{"id":2589,"date":"2024-07-21T17:42:27","date_gmt":"2024-07-21T20:42:27","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/?p=2589"},"modified":"2024-07-24T12:30:46","modified_gmt":"2024-07-24T15:30:46","slug":"waltinho-ferrari-a-fenomenal-carreira-de-um-pioneiro-que-impulsionou-o-automobilismo-do-df","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/2024\/07\/21\/waltinho-ferrari-a-fenomenal-carreira-de-um-pioneiro-que-impulsionou-o-automobilismo-do-df\/","title":{"rendered":"WALTINHO FERRARI:\u00a0A fenomenal carreira de um Pioneiro que impulsionou o automobilismo do DF"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><em>Amigo de Nelson Piquet conta sobre a ousada trajet\u00f3ria do tricampe\u00e3o mundial de F1, desde que come\u00e7ou a trabalhar como mec\u00e2nico, na oficina de Waltinho, en 1972<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<strong>Por<\/strong> <\/em><strong>Jos\u00e9 Cruz<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong><em>O capixaba Waltinho Ferrari, 83 anos, um dos pioneiros de Bras\u00edlia, tem sobrenome da hist\u00f3rica escuderia italiana de F\u00f3rmula 1, cujo s\u00edmbolo \u00e9 um simp\u00e1tico e famoso cavalinho preto.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Faz sentido, pois as origens de Waltinho est\u00e3o naquele pa\u00eds, mais precisamente em G\u00e9nova, onde nasceu o seu pai, Am\u00e9rico Jo\u00e3o Ferrari, casado com Hyrentina Chaves de Menezes. <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Recep\u00e7\u00e3o na Ferrari<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-2590\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal1-291x300.jpg\" alt=\"\" width=\"291\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal1-291x300.jpg 291w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal1.jpg 490w\" sizes=\"auto, (max-width: 291px) 100vw, 291px\" \/><\/a>Coincid\u00eancia ou n\u00e3o, Waltinho teve o seu sobrenome vinculado \u00e0 velocidade ao longo de sua vida. E at\u00e9 visitou a f\u00e1brica da tradicional marca, em Maranello, onde foi recebido como um leg\u00edtimo \u201cFerrari\u201d.<\/p>\n<p>Naquela visita, foi identificado com um crach\u00e1, onde se destacava o seu sobrenome. Resultado: \u201cTive acesso totalmente liberado a todos os setores da empresa. Quem lia o \u201cFerrari\u201d no crach\u00e1 me tratava como o tal. As portas se abriam\u201d, recorda Waltinho<strong>.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Empres\u00e1rio e apoiador<\/strong><\/p>\n<p>Waltinho foi o primeiro empres\u00e1rio do setor de autom\u00f3veis em Bras\u00edlia a acreditar e abra\u00e7ar o sonho de um ent\u00e3o desconhecido Nelson Piquet e para ele escancarou as portas da sua Mec\u00e2nica Ideal, que funcionava na Quadra 513 da W2 Sul.<\/p>\n<p>Era in\u00edcio dos anos 1970 e, sem saber que tratava com um ent\u00e3o garoto que n\u00e3o sonhava baixo, Waltinho tornou-se o primeiro patr\u00e3o de um sujeito que se tornaria mundialmente famoso, a ponto de conquistar o tricampeonato de F\u00f3rmula 1 (1981, 1983 e 1987).<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>E foi ali, com o apoio de um Ferrari, mas no anonimato e entre ferramentas, motores, \u00f3leo e graxa, que come\u00e7ou a consagrada jornada de Piquet. O tempo passou, a amizade e o reconhecimento ficaram e, at\u00e9 hoje, se visitam com frequ\u00eancia. <\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Os depoimentos de Waltinho nesta reportagem s\u00e3o um pouco sobre a sua vida e, principalmente, a sua conviv\u00eancia com o at\u00e9 hoje amigo Nelson.<\/p>\n<p><strong><em>\u201cDesde os tempos em que morava em Bras\u00edlia, Nelson nunca correu em busca de dinheiro, mas para viver os desafios e a velocidade de carros de corrida. Ele sempre foi um apaixonado por esse esporte\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>O in\u00edcio<\/strong><\/p>\n<p>Waltinho tinha 16 anos e ainda em Colatina (ES) quando foi apresentado \u00e0 mec\u00e2nica de autom\u00f3veis, come\u00e7ando logo a trabalhar na oficina do cunhado, Osmar Nascimento.<\/p>\n<p>Curioso, quis aprender sobre o que via e, ali, perguntava e perguntava: \u201cPorque o motor funciona assim\u201d? \u201cPorque o carro tem quatro marchas\u201d?&#8230; e foi assim, curioso, que ele conheceu as engrenagens daquelas geringon\u00e7as que, naquele tempo, eram pesados para dirigir, faziam muita sujeira e barulho.