fam\u00edlia, um entra e sai constante e eu ali, curioso, acompanhando tudo.<\/p>\n<p>\u201cHoje, 63 anos depois, posso afirmar que fui testemunha ocular da gest\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de uma associa\u00e7\u00e3o que surgiu para valorizar e divulgar a cultura e o esporte no nosso bairro. Eu via as discuss\u00f5es desse movimento, minha fam\u00edlia estava envolvida naquele novo momento da Capital, tanto na m\u00fasica quanto no esporte, e para mim tudo era um grande aprendizado.<\/p>\n<p>\u201cNo primeiro desfile da Escola de Samba da ARUC, em 1962, eu ainda era crian\u00e7a e n\u00e3o fui. Naquele ano, o samba-enredo foi \u201cExalta\u00e7\u00e3o a Bras\u00edlia\u201d, autoria de Euclides Neres de Santana.<\/p>\n<p>Antes do Carnaval de 1962, o presidente da Escola de Samba da Portela, Natal da Portela, veio a Bras\u00edlia com a porta-bandeira Vilma Nascimento e o cantor e compositor Candeia.<\/p>\n<p>Foi nesse ambiente que cresci, que comecei a fazer a transi\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia para a adolesc\u00eancia, criando intimidade com as pessoas. Com o tempo, at\u00e9 os adultos passaram a me respeitar mais, a me ouvir&#8230; Era uma gera\u00e7\u00e3o muito bacana nas origens da ARUC, andavam bem-vestidos, palet\u00f3, gravata, tudo dando um aspecto de muita seriedade no que tratavam.<\/p>\n<p><strong>Princ\u00edpios<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong><em>E foi assim, desde o in\u00edcio, a ARUC sempre teve esse v\u00ednculo com a seriedade, como o que \u00e9 correto, com a unidade de seus associados, a confraterniza\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, a competi\u00e7\u00e3o com respeito. Eu que convivi tudo isso, desde aquelas origens, posso afirmar que ao longo dos anos esses princ\u00edpios se fortaleceram e seguem at\u00e9 hoje. D\u00e1 um orgulho muito grande dizer isso, porque foi esse ambiente que ajudou, tamb\u00e9m, a formar o meu car\u00e1ter.<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O compositor<\/strong><\/p>\n<p>O tempo passava, eu crescia e, aos poucos, ia me envolvendo com aqueles personagens do futebol, da escola de samba, da ARUC. Eu estava com 13 anos e lembro do dia em que um dos diretores, o Vanderlei C\u00e9sar Cardoso, pediu para eu ir ao acampamento da construtora, ali mesmo no Cruzeiro, e chamasse o Claudinho, um oper\u00e1rio candango, semianalfabeto, que frequentava um botequim que tinha ao lado da minha casa. Era coisa de cem metros, uma corrida r\u00e1pida e chamei Claudinho.<\/p>\n<p>Na volta, fiquei ouvindo a conversa. Vanderlei mostrou uma revista e falou que faria um desfile baseado naquelas imagens e que o samba-enredo seria &#8216;assim e assado&#8217;. Vanderlei passou a ler a reportagem, apontava para as fotos e Claudinho guardava na mem\u00f3ria. De repente, uma surpresa pra mim: Claudinho come\u00e7ou a cantarolar uma letra enquanto Vanderlei ia escrevendo. Num momento, Claudinho parou e pediu um tempo para pensar mais um pouco. Mas j\u00e1 estava com o samba todo na cabe\u00e7a. \u201cImpress\u00e3o R\u00e9gia\u201d, que ele comp\u00f4s ali na minha frente, acabou se tornando um sucesso no Carnaval seguinte, 1965, quando a ARUC conquistou o seu primeiro t\u00edtulo.<\/p>\n<p>Paraibano, de estatura baixa, Claudinho estava acostumado a compor versos. Ele fazia samba de terreiro, tinha esse dom, e criava verdadeiras obras-primas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2808\" aria-describedby=\"caption-attachment-2808\" style=\"width: 417px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio4-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2808 size-full\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio4-1.jpg\" alt=\"\" width=\"417\" height=\"259\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio4-1.jpg 417w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio4-1-300x186.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 417px) 100vw, 417px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2808\" class=\"wp-caption-text\">A Ala dos Jornaleiros, no desfile do primeiro t\u00edtulo, 1965, com o samba-enredo \u201cImpress\u00e3o R\u00e9gia\u201d<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>O entrosamento<\/strong><\/p>\n<p>Nos ensaios, eu via toda a movimenta\u00e7\u00e3o da Escola e uma coisa me chamava aten\u00e7\u00e3o. Aprendi que o diretor de harmonia \u00e9 o cara que faz a liga\u00e7\u00e3o de todos os segmentos de uma escola de samba e faz o entrosamento de tudo com quem est\u00e1 cantando. O diretor \u00e9 um personagem importante no grupo, e tudo come\u00e7a no ensaio da Escola, quando ele organiza a entrada do mestre-sala, da porta-bandeira, das passistas, tudo ao seu tempo e ao seu comando.