{"id":2501,"date":"2024-06-01T19:25:07","date_gmt":"2024-06-01T22:25:07","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/?p=2501"},"modified":"2024-06-01T19:29:58","modified_gmt":"2024-06-01T22:29:58","slug":"paralimpicos-uma-carreira-fantastica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/2024\/06\/01\/paralimpicos-uma-carreira-fantastica\/","title":{"rendered":"PARAL\u00cdMPICOS:\u00a0Shirlene Coelho, uma carreira fant\u00e1stica!  \u00a0"},"content":{"rendered":"<p>Por\u00a0\u00a0Jos\u00e9 Cruz<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>Prematura, nasceu pequena, muito pequena. \u201cCabia numa caixa de sapatos. N\u00e3o imaginava que iria sobreviver\u201d, disse-lhe a m\u00e3e Maria, certa vez.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Em 1982, quando completou um aninho, Shirlene Coelho foi identificada com paralisia cerebral, que lhe atingiu o lado esquerdo; o pezinho era virado para dentro e a m\u00e3ozinha n\u00e3o abria totalmente. <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Pois, essa garotinha, fr\u00e1gil na sua origem e que nasceu apenas sob os cuidados de uma parteira, cresceu e se fortaleceu, revelando-se uma gigante do paradesporto mundial.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Shirlene Coelho,\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>43 anos, tem hist\u00f3rico de competidora vitoriosa: conquistou medalhas e registrou recordes mundiais, ganhou campeonatos internacionais, Paralimp\u00edadas e Jogos Parapan-americanos. A sua trajet\u00f3ria foi fant\u00e1stica!<\/em><\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_2502\" aria-describedby=\"caption-attachment-2502\" style=\"width: 425px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2502 size-full\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene1.jpg\" alt=\"\" width=\"425\" height=\"284\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene1.jpg 425w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene1-300x200.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene1-110x75.jpg 110w\" sizes=\"auto, (max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2502\" class=\"wp-caption-text\">Shirlene Coelho, carreira paral\u00edmpica vitoriosa \/Foto: Comit\u00ea Paral\u00edmpico Brasileiro<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Que hist\u00f3ria!<\/strong><\/p>\n<p>Quando completou um aninho, Shirlene precisou de tratamento de sa\u00fade. Os seus pais, Maria e Dagmar, sa\u00edram da pequena Corumb\u00e1 de Goi\u00e1s, onde ela nasceu, e vieram para Bras\u00edlia. Atendida em hospital de refer\u00eancia, o Sarah Kubitscheck, ela reagiu bem aos cuidados m\u00e9dicos. Shirlene cresceu, estudou e concluiu o ensino m\u00e9dio, em 2005.<\/p>\n<p>Crescendo, Shirlene se divertia com os dois irm\u00e3os, jogando futebol e basquete, na escola e na rua onde morava, em Samambaia, no Distrito Federal. Mas, Shirlene queria trabalhar.<\/p>\n<p>Alertada por sua m\u00e3e, Maria, Shirlene entregou o seu curr\u00edculo no CETEFE \u2013 Centro de Treinamento de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica Especial, em Bras\u00edlia, que intermediava vagas para pessoas com alguma defici\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cQuando entreguei o meu curr\u00edculo para o professor Manoel Ramos ele observou o meu perfil e apostou que eu tinha potencial para ser paratleta. E me chamou para um teste de atletismo. Para mim, atletismo era s\u00f3 corrida, coisa que n\u00e3o sabia fazer devido minhas limita\u00e7\u00f5es\u201d, contou Shirlene, referindo-se \u00e0 paralisia cerebral, que impedia movimentos totais do bra\u00e7o e da perna esquerdas.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>O teste perfeito<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_2503\" aria-describedby=\"caption-attachment-2503\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2503\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene2.