<\/p>\n<p>Waltinho cresceu tamb\u00e9m nos conhecimentos sobre mec\u00e2nica, a ponto de tomar conta da oficina quando o cunhado veio para Bras\u00edlia. Tempos depois, foi a vez de ele vir morar na capital da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>\u201cCheguei em Bras\u00edlia em 9 de abril de 1961, quando tinha 19 anos. Fui parar na oficina da loja de autom\u00f3veis Disbrave, que ficava no N\u00facleo Bandeirantes, onde Osmar, o meu cunhado, j\u00e1 trabalhava na revenda\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2591\" aria-describedby=\"caption-attachment-2591\" style=\"width: 258px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2591\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal2-258x300.jpg\" alt=\"\" width=\"258\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal2-258x300.jpg 258w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal2.jpg 424w\" sizes=\"auto, (max-width: 258px) 100vw, 258px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2591\" class=\"wp-caption-text\">Waltinho tem \u00f3timo acervo de jornais, colecionados por sua mulher, Aldaraci, contando sobre a sua trajet\u00f3ria no automobilismo e na hist\u00f3ria do empres\u00e1rio bem-sucedido de Bras\u00edlia<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Mudan\u00e7a de rumos<\/strong><\/p>\n<p>O ainda jovem \u201cmec\u00e2nico\u201d cresceu na empresa e chegou a ocupar o cargo de chefe da oficina, mas, por um motivo ou outro, decidiu voltar para Colatina, onde o pai tinha uma fazenda. Como a vida de campo n\u00e3o era o que ele queria, acabou retornando para Bras\u00edlia em 1963 e aqui se fixou em definitivo.<\/p>\n<p>Jovem, Bras\u00edlia ainda tinha car\u00eancias diversas, como a falta de oficinas mec\u00e2nicas, e esse ch\u00e3o Waltinho Ferrari j\u00e1 conhecia muito bem. Foi assim que comprou a \u201cRegulagem Ideal\u201d, em sociedade com o pai, neg\u00f3cio fechado meio a meio. O pr\u00e9dio da Ideal foi dividido ao meio. A parte da frente, na W3 Sul, ficava a loja de autope\u00e7as; a de tr\u00e1s, pela W2, a mec\u00e2nica, que se tornaria refer\u00eancia na cidade.<\/p>\n<p>\u201cLogo ganhamos muitos clientes, o Correio Braziliense, inclusive, que foi fundado no mesmo dia de Bras\u00edlia, 21 de abril de 1960\u201d, lembra Waltinho. Lembra, tamb\u00e9m, que foi com Ary Cunha e Alberto de S\u00e1 Filho, ent\u00e3o diretores do jornal, que fez um contrato para cuidar da frota de Kombis da empresa.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Carros de corrida<\/strong><\/p>\n<p>Naqueles tempos, alguns clientes apaixonados pela velocidade queriam fazer carros de corrida, pois aqui j\u00e1 havia provas de rua, como Os \u201cMil Km de Bras\u00edlia\u201d, que largava \u00e0 meia noite. A primeira edi\u00e7\u00e3o foi em 1962, Waltinho estava l\u00e1.<\/p>\n<p>\u201c<strong><em>No ano seguinte entrei na corrida com um carro que preparei para um piloto muito bom que tinha aqui, Aray de Paula Xavier. Era um Fusca e terminamos a corrida em sexto lugar. Naquela \u00e9poca, a equipe Hollywood, de S\u00e3o Paulo, era muito forte e ganhava tudo\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>Parceiros<\/strong><\/p>\n<p><i>A<\/i>os poucos, a Mec\u00e2nica Ideal foi se tornando refer\u00eancia e ponto de encontro dos apaixonados por carros de corrida, entre eles Pedro Leopoldo, o Pedr\u00e3o<strong>,<\/strong> Ruyter Pacheco e Marcos Em\u00edlio. Outro local onde essa turma se reunia era num pequeno circuito, constru\u00eddo pelo Major Lima, no estacionamento do \u201cdemolido\u201d est\u00e1dio Pelez\u00e3o, na sa\u00edda Sul da cidade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2592\" aria-describedby=\"caption-attachment-2592\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2592\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal3-300x141.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"141\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal3-300x141.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal3-1024x480.jpg 1024w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal3-768x360.jpg 768w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal3.jpg 1439w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2592\" class=\"wp-caption-text\">\u201cTodo domingo tinha corrida da categoria\u00a0Turismo For\u00e7a Livre e a maioria dos pilotos tinha um Fusca com quatro marchas.