<\/p>\n<p><strong>No Barrac\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Esse aprendizado eu tive na longa conviv\u00eancia no Barrac\u00e3o da Escola. N\u00e3o foi em banco escolar nem de faculdade, mas acompanhando, vendo, ouvindo, observando, perguntando&#8230;<\/p>\n<p>Aprendi, tamb\u00e9m, que o diretor geral da Escola usa um apito diferente do convencional, um apito com som mais fino. Quando soava esse apito, era para que o diretor de harmonia se preparasse para a bateria entrar. A\u00ed a emo\u00e7\u00e3o crescia. E era assim, aos poucos, que ele colocava cada segmento, formando o seu conjunto geral. Era fant\u00e1stico acompanhar os ensaios. Fant\u00e1stico!<\/p>\n<p><strong>Futebol e samba<\/strong><\/p>\n<p>Aqui \u00e9 preciso fazer uma correla\u00e7\u00e3o. Eu, ainda jovem, convivia muito com o esporte e ao chegar ao Barrac\u00e3o comecei a fazer uma associa\u00e7\u00e3o com a organiza\u00e7\u00e3o da Escola atrav\u00e9s dos apitos. Ali, quem mandava era o diretor geral, como no futebol, onde eu ouvia a orienta\u00e7\u00e3o do treinador. E isso valia para todas as modalidades esportivas que pratiquei, o futebol, o basquete, o futebol de sal\u00e3o&#8230; No Barrac\u00e3o, eu chegava antes de o ensaio come\u00e7ar para acompanhar todo aquele ritual que precisa de aten\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o. Era bonito ver aquela hierarquia funcionando, tudo ao seu tempo e todos obedecendo ao diretor geral da Escola.<\/p>\n<p>Os ensaios eram perto de casa, o que facilitava eu estar presente e, aos poucos aprendendo. Ainda era crian\u00e7a, n\u00e3o era hora de eu entrar naquela estrutura, mas me agradava ver. E ali estava o in\u00edcio de minha forma\u00e7\u00e3o e o meu envolvimento futuro com a Escola e o Carnaval.<\/p>\n<p><strong>O vexame<\/strong><\/p>\n<p>O tempo passou e chegou o ano de 1974. Eu estava com 22 anos. Fui ao estacionamento do Gin\u00e1sio de Esportes Nilson Nelson acompanhar o desfile da ARUC. Cheguei l\u00e1 de carona com o amigo Nei Pompeu, que tinha um Fusca, mais o Eduardo Siqueira.<\/p>\n<p>Quando a ARUC desfilou, foi uma tristeza. Passou na avenida com meia d\u00fazia de gatos pingados. Tinha t\u00e3o poucos componentes que a Comiss\u00e3o Julgadora desclassificou nossa Escola. O t\u00edtulo ficou com a Acad\u00eamicos da Asa Norte. Decepcionados, pegamos o carro e voltamos pra casa.<\/p>\n<p><strong>A provoca\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>No dia seguinte ao desfile, o bairro do Cruzeiro pegava fogo de tanta discuss\u00e3o, mas j\u00e1 era tarde, o estrago estava na tristeza de todos os cruzeirenses. O presidente na \u00e9poca, quase apanhou em um bar, durante uma discuss\u00e3o acalorada.<\/p>\n<p>Na semana seguinte, eu treinava basquete quando chegou o presidente da Escola campe\u00e3, o Comandante Renan. Ele queria entregar o convite pra festa da vit\u00f3ria \u00e0 diretoria da ARUC. Era uma provoca\u00e7\u00e3o claro, a rivalidade estava no ar.<\/p>\n<p>Vanderlei Cardoso, diretor da ARUC, recebeu o convite e ouviu uma recomenda\u00e7\u00e3o debochada, de que deveriam ir bem-vestidos \u00e0 festa, pois autoridades do Distrito Federal e at\u00e9 embaixadores tinham sido convidados para o baile da vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8211; Isso n\u00e3o vai ficar assim\u201d -, respondeu Vanderlei. \u201cVamos dar o troco. No ano que vem vamos ganhar o Carnaval de Bras\u00edlia\u201d. De fato, o troco veio no ano seguinte, com a ARUC conquistando o t\u00edtulo na Avenida W3.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado seguinte, fui com Nei Pompeu e Eduardo, outro amigo das nossas sa\u00eddas, \u00e0 festa da vit\u00f3ria da Asa Norte. L\u00e1, encontramos dirigentes da ARUC, o Nilton de Oliveira Sabino, Dona Ana, Olcimar, o Vareta&#8230; Naquela roda eles articulavam uma chapa para concorrer na pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o, em abril de 1974. Nilton de Oliveira foi eleito e dirigiu a ARUC por quatro mandatos (1974\/1980).<\/p>\n<p><strong><em>No livro dos 60 anos da ARUC, consta que Sabino foi o \u201crespons\u00e1vel pelo reerguimento da associa\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s a crise de 1974 e por trazer uma nova gera\u00e7\u00e3o de cruzeirenses para a agremia\u00e7\u00e3o. Sabino \u00e9 considerado o maior presidente da hist\u00f3ria da ARUC.<\/em><\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_2809\" aria-describedby=\"caption-attachment-2809\" style=\"width: 477px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio5-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2809 size-full\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio5-1.jpg\" alt=\"\" width=\"477\" height=\"437\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio5-1.jpg 477w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio5-1-300x275.