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"212\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2503\" class=\"wp-caption-text\">Shirlene, lan\u00e7ando o disco em evento oficial\/Foto: Ag\u00eancia UNICEUB<\/figcaption><\/figure>\n<p>No campo de testes, Shirlene foi desafiada a lan\u00e7ar um disco. Quando segurou aquela pe\u00e7a, at\u00e9 ent\u00e3o totalmente estranha para ela, o encaixe foi perfeito. Foi como uma \u201cpegada\u201d de atleta profissional. Seguiu-se o lan\u00e7amento, com for\u00e7a, o que animou o Professor Manoel a investir naquela garota, ent\u00e3o com 25 anos.<strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A parte de treinamentos estava sendo acertada quando a empresa para a qual havia sido indicada, abriu fal\u00eancia. Mesmo assim, Shirlene continuou treinando e, em seguida surgiu nova proposta de emprego, na Spot, que atua na \u00e1rea de terceiriza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e recursos humanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>\u201cA nova empresa me incentivava na pr\u00e1tica do paradesporto e at\u00e9 me liberava mais cedo para eu poder treinar\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o professor Ulisses de Ara\u00fajo, um dos fundadores do Cetefe e especialista em esportes paral\u00edmpicos, convidou Shirlene para um teste no time de basquete em cadeira de rodas. N\u00e3o foi legal. A defici\u00eancia no bra\u00e7o impedia que ela conduzisse a cadeira e fizesse os lan\u00e7amentos da bola e, por isso, a proposta para essa modalidade foi abandonada.<\/p>\n<p>Com isso, Shirlene passou a ter tempo para investir no lan\u00e7amento do dardo e do disco e no arremesso de peso.<\/p>\n<p>Era o ano de 2006 e com poucos meses de treinamentos o seu t\u00e9cnico, Professor Manoel, a inscreveu numa competi\u00e7\u00e3o em Uberl\u00e2ndia (MG), nas provas de dardo, disco e peso. \u201cNa prova de dardo voc\u00ea vai para brincar\u201d, disse Manoel, j\u00e1 que ela n\u00e3o tinha treinamento suficiente.<\/p>\n<p>\u201cEu treinei pouco com o dardo. E foi com um dardo de bambu, nem oficial era\u201d, recorda Shirlene, que viajou para Uberl\u00e2ndia j\u00e1 patrocinada pela Spot.<\/p>\n<p>Sem d\u00favidas, foi uma bela aposta da empresa, pois o resultado dessa competi\u00e7\u00e3o surpreendeu: Shirlene ganhou as tr\u00eas provas e, justamente no dardo, lan\u00e7ado a 23 metros, ela superou o recorde mundial \u00e0 \u00e9poca, que era de 19 metros. Uma atleta de ponta estava surgindo para brilhar no universo paral\u00edmpico.<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>\u201cImagina, logo na minha primeira competi\u00e7\u00e3o bater um\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>\u00a0recorde mundial\u201d!<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cHouve uma alegria muito grande de todos os colegas de trabalho e a dire\u00e7\u00e3o da Spot passou a pagar as despesas de todas as viagens, inclusive as do meu t\u00e9cnico, Manoel. Na pr\u00e1tica, a brincadeira come\u00e7ou a ficar s\u00e9ria. Vieram novas competi\u00e7\u00f5es e a cada uma eu melhorava as marcas e batia novos recordes\u201d, lembra ela.<\/p>\n<p><strong>Ouro e recorde mundial<\/strong><\/p>\n<p>Em decorr\u00eancia desse desempenho, Shirlene disputou etapas e se classificou para o seu primeiro grande evento internacional, os Jogos Parapan-americanos do Rio de Janeiro, em 2007. A aposta de Manoel estava confirmando o acerto da escolha.<\/p>\n<p><strong><em>Foi em 19 de agosto de 2007, que Shirlene conquistou a sua primeira medalha de ouro paral\u00edmpica em Jogos Parapan-americanos, acompanhado de recorde mundial.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>No evento do Rio de Janeiro, ela marcou 27m59 no lan\u00e7amento do dardo, categoria F37. Perla Mu\u00f1oz, da Argentina, ficou com a prata (19m08) e a brasileira Rosenei Herrera foi bronze, com 14m35.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Carreira<\/strong><\/p>\n<p>Com apenas um ano e sete meses de treinamento, Shirlene estava com a sua carreira paral\u00edmpica fortemente encaminhada. J\u00e1 recebia apoio do programa Caixa de Atletismo, entrou para o Bolsa Atleta do Governo Federal e a empresa onde trabalhava a dispensou para que pudesse treinar, viajar e competir. E assim foi at\u00e9 2010, quando se afastou de vez da Spot. \u201cMe pagaram tudo com se eu tivesse trabalhado. Foi um \u00f3timo incentivo que recebi. Foram parceiros, eles vibravam comigo e agrade\u00e7o por tudo isso at\u00e9 hoje\u201d.