\u00a0 Eu fiz um com seis marchas\u201d, orgulha-se Waltinho de suas cria\u00e7\u00f5es<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Primeira vit\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO meu primeiro grande resultado veio em 1965, quando ganhamos a corrida com um carro pilotado por Aray de Paula Xavier, um bom piloto aqui de Bras\u00edlia. Fiquei emocionado, pois os jornalistas ficaram me conhecendo e faziam reportagens sobre o carro e citavam a Mec\u00e2nica Ideal. Foi nesse ano que come\u00e7aram a pensar na constru\u00e7\u00e3o de um aut\u00f3dromo, que acabou inaugurado em fevereiro de 1974\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2593\" aria-describedby=\"caption-attachment-2593\" style=\"width: 879px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2593 size-full\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal4.jpg\" alt=\"\" width=\"879\" height=\"642\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal4.jpg 879w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal4-300x219.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal4-768x561.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 879px) 100vw, 879px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2593\" class=\"wp-caption-text\">Aray e Waltinho, piloto e patrocinador, mais um apoio da Mec\u00e2nica Ideal<\/figcaption><\/figure>\n<p>Waltinho conta o lado triste dessa parceria com Aray:<\/p>\n<p><strong><em>\u201cAray foi disputar a F\u00f3rmula Ford Inglesa. Numa certa largada, com ele na pole, a segunda marcha n\u00e3o entrou, o carro perdeu a velocidade e o que vinha atr\u00e1s bateu forte e ele morreu. Foi um momento muito triste&#8230;\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Aparece um menino&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Foi nessas corridas na pista do estacionamento do Pelez\u00e3o, in\u00edcio dos anos 1970, que come\u00e7ou a aparecer um garoto curioso por motores. Era Nelson Piquet, filho do deputado federal, Est\u00e1cio Souto Maior (1913 \u2013 1974), que era casado com Clotilde Piquet.<\/p>\n<p>O pernambucano Est\u00e1cio, filiado ao PTB e que, mais tarde, se tornaria ministro da Sa\u00fade no governo do presidente Jo\u00e3o Goulart, era formado em Medicina. Ele n\u00e3o gostava do ambiente de corridas frequentada pelo filho, Nelson, um \u201cgaroto pregui\u00e7oso, que s\u00f3 quer saber de autom\u00f3veis\u201d, dizia.<\/p>\n<p><strong><em>Fosse pela vontade do pai, Nelson teria sido um destacado tenista, modalidade que chegou a praticar nos Estados Unidos, onde morou e estudou por um ano, com boa classifica\u00e7\u00e3o no ranking norte-americano. Por\u00e9m, Nelson voltou para o Brasil e, de novo no ambiente da velocidade, descobriu a Mec\u00e2nica Ideal.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Drible do Fusca<\/strong><\/p>\n<p>Curioso, perguntando e lendo muito sobre motores e carros, Nelson come\u00e7ou a dirigir, emprestado, o Volkswagen de sua m\u00e3e, Clotilde. Nessa \u00e9poca ela j\u00e1 tinha conquistado o bicampeonato brasileiro de kart, 1971 e 1972.<\/p>\n<p>Nesses empr\u00e9stimos do carro da Mam\u00e3e Clotilde, ele dizia que faria uma revis\u00e3o no carrinho. Por\u00e9m, na madrugada, ele retirava o motor original e colocava outro, por ele preparado, \u201cenvenenado\u201d, como se dizia na \u00e9poca. O disfarce daquele \u201cprojeto de piloto\u201d era complementado com o nome, \u201cPiket\u201d, para n\u00e3o alertar a fam\u00edlia, quando sa\u00eda nos jornais o nome do vencedor, o que se passou a se tornar frequente.<\/p>\n<p>O \u201ccarrinho\u201d de Dona Clotilde tornava-se um avi\u00e3o. Voava na pista at\u00e9 Goi\u00e2nia onde, no domingo, Nelson fazia a festa no p\u00f3dio. Logo depois, voltava para Bras\u00edlia, recolocava os pneus e o motor originais e devolvia o carro \u00e0 dona.<\/p>\n<p>Numa dessas corridas, Waltinho foi ao boxe de Nelson. Queria saber, afinal, quem era aquela \u201cabusado\u201d que seguidamente estava no p\u00f3dio?<\/p>\n<p><strong><em>\u201cMeu pai \u00e9 m\u00e9dico, n\u00e3o quer que eu corra. Me mandou para os Estados Unidos para estudar e jogar t\u00eanis. Mas eu n\u00e3o gostei daquilo e voltei\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>Ousado<\/strong><\/p>\n<p>\u201cConhece aquele cara que sabe que tem a possibilidade de ganhar dos outros? Ent\u00e3o, esse era o Nelson, iniciando carreira\u201d.<\/p>\n<p>O carro de Dona Clotilde era um fusca azul, nem \u201cSanto Ant\u00f4nio\u201d \u2013 prote\u00e7\u00e3o para o piloto, no cockpit, principalmente nas capotagens \u2013 tinha, pois isso descaracterizaria a originalidade do carro.<\/p>\n<p>Waltinho gostou da ousadia de Nelson e o convidou para visitar a sua oficina mec\u00e2nica, na 513 Sul.