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 477px) 100vw, 477px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2809\" class=\"wp-caption-text\">Gera\u00e7\u00e3o \u201cVolta por Cima\u201d \u2013 1974<br \/>Carlinhos, Esquerdinha, Ney Pompeu, H\u00e9lio Tremendani, Vareta e Zuca; Ivan, Xi, Ner\u00edcio, Non\u00f4, Maur\u00edcio e Milt\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>A grande virada<\/strong><\/p>\n<p>Entre os cruzeirenses influentes, havia um que era uma esp\u00e9cie de \u201cintelectual\u201d do grupo, Roberto Lima de Machado. Manjava de tudo, tinha grandes conhecimentos, era culto, inteligente e tinha uma caracter\u00edstica: nos ensinava o que sabia. Era daqueles caras que dividia o conhecimento. Foi Roberto, ao lado de Sabino, que conduziu a ARUC \u00e0 volta por cima, na conquista do t\u00edtulo de 1975, com o samba-enredo Ra\u00edzes do Nosso Povo.<\/p>\n<blockquote>\n<figure id=\"attachment_2810\" aria-describedby=\"caption-attachment-2810\" style=\"width: 581px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio6-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2810\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio6-1.jpg\" alt=\"\" width=\"581\" height=\"392\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio6-1.jpg 581w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio6-1-300x202.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio6-1-110x75.jpg 110w\" sizes=\"auto, (max-width: 581px) 100vw, 581px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2810\" class=\"wp-caption-text\">Depois da desclassifica\u00e7\u00e3o em 1974, a ARUC faz desfile de gala com volta triunfal na W3, reconquistando o prest\u00edgio e o seu s\u00e9timo t\u00edtulo ao som do samba-enredo Ra\u00edzes do Nosso Povo. Mais de 10 mil pessoas vibraram com a vit\u00f3ria e carregaram o presidente Nilton Sabino, numa comemora\u00e7\u00e3o pela madrugada<\/figcaption><\/figure><\/blockquote>\n<p><strong><em>A<\/em><\/strong><strong>rrremessos<\/strong><\/p>\n<p>Lembro que certa vez Roberto me viu na quadra de basquete arremessando a bola, que insistia n\u00e3o entrar na cesta. Me chamou no alambrado e me ensinou a pegar a bola corretamente, a encaixar na m\u00e3o e a fazer o arremesso. A partir da\u00ed a bola come\u00e7ou a entrar. E, antes de ir embora, me alertou:<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 simples encestar. Tens que treinar. Precisas fazer 100 arremessos por dia e acertar mais da metade pra te tornares um bom cestinha\u201d.<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>\u201cFiquei muito feliz com aquele ensinamento, que n\u00e3o esque\u00e7o. Numa conversa r\u00e1pida, ele me tirou um pesadelo das minhas costas, que j\u00e1 me preocupava\u201d<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>A desventura<\/strong><\/p>\n<p>Esse era o Roberto, amigo, sempre disposto a ajudar, a ensinar. Mas, tristemente, uma trag\u00e9dia o aguardava.<\/p>\n<p>Certo dia, por influ\u00eancia de outro amigo, Jac\u00f3 Mendon\u00e7a, que trabalhava na Aeron\u00e1utica, Roberto conseguiu uma carona a\u00e9rea e viajou para o Rio de Janeiro, sem que a fam\u00edlia soubesse. L\u00e1, numa passada pela praia, ele mergulhou no mar e, tristemente, bateu com a cabe\u00e7a num banco e areia, de forma t\u00e3o forte que o deixou parapl\u00e9gico. Jacob entrou em desespero e nunca se perdoou por ter conseguido aquela passagem para o amigo. Se n\u00e3o tivesse viajado, a trag\u00e9dia n\u00e3o teria ocorrido, imaginava.<\/p>\n<p><strong>Carnavalesco e Patrono<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo em cadeira de rodas, Roberto continuou vinculado \u00e0 ARUC. E foi sob muita press\u00e3o de Sabino, principalmente, que ele aceitou escrever o enredo da Escola de Samba para o desfile de, 1975, que mostrou \u201cRa\u00edzes do Nosso Povo\u201d. No ano seguinte, escreveu \u201cO Nordeste Explode em Festa\u201d. E um dos maiores sambas-enredos da ARUC, cuja primeira estrofe cantava:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Neste Carnaval<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Relembramos o Nordeste brasileiro<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Que explode em festas<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Com o seu festejo fagueiro<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Vamos cantar do Maranh\u00e3o a Bahia <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Esquecendo a nostalgia<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Em del\u00edrio popular&#8230;<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Roberto foi o patrono dos carnavalescos da nossa Associa\u00e7\u00e3o e respons\u00e1vel pelos carnavais de 1975 a 1988. Para isso, montou uma equipe de trabalho respeit\u00e1vel, que tinha a participa\u00e7\u00e3o de Carlos Queiroz, o mais velho do grupo. Nesses 13 anos, Roberto levou a ARUC a dez conquista do t\u00edtulo maior do Carnaval brasiliense.