<\/p>\n<p><strong>Afinal, o atletismo transformou-se em trabalho remunerado?<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u201cCom certeza. A cada treino, a cada competi\u00e7\u00e3o eu saia de casa para trabalhar. Eu estava sendo remunerada por isso\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>Novo t\u00e9cnico<\/strong><\/p>\n<p>Quando retornou do Parapan do Rio de Janeiro, o t\u00e9cnico Manoel foi dispensado pelo Cetefe. E foi o pr\u00f3prio Manoel que indicou o professor Domingos Ant\u00f4nio Camargo Guimar\u00e3es, Mingo para os \u00edntimos, que j\u00e1 treinava outro atleta que tinha a mesma defici\u00eancia de Shirlene.<\/p>\n<p>Quando encontrou Mingo e acertou os treinamentos, a primeira pergunta foi: \u201cQuanto voc\u00ea vai me cobrar pelos treinamentos\u201d? \u2013 indagou Shirlene. A resposta a surpreendeu:<\/p>\n<p>&#8211; Nada! N\u00e3o cobro nada de ningu\u00e9m! \u2013 respondeu Mingo.<\/p>\n<p>Os dois trabalham juntos h\u00e1 17 anos e foi sob a orienta\u00e7\u00e3o de Mingo que Shirlene chegou ao ouro paral\u00edmpico.<\/p>\n<p>Mas, havia uma cobran\u00e7a sim, por\u00e9m de comportamento para a atleta e que ela nunca esqueceu:<\/p>\n<blockquote><p>\u00a0<strong><em>\u201cMingo me disse que, ao passar os treinamentos, nunca queria ouvir as express\u00f5es, n\u00e3o consigo ou n\u00e3o dou conta. Era preciso tentar, antes de tudo\u201d.<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Mudan\u00e7a de estilo<\/strong><\/p>\n<p>Por conta disso, Shirlene foi modificando os seus movimentos e avan\u00e7ando nos resultados.<\/p>\n<p>\u201cDeficiente tem muito desse neg\u00f3cio de colocar limita\u00e7\u00f5es por conta do problema e acha que ali acabou, n\u00e3o pode ir adiante. Se faz isso, acaba n\u00e3o tendo mais para onde ir, fica com pregui\u00e7a, se acomoda e n\u00e3o evolui\u201d, repetiu Shirlene.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 que a atleta se surpreende ainda hoje, por exemplo, com a corrida que desenvolve para lan\u00e7ar o dardo, o que n\u00e3o fazia at\u00e9 ent\u00e3o. O lan\u00e7amento era em posi\u00e7\u00e3o parada, sem a tradicional corrida para embalar e ganhar for\u00e7a e ritmo no lan\u00e7amento do aparelho.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2504\" aria-describedby=\"caption-attachment-2504\" style=\"width: 547px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2504\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene3.jpg\" alt=\"\" width=\"547\" height=\"913\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene3.jpg 547w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene3-180x300.jpg 180w\" sizes=\"auto, (max-width: 547px) 100vw, 547px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2504\" class=\"wp-caption-text\">T\u00e9cnico Mingo e sua vitoriosa paratleta, Shirlene\/ Foto: Jos\u00e9 Cruz<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>A primeira queda<\/strong><\/p>\n<p>\u201cMingo mudou isso em mim. Da mesma forma passei a girar o corpo para lan\u00e7ar o disco. Lembro que na primeira vez que fiz isso, ca\u00ed. Ele pensou que eu n\u00e3o voltaria nunca mais para treinar. Mas, no dia seguinte eu estava l\u00e1. Rimos muito do acontecido e recome\u00e7amos. N\u00e3o ca\u00ed mais, dei continuidade, ganhei confian\u00e7a e avancei nos resultados.