<\/p>\n<p>\u201cTenho uma oficina na 513 Sul. Aparece l\u00e1\u201d, convidou Waltinho. E na hora j\u00e1 ficou sabendo que Nelson queria correr as 100 Milhas de Interlagos.<\/p>\n<p>Waltinho acho bom conversar com o doutor Est\u00e1cio e o que ouviu dele foi o seguinte:<\/p>\n<p><strong><em>\u201cL\u00e1 em casa, ele (Nelson) larga tudo. Nem aparece pra comer, s\u00f3 vive pensando em carros\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o era como que entregando os pontos. Algo como \u201ceu tentei investir nos estudos e no t\u00eanis\u201d&#8230; Mas, o jovem Nelson Piquet estava decidido a ousar mais e mais no automobilismo de competi\u00e7\u00e3o. E assim foi.<\/p>\n<p><strong>Seis marchas<\/strong><\/p>\n<p>Quando Waltinho chegou em S\u00e3o Paulo, na v\u00e9spera de uma corrida, Nelson j\u00e1 estava classificado, num grid que tinha dois carros da equipe Hollywood em primeiro lugar e ele, Nelson Piket, em terceiro. Ao final da prova, o Fusca n\u00b0 13 chegou em quarto lugar.<\/p>\n<p>Com a evolu\u00e7\u00e3o do jovem piloto, logo surgiu um \u201ccarrinho novo\u201d, um Fusca preto, n\u00ba 13, que tamb\u00e9m fazia mis\u00e9rias nas pistas brasileiras.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2594\" aria-describedby=\"caption-attachment-2594\" style=\"width: 413px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2594 size-full\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal5.jpg\" alt=\"\" width=\"413\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal5.jpg 413w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal5-300x203.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal5-110x75.jpg 110w\" sizes=\"auto, (max-width: 413px) 100vw, 413px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2594\" class=\"wp-caption-text\">O \u201catrevido\u201d Fusca preto de Nelson `Piket\u00b4, preparado em parceria com o amigo Waltinho Ferrari, no in\u00edcio da carreira do piloto que se consagrou mundialmente<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cNas grandes provas nacionais, os Maverick corriam na frente, mas Nelson ultrapassava nas retas. O que esse fusca tem? Queriam saber os demais pilotos e mec\u00e2nicos sobre o desempenho daquele \u201ccarrinho\u201d. At\u00e9 levantaram o Fusca, ficaram olhando e foi quando viram as seis marchas, ideia de Waltinho, logo absorvida pelo piloto.<\/p>\n<p><strong><em>\u201cNelson andava muito bem. Nas retas, os demais carros ficavam na quarta marcha, quase estourando o giro do motor, enquanto ele ainda tinha duas marchas para esgotar, a quinta e a sexta. Ele sabia o que estava fazendo e se divertia com aquilo\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Por conta desses desempenhos, apareceram patrocinadores. O depoimento \u00e9 de Waltinho Ferrari:<\/p>\n<p><strong><em>\u201cO Fusca parecia um jornal, cheio de an\u00fancios\u201d!<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Tinha a Induspina, a Ideal, Pneul\u00e2ndia, Bras\u00edlia Importadora, Focal&#8230; Foi uma brincadeira s\u00e9ria pra cachorro. Era tudo feito com muito entusiasmo, no peito! N\u00e3o tinha plano. O plano era correr e vencer. A criatividade de Nelson era impressionante. Foi a\u00ed que o pai dele se convenceu de que n\u00e3o tinha mais volta, mas ficou muito brabo com os rumos do filho&#8230;\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Em S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<p>Em 1972, quando Emerson Fittipaldi apresentou a Lotus aos brasileiros, no Buffet Baiuca, Nelson Piquet estava l\u00e1 e foi a oportunidade para conhecer a elite do automobilismo brasileiro e os principais pontos de venda de pe\u00e7as de carros de corrida.\u00a0 Passava o tempo, as corridas se sucediam e Nelson avan\u00e7ava em categorias.<\/p>\n<p><strong>A grande sacada<\/strong><\/p>\n<p>No ano de 1973 Nelson foi para S\u00e3o Paulo para estudar mais sobre carros e conversar com Emerson Fittipaldi sobre o mundo da velocidade. Numa dessas conversas, foi apresentado ao paulista Eduardo Prado, que era o dono das poderosas f\u00e1bricas Arno e Brastemp, que convidou Nelson para um jogo de t\u00eanis.<\/p>\n<p>Foi quando Nelson ficou sabendo que \u201ca turma de Bras\u00edlia\u201d j\u00e1 era conhecida no mundo da velocidade brasileira. O empres\u00e1rio Eduardo Prado gostou do que ouviu sobre a equipe que tinha resultados nacionais e elogiou: \u201cDeus ajuda a quem trabalha\u201d. E colocou dinheiro para apoiar o trabalho de Nelson. \u201cMas era muito dinheiro\u201d, recorda Waltinho.