<\/p>\n<p>Nesse inesquec\u00edvel desfile, eu estava na concentra\u00e7\u00e3o, de short e sand\u00e1lia. Roberto me chama, me entrega um papel com anota\u00e7\u00f5es, que nada mais era do que a distribui\u00e7\u00e3o da Escola na avenida.<\/p>\n<p>&#8211; Fique ali e v\u00e1 distribuindo o pessoal por alas, est\u00e1 tudo a\u00ed desenhado&#8230;.<\/p>\n<p>Que fria que eu entrei, nunca tinha feito nada parecido. Mas&#8230; ufa! Saiu tudo certo, desfilamos na W3 Sul, saindo da 512 at\u00e9 o encerramento, na altura da Quadra 508.<\/p>\n<p>Ao final, nos sagramos campe\u00f5es com vit\u00f3ria por um ponto sobre a Asa Norte. Uma multid\u00e3o para a \u00e9poca, mais de dez mil pessoas vibravam na Pra\u00e7a 21 de Abril. \u00a0Era o in\u00edcio de uma nova era para a ARUC.<\/p>\n<p>No ano seguinte, 1976, desfilei na Ala dos Bo\u00eamios, com os amigos do Col\u00e9gio. Mas foi a\u00ed que ficou provado que eu n\u00e3o era carnavalesco dos bambas, eu n\u00e3o levava jeito pra desfilar. Eu dava o meu m\u00e1ximo, mas sempre me cobravam. Embora at\u00e9 hoje eu seja apaixonado por um bom samba, sambar n\u00e3o \u00e9 a minha praia. E, apesar da minha participa\u00e7\u00e3o&#8230;. ganhamos novamente. A Escola estava embalada, n\u00e3o tinha jeito.<\/p>\n<p><strong>Incumb\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Nesse grupo eu era o mais distante do Carnaval e, ent\u00e3o, me deram a incumb\u00eancia de criar o Departamento de Esportes da ARUC, atividade que eu tinha maior identidade e conhecimento. Todo esse movimento estava na proposta de mantado que levou Sabino a conquistar a presid\u00eancia.<\/p>\n<p>Em 1976, Sabino montou uma chapa para a reelei\u00e7\u00e3o e me chamou para ser o seu vice-presidente, no lugar de Seu Dudu, que era vizinho de minha m\u00e3e, Juracy Tremendani dos Santos. Mas num acordo que fizeram, Dudu foi para a Diretoria Administrativa e eu n\u00e3o tive sa\u00edda, aceitei.<\/p>\n<p>At\u00e9 porque, tempos antes ele havia me presenteado com uma reforma no telhado da casa de minha m\u00e3e, eliminando todas as goteiras. Sabino era assim, estava sempre disposto a ajudar os amigos. At\u00e9 fez um mutir\u00e3o para realizar a tal reforma, que ficou \u00f3tima. Nunca mais choveu dentro de casa.<\/p>\n<p><strong>Novos aprendizados<\/strong><\/p>\n<p>A chapa foi eleita e na vice-presid\u00eancia passei a ter mais contatos com as pessoas, visitava as reda\u00e7\u00f5es de jornais e TV para divulgar a ARUC, conheci sobre os bastidores de uma grande agremia\u00e7\u00e3o, enfim.<\/p>\n<p>Eu gostava de ler, h\u00e1bito que mantenho at\u00e9 hoje. Foi quando conheci um projeto da Xerox do Brasil, que editava livros sobre o folclore brasileiro, de leitura r\u00e1pida. Escrevi e ganhei as publica\u00e7\u00f5es. Ua dela, trazia Iemanj\u00e1 na capa e aquela imagem sugeria um enredo para o pr\u00f3ximo Carnaval, envolvendo religiosidade e macumba, tema bom para ser explorado.<\/p>\n<p>O que eu n\u00e3o sabia era que na macumba h\u00e1 v\u00e1rias divis\u00f5es, v\u00e1rios segmentos. Roberto, que preparava o desfile com esse apelo, precisava mudar os rumos a todo instante, pois sempre esbarrava num e em outro argumento das divis\u00f5es. Acabou desistido da ideia. Vieram os carnavais de 1979 e o de 1980 e a ARUC perdeu nos dois desfiles, pois n\u00e3o soubemos explorar bem os temas escolhidos.<\/p>\n<p>Era preciso rever os nossos rumos, j\u00e1 que Sabino n\u00e3o poderia se candidatar. Em meio aos debates, fui a uma peixada na casa de Roberto para discutir \u00e0 mesa sobre os tais rumos. Eu tinha casado h\u00e1 pouco tempo com Albaniza Cristaldo, e dedicava bom tempo \u00e0 minha casa. Mas&#8230; surpresa. Na hora de ir embora, Carlos Alberto Queiroz, o Carlinhos, meu amigo, me chama em particular e comunica que o grupo havia decidido que eu seria o candidato \u00e0 presid\u00eancia na elei\u00e7\u00e3o seguinte. Sem que eu soubesse, j\u00e1 tinham combinado at\u00e9 com Albaniza, de quem tiveram integral apoio&#8230; Fizeram a cabe\u00e7a dela, como reverter a situa\u00e7\u00e3o? Foi assim que cheguei \u00e0 presid\u00eancia da ARUC para a gest\u00e3o de 1980\/1984. Voltaria ao cargo mais duas vezes, em 1988\/1990 e 1994\/1996.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2818\" aria-describedby=\"caption-attachment-2818\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/IMG_20190305_013223_723.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2818 size-medium\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/IMG_20190305_013223_723-300x238.