{"id":2526,"date":"2024-06-16T11:46:50","date_gmt":"2024-06-16T14:46:50","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/?p=2526"},"modified":"2024-06-16T11:53:53","modified_gmt":"2024-06-16T14:53:53","slug":"pioneiro-bom-de-bola-e-de-chute-potente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/2024\/06\/16\/pioneiro-bom-de-bola-e-de-chute-potente\/","title":{"rendered":"Pioneiro bom de bola;\u00a0e de chute potente!"},"content":{"rendered":"<p>Por\u00a0H\u00e9lio Tremendani e Jos\u00e9 Cruz<\/p>\n<p><strong><em>Solon Doelinger Vianna Antunes est\u00e1 em Bras\u00edlia desde janeiro de 1961. \u00c9 um \u201cpioneiro\u201d, como s\u00e3o chamados os que aqui est\u00e3o desde o in\u00edcio da nova Capital e contribu\u00edram para formar uma nova sociedade, atualmente com quase tr\u00eas milh\u00f5es de pessoas.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>L\u00e1 se v\u00e3o 63 anos dessa conviv\u00eancia em que boa parte do tempo de Solon foi dedicado ao futebol, trabalho e estudos, nem sempre nessa ordem. No in\u00edcio, jogando nos times das construtoras, que usavam esse esporte para dar um pouco de lazer aos seus funcion\u00e1rios, numa cidade ainda sem vida noturna e deserta de divers\u00f5es. Como outros pioneiros que neste site j\u00e1 registraram as suas mem\u00f3rias, ele foi personagem de passagens que conta nesta entrevista.<\/em><\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_2527\" aria-describedby=\"caption-attachment-2527\" style=\"width: 230px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2527 size-medium\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon1-230x300.jpg\" alt=\"\" width=\"230\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon1-230x300.jpg 230w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon1.jpg 499w\" sizes=\"auto, (max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2527\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Jos\u00e9 Cruz<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201c<strong><em>As construtoras investiam em bons jogadores para ter bons times, mesmo no in\u00edcio, quando o futebol ainda era amador. T\u00ednhamos o Pederneiras, o Nacional, o Rabello, o Defel\u00ea, Guanabara, Guar\u00e1, Gr\u00eamio, Colombo&#8230; Em contrapartida, as empresas ofereciam empregos aos jogadores\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>A Federa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Estamos falando dos primeiros anos de Bras\u00edlia, quando as competi\u00e7\u00f5es oficiais eram organizadas pela Federa\u00e7\u00e3o Metropolitana de Desportos, que era um \u201cdepartamento\u201d da Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Desportos (CBD), hoje CBF. \u00a0\u201cA Federa\u00e7\u00e3o ficava onde hoje \u00e9 a Candangol\u00e2ndia e foi l\u00e1 que tivemos o primeiro campo gramado e iluminado da cidade\u201d.<\/p>\n<p><strong>Origens e apoio<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 vir para Bras\u00edlia, com a fam\u00edlia, Solon, \u00e0 \u00e9poca com 16 anos, morava em Anchieta, no Esp\u00edrito Santo, uma das cidades mais antigas do Brasil. Aqui, conheceu Arnaldo Gomes, um ponta esquerda que fez nome do futebol local. Arnaldo o viu jogando e logo o convidou para integrar o time do Rabello.<\/p>\n<p>\u201cEu era ponta de lan\u00e7a e comecei no infanto do Rabello, depois fui para o time juvenil, os aspirantes e cheguei ao time principal, tudo quando eu tinha 16 anos. O centroavante desse time era Ot\u00e1vio Barbosa, hoje desembargador, filho de Milton Sebasti\u00e3o Barbosa\u201d, cujos servi\u00e7os prestados \u00e0 magistratura sugeriram que ele fosse homenageado com o nome do F\u00f3rum de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p><strong><em>\u201cHoje, analisando melhor, que os campeonatos de Bras\u00edlia, l\u00e1 no in\u00edcio, eram melhores do que os de agora.