<\/p>\n<p><strong>Em Goi\u00e2nia<\/strong><\/p>\n<p>O Aut\u00f3dromo de Goi\u00e2nia completa 50 anos este ano. Nelson correu muito naquele circuito, inclusive na inaugura\u00e7\u00e3o, em 1974. Waltinho Ferrari ainda hoje se espanta com \u201cas loucuras\u201d daqueles tempos.<\/p>\n<p>\u201cNelson quis ir para as 12 Horas de Goi\u00e2nia\u201d, inaugura\u00e7\u00e3o do Aut\u00f3dromo. Fizemos uma vaquinha, fomos \u00e0 loja Confort, na 512 Sul e comprei um Opala que tinha l\u00e1. Nelson ficou doido. Tirou o cabe\u00e7ote, aumentou a pot\u00eancia, fez o Santo Ant\u00f4nio, tudo certinho, e fomos para Goi\u00e2nia; eu, Nelson, Pedr\u00e3o, Ruyter Pacheco e Pedro Leopoldo\u201d, conta Waltinho.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2595\" aria-describedby=\"caption-attachment-2595\" style=\"width: 602px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2595 size-full\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal6.jpg\" alt=\"\" width=\"602\" height=\"241\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal6.jpg 602w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal6-300x120.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2595\" class=\"wp-caption-text\">O Opala 15 pilotado por Nelson e outros pilotos, na inaugura\u00e7\u00e3o do Aut\u00f3dromo de Goi\u00e2nia, em 1974<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong><em>\u201cA largada era a meia noite de um s\u00e1bado. Tinha carro pra caramba. Quatro eram da Hollywood, forte equipe de S\u00e3o Paulo. Nelson com o dele, da Ideal Induspina, Focal e outros patrocinadores. Na classifica\u00e7\u00e3o, ficamos em s\u00e9timo lugar, num grid de 40 pilotos. Nelson era doido. Queimou na largada e j\u00e1 assumiu a terceira posi\u00e7\u00e3o. Como era noite, numa pista sem ilumina\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m viu. Ele era doido\u201d, repete Waltinho. <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>E insiste: Doido!!! Sabe o que \u00e9 doido? \u00c9 muito mais do que voc\u00ea pensa\u201d!<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Raiou o dia<\/strong><\/p>\n<p>Quando o domingo raiou, Nelson continuava entre os primeiros. Entregou a dire\u00e7\u00e3o do Opala n\u00ba 15 para o Pedr\u00e3o e, depois, para o Catanhede, o Catanha. Meio dia, final da corrida: Nelson em quarto lugar e ganhou \u201cmais um dinheirinho\u201d&#8230; Os mec\u00e2nicos, da Ideal, ficaram animados com o que estavam fazendo, pois os resultados na pista apareciam e o nome de Nelson Piquet ganhava mais e mais espa\u00e7o na m\u00eddia.<\/p>\n<p><strong>Circuito Brasileiro<\/strong><\/p>\n<p>No Circuito Brasileiro de 1974, com provas em Goi\u00e2nia, Bras\u00edlia, S\u00e3o Paulo, Tarum\u00e3 e Cascavel, l\u00e1 estava Nelson. Tinha o Ingo Hoffman, Chico Serra, Chico Lameir\u00e3o&#8230; s\u00f3 fera da velocidade. No segundo ano desse circuito, Nelson bateu todos na pista. Estava com 22 anos.<\/p>\n<p>As provas em S\u00e3o Paulo contavam pontos para dois campeonatos, o Brasileiro e o Paulista.<\/p>\n<p>\u201cNo Brasileiro, ganhamos todas as corridas. No final da temporada, ganhamos os campeonatos Brasileiro e o Paulista. O motor do carro era feito aqui na Ideal, sem equipamentos de precis\u00e3o, nada! Tudo na cabe\u00e7a, no c\u00e1lculo. O Super V que ele pilotou era sem teto, era como um F\u00f3rmula Ford.\u201d, conta Waltinho, orgulhoso de seus feitos ao lado do amigo que ganhava prest\u00edgio no circuito da velocidade nacional.<\/p>\n<p>Todos ficaram de olho grande no Nelson. Numa dessas corridas, em Goi\u00e2nia, queriam bater nele. \u201cQuem \u00e9 esse moleque a\u00ed\u201d? \u2013 indagou certa vez Wilsinho Fittipaldi. Era um tal de Nelson, com uma turma de Bras\u00edlia. N\u00e3o se podia dizer que era Piquet&#8230;<\/p>\n<p><strong>\u00a0Super V <\/strong><\/p>\n<p>Em 1976, embalado com o desempenho nas pistas, Nelson entrou na F\u00f3rmula Super V, considerada uma categoria \u201cescola\u201d da velocidade. O carro tinha chassi parecido com o de um F1, motor de Fusca e c\u00e2mbio da F\u00e1brica Polara. Nelson Piquet comprou um carro desses, de Ronaldo Rossi e Ricardo Ascar, empres\u00e1rios paulistas da Polara.