<\/p>\n<p>Para se manter atualizada na parte t\u00e9cnica, Shirlene sempre ligava para o t\u00e9cnico quando viajava. Ao final de cada competi\u00e7\u00e3o, ela transmitia para ele sobre o seu desempenho e ficava atenta \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cEu tinha o Mingo aqui na cabe\u00e7a, sempre lembrando do que ele me falava, de um posicionamento, faz assim, corrige a perna, o bra\u00e7o&#8230;\u201d<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Paralimp\u00edadas <\/strong><\/p>\n<p>Vieram os grandes eventos. Em Jogos Paral\u00edmpicos, Shirlene coleciona quatro medalhas em tr\u00eas competi\u00e7\u00f5es, sempre disputando na classe F37 (paralisia cerebral): no lan\u00e7amento de dardo, ela ganhou a medalha de prata nos Jogos de Pequim, 2008 (com recorde mundial), e ouro, em Londres, 2012. Nessa prova na capital inglesa, ela bateu o recorde mundial, logo na primeira das cinco tentativas, quando lan\u00e7ou o dardo a 36,86m.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c<em>Pequim foi a minha estreia em grandes provas fora do pa\u00eds. Eu n\u00e3o tinha no\u00e7\u00e3o do que faria l\u00e1. Fui para uma festa internacional. Eu tinha 27 anos e apenas dois anos de treinos e competi\u00e7\u00f5es nacionais. Voltei com prata e recorde mundial\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<figure id=\"attachment_2505\" aria-describedby=\"caption-attachment-2505\" style=\"width: 567px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2505\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene4.jpg\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"375\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2505\" class=\"wp-caption-text\">No ano de 2008, Shirlene foi eleita a melhor atleta paral\u00edmpica do ano, premiada pelo Comit\u00ea Paral\u00edmpico Brasileiro<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>No Rio de Janeiro<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 nos Jogos Paral\u00edmpicos do Rio de Janeiro, Shirlene teve tripla premia\u00e7\u00e3o pois al\u00e9m dos dois p\u00f3dios conquistados ela foi honrada para desfilar com a Bandeira Nacional, na abertura da competi\u00e7\u00e3o, um pr\u00eamio extra para a paratleta.<\/p>\n<p>No campo de provas, ela ganhou a medalha de ouro no lan\u00e7amento do dardo com a marca de 37,57m, sagrando-se bicampe\u00e3 paral\u00edmpica.<\/p>\n<p>No mesmo evento, ela tamb\u00e9m ganhou a medalha de prata no lan\u00e7amento de disco, encerrando a s\u00e9rie de p\u00f3dios paral\u00edmpicos, at\u00e9 aqui com quatro valiosas conquistas e recorde.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Antidoping<\/strong><\/p>\n<p>Assim como nos ol\u00edmpicos, os atletas paral\u00edmpicos passam por exames antidoping. Inclusive, para poder ter validada uma nova marca no lan\u00e7amento der dardo (quando marcou 33m), que fez em Uberl\u00e2ndia (MG), Shirlene precisou viajar a S\u00e3o Paulo para o exame de urina, pois a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o havia providenciado os kits para testar os paratletas.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cOs testes antidoping s\u00e3o comuns na vida do atleta. Inclusive os fora de competi\u00e7\u00e3o. S\u00f3 na minha casa, as agentes me visitaram tr\u00eas vezes, de surpresa. Chegam sem aviso com o kit e colhem a urina para examinar\u201d, contou Shirlene.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Sem torcida<\/strong><\/p>\n<p>Shirlene tem uma caracter\u00edstica que conserva desde o in\u00edcio da carreira: n\u00e3o acompanha a prova das advers\u00e1rias.<\/p>\n<p>\u201cNunca acompanhei o desempenho das advers\u00e1rias na pista de competi\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00e3o vejo o resultado que fizeram. Enquanto elas est\u00e3o na pista eu fico de fora, aquecendo, me concentrando e esperando a minha vez. Sempre fui assim. Fico atenta naquilo que vou fazer. Sou eu, a minha prova e o meu resultado. O que est\u00e1 em volta n\u00e3o dou aten\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Mundial<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m das Paralimp\u00edadas, Shirlene disputou dois Campeonatos Mundiais de Atletismo, eventos que ocorrem a cada dois anos: em 2009, na Nova Zel\u00e2ndia, e 2011 em Lion (Fran\u00e7a). Al\u00e9m disso, participou de um evento na Tun\u00edsia, em 2013.<\/p>\n<p>Na competi\u00e7\u00e3o da Nova Zel\u00e2ndia, retornou com a medalha de ouro no lan\u00e7amento do dardo, prata no disco e um quarto lugar no arremesso de peso.