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"238\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/IMG_20190305_013223_723-300x238.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/IMG_20190305_013223_723-768x609.jpg 768w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/IMG_20190305_013223_723.jpg 930w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2818\" class=\"wp-caption-text\">Com minha filha Heloisa, minha irm\u00e3 Iracema e meu filho Vitor<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Interc\u00e2mbio no Rio<\/strong><\/p>\n<p>Logo que assumimos, em 1980, montamos um bom Departamento de Esporte, criamos um baile Soul Music, nos moldes de um que eu havia conhecido em Madureira, no Rio de Janeiro. Segui com as visitas, quando conheci Jorj\u00e3o, que era o Diretor de Bateria da Escola de Samba Uni\u00e3o da Ilha, e o m\u00e9dico, Franco, que era um compositor de m\u00e3o cheia. Nos deram aulas valiosas e sugest\u00f5es que trouxemos para a ARUC.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2811\" aria-describedby=\"caption-attachment-2811\" style=\"width: 567px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio7-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2811 size-full\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio7-1.jpg\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio7-1.jpg 567w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio7-1-300x198.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio7-1-310x205.jpg 310w\" sizes=\"auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2811\" class=\"wp-caption-text\">Comiss\u00e3o de Frente da ARUC na conquista do t\u00edtulo de 1982 \/ Na foto: Seu \u00c1lvaro, Henrique, Hamilton, Paulo, (&#8230;)Neide, Zezinho e Seu Carioca, da Harmonia<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00cdamos muito bem, pois come\u00e7amos a abrir a ARUC para dar mais op\u00e7\u00f5es \u00e0 comunidade. Athaide da Hora, um torcedor do Fluminense doente, me sugeriu um evento, pois poderia levar o pessoal da Beija Flor, que estaria em Bras\u00edlia para um jogo do Tricolor. Foi uma festa muito bacana, com a presen\u00e7a de muita gente.<\/p>\n<p><strong>Movimento Negro <\/strong><\/p>\n<p>Em outra frente, fomos procurados pelo Movimento Negro Unificado de Bras\u00edlia, que n\u00e3o tinha onde se reunir, pois tamb\u00e9m eram perseguidos pela ditadura por se tratar de um movimento de resist\u00eancia. O acordo foi fechado para se reunirem na ARUC e v\u00e1rios componentes deles vieram desfilar conosco, refor\u00e7ando a Escola.<\/p>\n<p>Essas iniciativas eram feitas o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel da comunidade. Houve uma reuni\u00e3o em que at\u00e9 freiras vieram participar e trouxeram propostas de projetos que beneficiassem as crian\u00e7as do Cruzeiro, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>Baile das Bonecas<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio8-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-2812\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio8-1-300x197.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"197\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio8-1-300x197.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio8-1-768x503.jpg 768w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio8-1-310x205.jpg 310w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio8-1.jpg 868w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Com a proposta de uma entidade aberta \u00e0 comunidade, combater o racismo e acolher a diversidade estava no nosso programa. Foi quando Passarito sugeriu a Sabino realizar um Baile das Bonecas, em 1979.<\/p>\n<p>O Miss Gay saiu e foi um sucesso. E eu tive a dimens\u00e3o da import\u00e2ncia daquele baile quando fui com minha mulher ao m\u00e9dico e ele me pediu uma mesa, pois queria estar presente, no que foi atendido, claro. Na foto, as candidatas finalistas com o casal organizador (na parte inferior).<\/p>\n<p>Com essa iniciativa, a primeira do g\u00eanero em Bras\u00edlia, o baile foi um sucesso e dava um g\u00e1s financeiro para as despesas com o Carnaval. Mas, principalmente, colocou a ARUC na vanguarda das quest\u00f5es sociais, at\u00e9 hoje reconhecidas pelas diretorias que se sucederam.<\/p>\n<p><strong>Enfrentando a Pol\u00edcia<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de nossa filosofia de trabalho fosse sempre voltada para a paz, a tranquilidade, a harmonia, enfim, enfrentamos, sim, um desafio que nos levou \u00e0 Pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Um dia, durante uma reuni\u00e3o de diretoria, uma delegada e dois policiais chegaram na ARUC dizendo que o evento de s\u00e1bado pr\u00f3ximo estava suspenso. O motivo da medida: o barulho incomodava os moradores.