<\/p>\n<p>A ousadia daqueles tempos sem dinheiro e de investimentos no \u201camor e na ra\u00e7a\u201d \u00e9 refor\u00e7ada com mais esse depoimento de Waltinho Ferrari:<\/p>\n<p>\u201cNuma certa etapa do Brasileiro, em Tarum\u00e3, no Rio Grande do Sul, era preciso comprar mais um jogo de pneus. Mas n\u00e3o havia dinheiro, s\u00f3 o suficiente para a passagem de volta para Bras\u00edlia. Foi ent\u00e3o que Nelson falou mais alto e com convic\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><strong><em>\u201cCompra os pneus que eu vou ganhar o dinheiro da largada (pole) e o da chegada, a\u00ed compramos as <\/em><\/strong><strong>passagens\u201d<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o deu outra. O roteiro foi cumprido na pista.<\/p>\n<p><strong>Apoio <\/strong><\/p>\n<p>Enquanto isso, na Mec\u00e2nica Ideal, duas Kombi batidas estavam num canto. Uma acabada na frente, a outra, atr\u00e1s. Nelson orientou os mec\u00e2nicos para que serrassem no meio os dois carros e emendassem as partes boas, fazendo um carro de apoio.<\/p>\n<p><strong><em>\u201cNelson era assim, inventava! Mas inventava certo. O pai dele quase matava a gente, porque n\u00e3o se parava, era s\u00f3 carros e corridas. Mas eu n\u00e3o podia fazer nada\u201d, recorda Waltinho sobre aqueles bons tempos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Novo patroc\u00ednio <\/strong><\/p>\n<p>Prestigiado com dois t\u00edtulos, Nelson ganhou novo patroc\u00ednio, a Brasal, empresa que ainda hoje tem nome forte no com\u00e9rcio de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>\u201cCompramos a parte da oficina do pai , a nossa prioridade era o automobilismo, mas n\u00e3o esquec\u00edamos os carros de passeio dos clientes\u201d, conta Waltinho. Para isso, a Ideal tinha 22 funcion\u00e1rios, entre mec\u00e2nicos, lanterneiros, pintores, vendedores de pe\u00e7as&#8230;<\/p>\n<p><strong><em>\u201cTodo mundo torcida pra gente. Mas, trabalh\u00e1vamos muito, at\u00e9 na madrugada. Quem tinha dinheiro botava no carro de Nelson, porque carro come muito dinheiro\u201d&#8230;<\/em><\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_2596\" aria-describedby=\"caption-attachment-2596\" style=\"width: 567px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal7.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2596\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal7.jpg\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"282\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal7.jpg 567w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal7-300x149.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2596\" class=\"wp-caption-text\">O Super V e a equipe j\u00e1 com o apoio de novo patrocinador<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Rumo \u00e0 Europa<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 estava conquistado em termos de velocidade. A grana, agora, era para financiar a ida de Nelson Piquet para a Europa. Nessa \u00e9poca, 1977, Emerson Fittipaldi j\u00e1 era bicampe\u00e3o mundial de F1.<\/p>\n<p>\u201cEduardo Prado foi fundamental nessa sa\u00edda de Nelson para a Europa. Nelson n\u00e3o era s\u00f3 um bom piloto, mas um piloto cheio de ideias, que sabia modificar bem os carros e acertar os motores que iria pilotar\u201d, recorda Waltinho.<\/p>\n<p><strong>Precau\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Nessa primeira viagem ao exterior para entrar no mundo da velocidade, Nelson tomou precau\u00e7\u00f5es a partir da seguran\u00e7a do principal patrim\u00f4nio, a grana.<\/p>\n<p>Com medo de ser assaltado ele comprou uma bota de n\u00famero bem maior do que usava. Com isso, sobrava espa\u00e7o no bico do cal\u00e7ado, onde ele escondia o dinheiro que levava.<\/p>\n<p>\u201cNessa viagem eu n\u00e3o fui e ele foi com o Pedr\u00e3o. Nelson conheceu gente importante e f\u00e1bricas de carros de encher os olhos. Viajando, ele fazia planos e mais planos\u201d, conta Waltinho.<\/p>\n<p>Na Inglaterra, Nelson comprou um carro e alugou um boxe no circuito de Silverstone. Depois, comprou um \u00f4nibus-trailer que carregava o carro, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>Visitas <\/strong><\/p>\n<p>Waltinho lembra mais sobre aquelas investidas fora do Brasil:<\/p>\n<p><strong><em>\u201cDe vez em quando eu ia para a Europa. Passava um frio danado, comia quando podia. Ficava um m\u00eas e voltava. Fazia planejamento de tudo o que t\u00ednhamos conversado. No segundo ano de Europa, Nelson foi vice-campe\u00e3o ingl\u00eas. Ele vendeu o carro e foi disputar a F\u00f3rmula Ford Inglesa. Ele era mesmo um \u00f3timo piloto. Fazia o que gostava e n\u00e3o era para ganhar dinheiro pra ele mesmo, mas pra gastar em novos carros, viagens de competi\u00e7\u00f5es e equipamentos\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cQuero mais\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O empres\u00e1rio Eduardo Prado gostava do desempenho de Piquet e decidiu renovar o contrato para que o jovem piloto continuasse na Europa. \u201cVamos para o segundo ano de parceria. Vamos correr o Campeonato Ingl\u00eas de F\u00f3rmula 3\u201d, decidiu o empres\u00e1rio. Nessa \u00e9poca, outro brasileiro j\u00e1 morava por l\u00e1, Roberto Pupo Moreno, que viria a correr de F\u00f3rmula 1 e, mais tarde, de Indy.