\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>Porque n\u00e3o se tinha grandes craques por aqui e as construtoras investiam trazendo jogadores de fora, como Pedrinho, Djalma Alves, Beto Preti\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00cddolos<\/strong><\/p>\n<p>\u201cTive os meus \u00eddolos no futebol de Bras\u00edlia. Arnaldo Gomes, por exemplo. Foi um \u00f3timo ponta esquerda do Rabello. Ele estava consagrado no futebol local depois que marcou o primeiro gol da Sele\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, num jogo contra o Santos, de Pel\u00e9. Toda aquela conviv\u00eancia me ajudou a sonhar em ser profissional num time grande\u201d.<\/p>\n<p>\u201cArnaldo tamb\u00e9m marcou um gol hist\u00f3rico num amistoso da Sele\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia contra o Vasco, no tempo em que o ponta direita do time carioca era Paulinho, que jogou na Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de 1956. Na Sele\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia tinha Paulo Betti, meia armador, camisa 10, que veio do Atl\u00e9tico Mineiro. O goleiro era Gaguinho. Todos eram \u00f3timos jogadores.<\/p>\n<p><strong>Lembran\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEm 1958, quando ainda morava no Esp\u00edrito Santo, acompanhei por um radinho de pilha os jogos da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira que conquistou o primeiro t\u00edtulo mundial na Su\u00e9cia. Em 1962, no Mundial do Chile, eu j\u00e1 estava com 16 anos. A\u00ed, j\u00e1 t\u00ednhamos televis\u00e3o e v\u00eddeo tape, algumas horas depois dos jogos\u201d.<\/p>\n<p>Solon lembra que depois da conquista do bicampeonato, a delega\u00e7\u00e3o veio direto para Bras\u00edlia, com Pel\u00e9, Garrincha, o goleiro Gilmar, Belini, Zagallo, Nilton Santos&#8230;<\/p>\n<p><strong><em>\u201cEu e meus amigos fomos ao aeroporto ver a chegada do time. Depois, fomos para o Pal\u00e1cio do Planalto onde foram recebidos pelo ent\u00e3o presidente Jo\u00e3o Goulart, o Jango\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>O Defel\u00ea<\/strong><\/p>\n<p>Solon conta mais sobre a sua carreira: \u201cDepois do Rabello, fui jogar no Defel\u00ea, time que foi tricampe\u00e3o de Bras\u00edlia (1961 1962 e 1963). N\u00e3o tinha sal\u00e1rio, mas tinha emprego garantido. Fui trabalhar no setor de desenho da empresa. Defel\u00ea era a sigla do Departamento de For\u00e7a e Luz. Deveria ser DFL, mas o pessoal do Nordeste se atrapalhava e resolveram fazer uma palavra juntando as s\u00edlabas. H\u00e1 quem diga que esse nome foi criado pelo consagrado narrador de futebol, Jorge Cury, do Rio de Janeiro. Ele veio narrar um jogo de um time do Rio e se enredou com o \u201cDe, efe e ele\u201d e na hora adotou a sigla, lida na corrida: \u201cDefel\u00ea\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2528\" aria-describedby=\"caption-attachment-2528\" style=\"width: 632px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2528 size-full\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon2.jpg\" alt=\"\" width=\"632\" height=\"491\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon2.jpg 632w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon2-300x233.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 632px) 100vw, 632px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2528\" class=\"wp-caption-text\">J\u00e1 na categoria profissional, Solon (o segundo, agachado, da esquerda para a direita\u00a0jogando no Defel\u00ea, que tinha um dos melhores times da cidade<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Pelezinho<\/strong><\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca, o Defel\u00ea era acompanhado por um torcedor hist\u00f3rico, o \u201cPelezinho\u201d. Jogava futebol, mas n\u00e3o se destacava como os craques de ent\u00e3o. \u201cPelezinho era um personagem que estava sempre no bolo, conhecia os jogadores, gostava de estar no meio sempre disposto a participar, ajudar, mas sem fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica\u201d, conta Solon, que ainda guarda foto daqueles tempos:<\/p>\n<figure id=\"attachment_2529\" aria-describedby=\"caption-attachment-2529\" style=\"width: 556px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2529\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon3.jpg\" alt=\"\" width=\"556\" height=\"274\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon3.jpg 556w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon3-300x148.