<\/p>\n<p>Ocorre que perto da ARUC morada o Dr. Pimenta, um delegado de pol\u00edcia que n\u00e3o gostava da nossa entidade. \u00c9 poss\u00edvel que a queixa tenha partido dele, mas n\u00e3o se ficou sabendo sobre isso.<\/p>\n<p>Os policiais que nos visitaram n\u00e3o traziam nenhum documento que oficializasse a medida. Decidi question\u00e1-los e n\u00e3o souberam responder, apenas disseram que era queixa dos vizinhos.<\/p>\n<p>Avisei aos colegas de reuni\u00e3o que eu ia me retirar por uns instantes. E me dirigi \u00e0 Delegacia. Quando passei pelo Cruzeiro Center, encontro o Passarito, que era o presidente da Liga das Escolas de Samba de Bras\u00edlia. Ele ouviu minha narrativa e me disse, indignado:<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea n\u00e3o vai sozinho \u00e0 Delegacia. Eu vou junto. E l\u00e1 fomos falar com o delegado de plant\u00e3o.<\/p>\n<p>Logo na chegada, os policiais tiraram a maior onda e Passarito resolveu bater de frente. Eu entrei na dele e quase apanhamos l\u00e1 dentro, porque o clique esquentou, mesmo!<\/p>\n<p>Passarito viu um telefone e decidiu ligar para um amigo, R\u00f4mulo Marinho, um &#8220;branco com alma de preto&#8221;, dono da Odara, onde alguns dos melhores cantores da cidade se apresentavam. R\u00f4mulo ouviu a hist\u00f3ria de que n\u00e3o queriam deixar a ARUC ensaiar e decidiu ligar para um Desembargador, seu amigo que falou com o delegado e sugeriu que ele fosse procurar bandidos na rua em vez de se preocupar com quem fazia o Carnaval de Bras\u00edlia. Depois daquele epis\u00f3dio, R\u00f4mulo Marinho acabou ingressando na Ala dos Compositores da ARUC.<\/p>\n<p><strong>Respeito<\/strong><\/p>\n<p>Essa atua\u00e7\u00e3o estava no meu programa de mandato, ter uma entidade aberta, onde todos poderiam se manifestar, sem cr\u00edticas ou censuras, mas respeitando as individualidades.<\/p>\n<p><em>Em 1980, tivemos outra iniciativa, passamos a promover um concerto de rua, que tinha entre os participantes, os as bandas Aborto El\u00e9trico, com Renato Russo \u00e0 frente. Os concertos eram nos fins de semana, em frente \u00e0 Igreja Nossa Senhora das Dores, no Cruzeiro Velho. \u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong><em>No mesmo ano, criei o Departamento Cultural e Ismael assumiu e lan\u00e7ou o concerto musical Canta Gavi\u00e3o. Gavi\u00e3o era o nome de origem do nosso bairro, mais tarde substitu\u00eddo por Cruzeiro.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Nosso espa\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 oportuno colocar que nos primeiros anos de Bras\u00edlia, o bairro Cruzeiro n\u00e3o tinha infraestrutura alguma. O mato dominava, n\u00e3o havia ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica e eu pensava, sempre que era preciso dar \u201cvida\u201d ao Cruzeiro, come\u00e7ando por contar a sua hist\u00f3ria, a vinda dos moradores, transferidos do Rio de Janeiro. Para isso, montamos uma equipe que na pesquisa realizada alcan\u00e7ou a data de 30 de novembro de 1959, quando come\u00e7aram a chegar os primeiros moradores.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia desse projeto, foi importante a participa\u00e7\u00e3o e apoio do ex-governador Jos\u00e9 Aparecido. Ele encampou a proposta de dar autonomia ao bairro e criou a Administra\u00e7\u00e3o do Ceruzeiro. Vital Morais foi nomeado o administrador interino, substitu\u00eddo por Ligia Hogen, efetiva.<\/p>\n<p>Com essas mudan\u00e7as, o Cruzeiro passou a ter identidade pr\u00f3pria e, por isso, respeitado, valorizando-se, inclusive, como um dos mais valorizados espa\u00e7os hist\u00f3ricos da nova capital. Claro que sofremos amea\u00e7as, da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, de um lado, e de templos religiosos, de outro. Mas resistimos e nos consolidamos sem ser preciso a ades\u00e3o partid\u00e1ria ou pol\u00edtica, sem trocar voto por dinheiro, por favores. A dignidade da comunidade cruzeirense precisava ser respeitada e exaltada e nesse ponto a ARUC sempre teve participa\u00e7\u00e3o fundamental.<\/p>\n<p><strong>Esporte e preconceito<\/strong><\/p>\n<p>O Departamento de Esporte da ARUC come\u00e7ou em 1974, quando se inaugura a fase de promo\u00e7\u00e3o de torneios. Criei um projeto de escolinhas e passei a filiar as modalidades \u00e0s respectivas federa\u00e7\u00f5es. Isso motivava os alunos, pois passaram a disputar t\u00edtulos nas competi\u00e7\u00f5es oficiais da cidade. Mas, h\u00e1 um cap\u00edtulo triste nessa fase, que aos poucos fomos superando: o preconceito.