<\/p>\n<p>J\u00e1 em Lion, ela foi medalha de ouro no lan\u00e7amento de dardo, com 35m (recorde mundial) e prata no lan\u00e7amento de disco, e um quarto lugar no arremesso de peso.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Aprendizados<\/strong><\/p>\n<p>Shirlene diz que o Professor Mingo tem uma explica\u00e7\u00e3o para esse seu desempenho no esporte. \u00c9 o seguinte:<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cEu sempre fui uma menina muito ativa. Meus pais n\u00e3o me limitavam, me deixavam brincar \u00e0 vontade. Eu era a \u00fanica filha mulher, com dois irm\u00e3os e eu procurava fazer o que eles faziam. Al\u00e9m disso, os exerc\u00edcios no meu tratamento, quando estive no Hospital Sarah, foram importantes. Tudo isso me ajudou muito no desempenho no esporte\u201d.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>Desacelerando<\/strong><\/p>\n<p>Depois dos resultados nos Jogos Parapan-americanos do Rio de Janeiro, Shirlene n\u00e3o parou, apenas desacelerou. Quer ficar mais pr\u00f3ximo da fam\u00edlia e concluir a faculdade de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. Mas, sem tirar o olho dos treinos e, claro, das competi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Casada com Jesse Watson, Shirlene tem dois filhos, Benjamim, com 5 anos, e Elise, com 3. Estudou at\u00e9 o sexto semestre do curso de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica na Universidade Cat\u00f3lica. Fora de competi\u00e7\u00f5es, ela perdeu os benef\u00edcios da Bolsa Atleta e dos patroc\u00ednios e, em decorr\u00eancia, suspendeu os estudos, cujas mensalidades s\u00e3o car\u00edssimas.<\/p>\n<p>Filiada \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Paradesportiva de Atletismo (APA), de Pernambuco, Shirlene est\u00e1 voltando aos poucos \u00e0 sua forma.<\/p>\n<p>Depois de quase sete anos parada est\u00e1 em fase de readapta\u00e7\u00e3o, com o Professor Mingo, claro. Reconhece que se tornou sedent\u00e1ria, o peso aumentou e o corpo j\u00e1 n\u00e3o responde como antes. Mas, est\u00e1 voltando, garante. Para isso, faz academia e treino de campo tr\u00eas vezes por semana.<\/p>\n<p>\u201cTenho esperan\u00e7as de voltar a competir no dardo, que \u00e9 a minha prova. Atualmente, tenho marcas para ter resultado num Jogos Parapanamericanos, mas Olimp\u00edadas ainda n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Shirlene voltando \u00e0 forma? Competitiva? Algu\u00e9m duvida? Ela j\u00e1 mostrou do que \u00e9 capaz. E, com os seus resultados, entrou para a hist\u00f3ria do esporte paral\u00edmpico brasileiro e mundial<\/em><\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_2506\" aria-describedby=\"caption-attachment-2506\" style=\"width: 1772px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene5jpg.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2506\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene5jpg.jpg\" alt=\"\" width=\"1772\" height=\"1180\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene5jpg.jpg 1772w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene5jpg-300x200.jpg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene5jpg-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene5jpg-768x511.jpg 768w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene5jpg-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/shirlene5jpg-310x205.jpg 310w\" sizes=\"auto, (max-width: 1772px) 100vw, 1772px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2506\" class=\"wp-caption-text\">Shirlene com suas valiosas medalhas paral\u00edmpicas, duas de ouro e duas de prata\/<br \/>Foto: Rede do Esporte<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0\u00a0Jos\u00e9 Cruz \u00a0Prematura, nasceu pequena, muito pequena. \u201cCabia numa caixa de sapatos. N\u00e3o imaginava que iria sobreviver\u201d, disse-lhe a m\u00e3e Maria, certa vez. Em 1982, quando completou um aninho, Shirlene Coelho foi identificada com paralisia cerebral, que lhe atingiu o lado esquerdo; o pezinho era virado para dentro e a m\u00e3ozinha n\u00e3o abria totalmente. 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