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 556px) 100vw, 556px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2529\" class=\"wp-caption-text\">EM P\u00c9 (Da esquerda para a direita) \u2013 Pelezinho, Alailton, P\u00e1ssaro Preto, Chiquinho,\u00a0Ren\u00e9 Ga\u00facho, Z\u00e9 Walter, It\u00e9rbio, Gedeon, Primo e Ant\u00f4nio Gomes;\u00a0AGACHADOS: Marreta (massagista), Estelo, Vev\u00e9, Lino, Ot\u00e1vio, Solon, Perereca e Manga<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Em Porto Alegre <\/strong><\/p>\n<p>O t\u00e9cnico Ant\u00f4nio Gomes gostava do meu jogo e me ajudou a tentar vaga outro time de profissionais. Foi assim que fui parar no juvenil do Vasco e, depois no do Am\u00e9rica. De l\u00e1 fui para o Internacional, de Porto Alegre e peguei o inverno de l\u00e1, at\u00e9 dois graus abaixo de zero, um frio pra danar. Horr\u00edvel. Os ga\u00fachos tomavam Steinhaeger, para aquecer. Era um destilado \u00e0 base de ervas, bem mais forte do que a cacha\u00e7a. O presidente do clube era Arthur Dalegrave e o Colorado tinha Manga, no gol, Valdomiro, na ponta direita, Claudiomiro, centroavante. Era um grande time. Fiquei de maio a agosto em Porto Alegre, no tempo em que se jogava no Est\u00e1dio dos Eucaliptos. O Beira Rio estava sendo constru\u00eddo.<\/p>\n<p>Numa das idas do Fluminense ao Sul, o t\u00e9cnico Evaristo de Macedo me viu treinando e me chamou para time carioca. Aceitei a parada e fui. Mas, deu azar, O Fluminense n\u00e3o ganhou nenhum jogo nessa excurs\u00e3o pelo Sul e Evaristo foi demitido. A\u00ed fui para o Am\u00e9rica, que tinha bons jogadores, Alex, Eduzinho e Antunes, por exemplo. Vieram as f\u00e9rias me vim para Bras\u00edlia\u201d.<\/p>\n<p><strong>A vez do futsal<\/strong><\/p>\n<p>Na volta pra Bras\u00edlia, bateu o des\u00e2nimo. N\u00e3o havia dinheiro nos contratos, pois ofereciam emprego. Al\u00e9m disso, a namorada n\u00e3o gostava muito daquela realidade e aos poucos fui ficando sem condicionamento f\u00edsico, desanimando e acabei indo para o futebol de sal\u00e3o, o futsal de hoje, mas continuava trabalhando na \u00e1rea de desenho, como projetista.<\/p>\n<p><strong>Pelez\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO Pelez\u00e3o era um bom est\u00e1dio. Tinha gramado bom, depois ganhou ilumina\u00e7\u00e3o e bons jogos foram realizados ali. Por isso foi muito triste ver ele sendo demolido para dar lugar a edif\u00edcios com apartamentos\u201d.<\/p>\n<p>Antes disso, o est\u00e1dio ficou sem uso, totalmente abandonado para a pr\u00e1tica do futebol. At\u00e9 que, em determinado momento, come\u00e7aram as invas\u00f5es, com constru\u00e7\u00f5es de barracos no seu interior, na \u00e1rea do gramado.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2530\" aria-describedby=\"caption-attachment-2530\" style=\"width: 735px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2530\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon4.jpg\" alt=\"\" width=\"735\" height=\"426\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon4.jpg 735w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon4-300x174.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 735px) 100vw, 735px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2530\" class=\"wp-caption-text\">Est\u00e1dio Pelez\u00e3o, inaugurado pelo Rei Pel\u00e9, acabou sendo vendido pela Federa\u00e7\u00e3o Brasiliense de Futebol;\u00a0seu espa\u00e7o foi transformado numa valorizada \u00e1rea residencial<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Massacre<\/strong><\/p>\n<p>Quando chegou em Bras\u00edlia, em 1961, Solon ainda ouviu repercuss\u00f5es do \u201cmassacre da Pacheco Fernandes\u201d, ocorrido em 8 de fevereiro de 1959. \u201cSoube desse fato, muito pouco divulgado, porque teria ocorrido no local onde eu jogava bola, no campo que ainda hoje \u00e9 do Defel\u00ea, na Vila Planalto\u201d, conta Solon.