<\/p>\n<p>Esse preconceito se manifestava mais pele elite dos clubes sociais da cidade, que n\u00e3o aceitavam que uma associa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, como a nossa, fosse mais forte a ponto de ganhar campeonatos locais. Chegamos a ouvir que n\u00e3o era poss\u00edvel o clube X perder o campeonato para os \u201cfavelados da ARUC\u201d&#8230;<\/p>\n<p>Enquanto isso, por termos massificado o esporte na nossa comunidade, nos tornamos uma f\u00e1brica de talentos, com equipes fort\u00edssimas. Assim, ating\u00edamos a dois objetivos dessa iniciativa: enquanto d\u00e1vamos lazer para a garotada nos torn\u00e1vamos uma f\u00e1brica de revela\u00e7\u00f5es de jogadores, o que culminava com a forma\u00e7\u00e3o de equipes fortes e que conquistavam t\u00edtulos.<\/p>\n<p><strong>Nossa filosofia<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade, a ARUC pertence a uma comunidade hist\u00f3rica do Distrito Federal que, no in\u00edcio, l\u00e1 nos anos 1960, era chamada de Bairro do Gavi\u00e3o. Mais tarde \u00e9 que passou a se chamar de Cruzeiro Velho, a fim de diferenciar de outro bairro, o Cruzeiro Novo, mais recente na hist\u00f3ria da Capital.<\/p>\n<p>Neste r\u00e1pido resumo, mostro como eu, que aqui cheguei garoto, vi crescer essa comunidade, orgulho da hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/p>\n<p>\u00c9 natural que na disputa esportiva ou na carnavalesca haja adversidades que \u00e0s vezes s\u00e3o exageradas. Nossa comunidade sempre procurou evitar as provoca\u00e7\u00f5es nesse sentido. Mas com um alerta: nada de provoca\u00e7\u00f5es, mas, tamb\u00e9m, ningu\u00e9m vai correr das agress\u00f5es, nesse caso \u00e9 preciso reagir.<\/p>\n<p>Houve \u00e9poca em procuraram estigmatizar a ARUC com um local violento, que nunca foi, todos sabem. E a imprensa, que sempre nos deu ampla coberturas em todas as nossas iniciativas, est\u00e1 a\u00ed para contar a verdade \u2013 como ainda conta \u2013 e mostrar que nosso espa\u00e7o \u00e9 de promo\u00e7\u00e3o e fortalecimento da cultura, do esporte e dos valores humanos.<\/p>\n<p><strong>Ningu\u00e9m jogou<\/strong><\/p>\n<p>Para ilustrar esse comportamento, lembro do dia em que fomos \u00e0 AABB para um jogo pelo Campeonato de Futebol de Sal\u00e3o, tudo acertado previamente. Quando as equipes chegaram, um jogo de basquete estava sendo disputado. Reclamamos e o dirigente do basquete disse que \u2018isso \u00e9 um problema de voc\u00eas\u00b4. Diante dessa rea\u00e7\u00e3o, as equipes de futebol de sal\u00e3o invadiram a quadra e o impasse estava criado. O presidente da AABB, na \u00e9poca, mandou desligar as luzes do gin\u00e1sio e ningu\u00e9m jogou naquela noite.<\/p>\n<p><strong>Regulariza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Foi na base da resist\u00eancia que alcan\u00e7amos nossas conquistas. A regulariza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea ocupada pela ARUC, inclusive, ocorreu s\u00f3 agora, em 2024, isto \u00e9, 63 anos depois de a agremia\u00e7\u00e3o ter sido criada.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Por\u00e9m, \u00e9 preciso fazer justi\u00e7a, pois o grande articulador para a regulariza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea da ARUC foi do vice-governador Paco Brito, no primeiro governo de Ibaneis (2019 a 2022). Para isso tivemos tr\u00eas reuni\u00f5es, inclusive na casa de Paco Brito. \u201cEu vou ajudar voc\u00eas\u201d, afirmou ele, no primeiro encontro. E assim foi at\u00e9 o dia em que o governador assinou o documento legal nos dando garantia de posse do espa\u00e7o. Agora, estamos revitalizando a \u00e1rea e temos um pr\u00e9-contrato com um empres\u00e1rio para um melhor aproveitamento do espa\u00e7o e, por extens\u00e3o, dos seus associados.<\/p>\n<p><strong>Muito obrigado<\/strong><\/p>\n<p>Estamos completando 63 anos em 21 de outubro. Eu acompanhei essa trajet\u00f3ria desde o in\u00edcio, me envolvi em v\u00e1rios momentos com os prop\u00f3sitos dessa associa\u00e7\u00e3o de bairro, ajudei a conquistar t\u00edtulos, nas quadras esportivas e no asfaltado dos desfiles carnavalescos.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, nada do que a ARUC conquistou nesse tempo foi obras de uma s\u00f3 pessoa, mas de um grupo de abnegados cruzeirenses, que se sucederam nas diretorias, de atletas que vestiram e suaram a camisa, chegando a t\u00edtulos internacionais.<\/p>\n<p><strong>Em resumo &#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Na mem\u00f3ria, foram 31 t\u00edtulos da ARUC conquistados no Carnaval brasiliense.<\/p>\n<p>J\u00e1 no esporte, os nossos destaques s\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>No Handebol masculino \u2013 <\/strong>Bicampe\u00e3o brasileiro de Handebol J\u00fanior, masculino, em 1979 e 1980. Em 1979, o time Juvenil de Handebol tamb\u00e9m ganhou o Campeonato Brasileiro, disputado em Caxias do Sul (RS) e a Copa Mercosul, em Santa Maria, tamb\u00e9m no Rio Grande do sul, em 2005.