<\/p>\n<p><strong><em>\u201cNelson acabou ganhando o Campeonato Ingl\u00eas de F3. Enquanto a imprensa daqui falava em Chico Serra, Nelson ganhava fama l\u00e1 fora\u201d, compara Waltinho, em tom de desabafo sobre a evolu\u00e7\u00e3o do amigo no automobilismo de competi\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<p>E a conquista veio, na an\u00e1lise de Waltinho, sem a estrutura das equipes de hoje. N\u00e3o tinha jatinho nem iate nem \u00a0\u00a0\u00a0aproveitando a grana da melhor forma poss\u00edvel, sem desperd\u00edcios.<\/p>\n<p>\u201cNaquele tempo, sem fugir do regulamento, Nelson fazia o carro do jeito dele. Das 16 corridas que fez na F\u00f3rmula 3, ganhou 13!!! As outras tr\u00eas ele perdeu porque batiam na traseira do carro dele\u201d, conforme depoimento de Waltinho.<\/p>\n<p><strong>E agora?<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Waltinho, nos tempos de agora, j\u00e1 sem as \u201cloucuras\u201d de Nelson, naqueles tempos de grande paix\u00e3o pelo automobilismo de velocidade, o Brasil tem bons pilotos. Mas&#8230; n\u00e3o tem muito dinheiro. E competi\u00e7\u00e3o de carro precisa de muito dinheiro.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2597\" aria-describedby=\"caption-attachment-2597\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal8.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2597 size-medium\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal8-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal8-300x225.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal8.jpg 567w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2597\" class=\"wp-caption-text\">Waltinho e sua mulher, Aldarci, colecionadora de preciosas informa\u00e7\u00f5es da imprensa sobre a carreira empresarial do marido e do \u201camigo Nelson\u201d<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong><em>\u201cOs que est\u00e3o l\u00e1 na F\u00f3rmula 1 \u00a0t\u00eam muita grana. N\u00e3o tem limite de gasto, n\u00e3o tem limite de or\u00e7amento, tem o que precisa pra gastar. A Ferrari, por exemplo, tornou-se uma coisa de louco. E vale muito por causa do nome\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>O tricampeonato<\/strong><\/p>\n<p>Com dois t\u00edtulos conquistados, 1981 e 1983, Nelson voava baixo na F\u00f3rmula 1. E veio o tricampeonato.<\/p>\n<p>Em 29 de outubro de 1987, o piloto ingl\u00eas Nigel Mansell acordou mais cedo e foi treinar na pista der Suzuka, no Jap\u00e3o, onde seria disputada a prova final da temporada. Piquet tinha 12 pontos de vantagem, se consagraria com um segundo lugar.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Mansell bateu durante o treino livre e os m\u00e9dicos o aconselharam n\u00e3o disputar a corrida, devido as contus\u00f5es sofridas. Sem o principal advers\u00e1rio pelo t\u00edtulo na pista, o tricampeonato de Nelson Piquet estava garantido.<\/p>\n<p>Enquanto isso, Nelson dormia, em casa, segundo Waltinho Ferrari.<\/p>\n<p>Ao saber desse desdobramento, Geraldo, irm\u00e3o de Nelson, correu para o quarto do piloto a fim de inform\u00e1-lo que ele j\u00e1 era o tricampe\u00e3o mundial. Piquet n\u00e3o gostou da gritaria e reclamou:<\/p>\n<p>\u201cE da\u00ed, o que esse t\u00edtulo vai mudar? Amanh\u00e3 continuo sendo o mesmo cara, vou acordar, fazer xixi, tomar caf\u00e9, treinar, correr&#8230; tudo normal, igual aos outros dias\u201d, esbravejou o brasileiro da equipe Williams Honda.<\/p>\n<p>E conclui: \u201cDeixa eu dormir, p\u00f4\u201d!<\/p>\n<figure id=\"attachment_2598\" aria-describedby=\"caption-attachment-2598\" style=\"width: 407px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal9.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2598\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal9.jpg\" alt=\"\" width=\"407\" height=\"277\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal9.jpg 407w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal9-300x204.