<\/p>\n<p>Naquele ano, ainda n\u00e3o havia jornais em Bras\u00edlia. Hoje, encontra-se registros na internet que contam que foi com esse nome \u201cmassacre da Pacheco Fernandes\u201d, uma das construtoras de Bras\u00edlia, que ficou conhecido uma investida da GEB \u2013 Guarda Especial de Bras\u00edlia \u2013 contra os candangos que reclamavam por melhores condi\u00e7\u00f5es de alimentos e alojamentos.<\/p>\n<p>Os poucos registros desse caso contam que as construtoras, em geral, e o governo, \u00e0 \u00e9poca, fizeram uma esp\u00e9cie de pacto do sil\u00eancio para esconder a agress\u00e3o. Faltavam poucos meses para Bras\u00edlia ser inaugurada e n\u00e3o interessava, principalmente ao presidente Juscelino Kubistchek, que tal viol\u00eancia ganhasse espa\u00e7o nos jornais do Brasil e do mundo. Assim, a gravidade do epis\u00f3dio ficou escondida na hist\u00f3ria da nova Capital.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo Oscar Niemeyer e L\u00facio Costa n\u00e3o comentavam sobre tal epis\u00f3dio, cujo n\u00famero de mortos \u00e9 desconhecido. Mas, conforme alguns registros, cerca de 120 candangos nunca mais voltaram aos alojamentos para pegar os seus pertences, malas e mochilas, por exemplo.<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>\u201c<\/em><\/strong><strong><em>No filme Conterr\u00e2neos Velhos de Guerra, do cineasta Vladimir Carvalho, o massacre \u00e9 contado em detalhes por quem testemunhou o epis\u00f3dio. Dezenas de corpos de oper\u00e1rios mortos teriam sido recolhidos com caminh\u00e3o basculante e depositados em lugar ignorado\u201d.<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Essa descri\u00e7\u00e3o \u00e9 do jornalista Pedro Rafael Vilela, publicado no site Brasil de Fato, em 20 de julho de 2019.<\/p>\n<p>J\u00e1 o jornalista Adirson Vasconcelos foi um dos poucos a acompanhar as investiga\u00e7\u00f5es, na \u00e9poca, por meio da Ag\u00eancia Meridional, pertencente aos Di\u00e1rios Associados, mesmo grupo do Correio Braziliense. Em 2017, ele publicou o livro O conflito da Pacheco na constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, com todos os documentos que recolheu durante suas apura\u00e7\u00f5es. Mas, nada mostra quantos oper\u00e1rios morreram.<\/p>\n<p><strong>Estudos<\/strong><\/p>\n<p>Nessa fase, Solon tamb\u00e9m mergulhou nos estudos e come\u00e7ou a disputar competi\u00e7\u00f5es oficiais, como os Jogos Escolares e os Jogos Universit\u00e1rios Brasileiros (JUBs), jogando tamb\u00e9m nos times de futebol de campo e no de sal\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cFiz a faculdade de Marketing, educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, antropologia e administra\u00e7\u00e3o na UDF, depois comecei a faculdade de Direito, no Uniceub\u201d, conta ele, revelando uma surpresa. \u201cNa verdade, eu n\u00e3o gostava de estudar, mas sentia um vazio muito grande por n\u00e3o estar jogando com tanta frequ\u00eancia como antes\u201d.<\/p>\n<p>Solon jogou futebol de sal\u00e3o no Minas T\u00eanis Clube, no Unidade Vizinhan\u00e7a e nos times formados para os JEBs e JUBs.<\/p>\n<p><strong>Depoimento<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2531 size-medium\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon5-300x298.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"298\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon5-300x298.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon5-150x150.jpg 150w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon5-70x70.jpg 70w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon5-120x120.jpg 120w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon5.jpg 665w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>H\u00e9lio Tremendani, que acompanhava a evolu\u00e7\u00e3o do esporte em Bras\u00edlia desde o seu in\u00edcio, viu Solon atuando. E contou que ele era considerado \u201co chute mais forte do futebol de sal\u00e3o, em Bras\u00edlia\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m colecionador e divulgador de hist\u00f3rias da cultura e do esporte na Capital da Rep\u00fablica, H\u00e9lio (na foto, com Solon) contou mais:<\/p>\n<p><strong><em>\u201cNa hora bater uma falta, at\u00e9 a trave tremia, junto com a barreira e o goleiro advers\u00e1rio. O chute era potente, mesmo. Com um detalhe: Solon n\u00e3o corria para bater uma falta. Ficava no m\u00e1ximo a um passo, um passe e meio da bola. E, sem tirar maior dist\u00e2ncia, sa\u00eda aquele chuta\u00e7o. Raramente era bola colocada; era pancada, mesmo!