<\/p>\n<p><strong>No Handebol feminino<\/strong> &#8211; As equipes Master de Handebol, categoria mais 40 anos (foto), sagrou-se campe\u00e3 mundial em 2021, na Cro\u00e1cia. No mesmo evento, o time mais 30 anos da ARUC ganhou a medalha de bronze.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio9-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-2813 size-full\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio9-1.jpg\" alt=\"\" width=\"457\" height=\"317\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio9-1.jpg 457w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio9-1-300x208.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio9-1-110x75.jpg 110w\" sizes=\"auto, (max-width: 457px) 100vw, 457px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>No Futsal masculino \u2013 Campe\u00e3o brasiliense de 1981 (foto)<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio10-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2814\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio10-1.jpg\" alt=\"\" width=\"433\" height=\"321\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio10-1.jpg 433w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/helio10-1-300x222.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 433px) 100vw, 433px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em p\u00e9, da esquerda para a direita<\/strong><em>: Milt\u00e3o, Fitinha,<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mauri\u00e7\u00e3o, assaroto,, Toinha, Pantera, Roberto e <\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vareta (massagista<\/em><strong>) \u2013 Agachados: <\/strong><em>Zequinha, Redi, <\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Hugo, Marc\u00e3o, Lourinho e Ricardo<\/em><\/p>\n<p><strong>No Futsal feminino \u2013 Campe\u00e3o brasiliense de 1990 (foto)<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-20-at-18.15.13.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-2815 size-large\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-20-at-18.15.13-1024x706.jpeg\" alt=\"\" width=\"618\" height=\"426\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-20-at-18.15.13-1024x706.jpeg 1024w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-20-at-18.15.13-300x207.jpeg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-20-at-18.15.13-768x529.jpeg 768w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-20-at-18.15.13-1536x1059.jpeg 1536w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-20-at-18.15.13-110x75.jpeg 110w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-20-at-18.15.13.jpeg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 618px) 100vw, 618px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Em p\u00e9:<\/strong> M\u00e1rio (Organizador do evento), Romualdo, Iara, Ana Lucia Improise Erivanda, Irene, Regina Da Silva Vieira e H\u00e9lio;<br \/>\n<strong>Agachados:<\/strong> V\u00e2nia, Lil\u00eda, Jorge (T\u00e9cnico), Ray, Jane e Monica Gardes.<\/p>\n<p><strong>Na garra<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>S\u00e3o<\/em><\/strong><strong><em> seis d\u00e9cadas de muito trabalho. Em 63 anos, nenhuma hist\u00f3ria dessas se constr\u00f3i de gra\u00e7a. Precisa ser conquistada. E foi isso que fizemos e continuamos fazendo, no dia a dia da ARUC. Na garra! <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>O m\u00e9rito maior dessa trajet\u00f3ria \u00e9 da nossa Comunidade e isso ningu\u00e9m nos tira.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por H\u00e9lio Tremendani, em depoimento a Jos\u00e9 Cruz H\u00e9lio Tremendani chegou em Bras\u00edlia em 1961, quando tinha nove anos. O pai, Jo\u00e3o Mello dos Santos, funcion\u00e1rio da C\u00e2mara dos Deputados, veio transferido do Rio de Janeiro. Era uma \u00e9poca em que milhares de cariocas aqui desembarcavam para que a m\u00e1quina p\u00fablica do governo continuasse a &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2819,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,2,3,6,16,14],"tags":[],"class_list":["post-2794","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-colunistas","category-cultura","category-destaque","category-entrevistas","category-helio-tremendani","category-jose-cruz"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2794","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2794"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2794\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2820,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2794\/revisions\/2820"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2819"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2794"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2794"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2794"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}