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal9-110x75.jpg 110w\" sizes=\"auto, (max-width: 407px) 100vw, 407px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2598\" class=\"wp-caption-text\">Piquet no comando da Williams que chegou\u00a0ao tricampeonato mundial de F1, em 1987<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Enfim&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Em recente depoimento para a hist\u00f3ria do automobilismo brasileiro, o rep\u00f3rter e comentarista de velocidade, Reginaldo Leme, confirma esse comportamento do tricampe\u00e3o. Reginaldo contou que, certa vez, um grupo de jornalistas insistiu, numa coletiva, para que as hist\u00f3rias de Piquet fossem contadas em um livro. Sorrindo, ele respondeu:<\/p>\n<p><strong><em>\u201cVoc\u00eas n\u00e3o\u00a0 entenderam&#8230; <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Eu n\u00e3o n\u00e3o quero ser lembrado! <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Eu quero \u00e9 ser esquecido\u201d!<\/em><\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_2599\" aria-describedby=\"caption-attachment-2599\" style=\"width: 366px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal10.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2599\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal10.jpg\" alt=\"\" width=\"366\" height=\"352\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal10.jpg 366w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal10-300x289.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 366px) 100vw, 366px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2599\" class=\"wp-caption-text\">Frank, dono da equipe Williams, j\u00e1 parapl\u00e9gico,\u00a0depois de um acidente na Fran\u00e7a, em 1986,\u00a0com os seus dois pilotos de ponta, o tricampe\u00e3o,\u00a0Piquet, e o ingl\u00eas, Nigel Mansell (\u00e0 esquerda)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong><em>Waltinho Ferrari<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Em duas manh\u00e3s ensolaradas, Waltinho Ferrari conversou com a reportagem do portal da \u201cMem\u00f3ria da Cultura e do Esporte em Bras\u00edlia\u201d. <\/em><\/p>\n<p><em>Com excelente mem\u00f3ria, ele guarda cada momento vivido no mundo da velocidade e, em especial com o \u201camigo Nelson\u201d, com quem se relaciona at\u00e9 hoje, em visitas constantes. Nessa jornada de empres\u00e1rio no segmento do automobilismo, Waltinho teve a companhia da mulher, Aldaraci, que cuidava da retaguarda do trabalho do marido e colecionava as reportagens publicadas na imprensa.<\/em><\/p>\n<p><em>Numa das conversas, Waltinho revelou que, entre 2002 e 2022, leu a B\u00edblia 22 vezes. E est\u00e1 interessado em nova leitura. No mundo atual, segundo ele, \u201c\u00e9 preciso ler a verdade de Cristo. E a B\u00edblia tem essa verdade\u201d. <\/em><\/p>\n<p><em>Waltinho \u00e9 pai de Sandro, Sandra, Waltinho Jr e Felipe. <\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_2600\" aria-describedby=\"caption-attachment-2600\" style=\"width: 424px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2600\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal11.jpg\" alt=\"\" width=\"424\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal11.jpg 424w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/wal11-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 424px) 100vw, 424px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2600\" class=\"wp-caption-text\">Piquet, o amigo Waltinho e Aldaraci,\u00a0\u00a0lembran\u00e7a daqueles tempos&#8230;<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amigo de Nelson Piquet conta sobre a ousada trajet\u00f3ria do tricampe\u00e3o mundial de F1, desde que come\u00e7ou a trabalhar como mec\u00e2nico, na oficina de Waltinho, en 1972 \u00a0Por Jos\u00e9 Cruz \u00a0O capixaba Waltinho Ferrari, 83 anos, um dos pioneiros de Bras\u00edlia, tem sobrenome da hist\u00f3rica escuderia italiana de F\u00f3rmula 1, cujo s\u00edmbolo \u00e9 um simp\u00e1tico &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2593,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,6,4,14],"tags":[],"class_list":["post-2589","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-colunistas","category-entrevistas","category-esporte","category-jose-cruz"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2589","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2589"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2589\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2601,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2589\/revisions\/2601"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2593"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}