\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>Carioca<\/strong><\/p>\n<p>Em 1974, a ARUC armou um poderoso time de futebol de sal\u00e3o. Era o \u201cCarioca\u201d, um dos melhores que a cidade j\u00e1 teve na sua hist\u00f3ria, pois s\u00f3 tinham \u201cferas\u201d, garantem os mais velhos. Waltinho, Axel, Arnaldo, Guarac\u00e1, Solon e Carlinhos. \u201cUm tima\u00e7o, foi tetracampe\u00e3o de Bras\u00edlia. Quando o Carioca ia jogar os telefones n\u00e3o paravam de tocar. Todos queriam confirmar o local e hor\u00e1rio. Era uma loucura\u201d, garantem H\u00e9lio Tremendani e o pr\u00f3prio Solon.<\/p>\n<p><strong>Futebol \u201cmirim\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Na mesma \u00e9poca, anos 1970, surgiu outra sensa\u00e7\u00e3o na cidade, o \u201cfutebol mirim\u201d. Na falta de um futebol de campo mais profissional e competitivo, o futebol de sal\u00e3o e o mirim faziam a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>O futebol Mirim ganhou esse nome porque o seu introdutor na cidade se chamava Alfredo Mirim, que trouxe o modelo do que j\u00e1 se praticava no Rio de Janeiro\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 . O jogo era numa quadra iluminada, estilo futebol de sal\u00e3o, que ficava na 409 Sul. Espa\u00e7o aberto com arquibancadas de madeira. Lota\u00e7\u00e3o completa, sempre. E as competi\u00e7\u00f5es, com regras do futebol de sal\u00e3o e premia\u00e7\u00e3o simples \u2013 trof\u00e9us e medalhas \u2013, acompanhadas por \u00e1rbitros uniformizados, reuniam equipes das categorias juvenil, principal e veteranos. Tinha espa\u00e7o para todas as idades.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2532\" aria-describedby=\"caption-attachment-2532\" style=\"width: 615px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2532 size-full\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon6.jpg\" alt=\"\" width=\"615\" height=\"471\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon6.jpg 615w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/solon6-300x230.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 615px) 100vw, 615px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2532\" class=\"wp-caption-text\">O \u201cest\u00e1dio\u201d improvisado na 409 Sul, sempre lotado, reunia os admiradores do bom \u201cfutebol mirim\u201d<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cOs grandes clubes da cidade na \u00e9poca, como o Iate e o Minas T\u00eanis formavam os seus times para o futebol mirim. O jogo virou uma febre, durou cinco anos\u201d, conta Solon, sem esconder um ar de saudosismo. Faz sentido. A cidade estava saindo do ch\u00e3o e as novidades viravam atra\u00e7\u00e3o. Bons tempos aqueles&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0H\u00e9lio Tremendani e Jos\u00e9 Cruz Solon Doelinger Vianna Antunes est\u00e1 em Bras\u00edlia desde janeiro de 1961. \u00c9 um \u201cpioneiro\u201d, como s\u00e3o chamados os que aqui est\u00e3o desde o in\u00edcio da nova Capital e contribu\u00edram para formar uma nova sociedade, atualmente com quase tr\u00eas milh\u00f5es de pessoas. L\u00e1 se v\u00e3o 63 anos dessa conviv\u00eancia em que &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,4,16,14],"tags":[],"class_list":["post-2526","post","type-post","status-publish","format-standard","","category-destaque","category-entrevistas","category-esporte","category-helio-tremendani","category-jose-cruz"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2526","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2526"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2526\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2534,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2526\/revisions\/2534"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2526"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2526"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2526"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}