{"id":2489,"date":"2024-05-26T15:22:02","date_gmt":"2024-05-26T18:22:02","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/?p=2489"},"modified":"2024-05-26T15:22:02","modified_gmt":"2024-05-26T18:22:02","slug":"a-pequena-notavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/2024\/05\/26\/a-pequena-notavel\/","title":{"rendered":"A PEQUENA NOT\u00c1VEL"},"content":{"rendered":"<p>Por\u00a0H\u00e9lio Tremendani e Jos\u00e9 Cruz<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Goleira de 1,59m relembra a fa\u00e7anha do time de futsal feminino da ARUC, o \u00fanico de Bras\u00edlia a se tornar campe\u00e3o brasileiro.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Trinta e quatro anos depois de um memor\u00e1vel t\u00edtulo de campe\u00e3, Regina C\u00e9lia, que fez a diferen\u00e7a na competi\u00e7\u00e3o, conta detalhes da campanha e diz que era apenas \u201cuma atleta esfor\u00e7adinha\u201d. Mas, tinha um detalhe:\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>\u201cNo gol eu me soltava\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_2490\" aria-describedby=\"caption-attachment-2490\" style=\"width: 567px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/regina1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2490\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/regina1.jpg\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"417\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/regina1.jpg 567w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/regina1-300x221.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2490\" class=\"wp-caption-text\">Regina C\u00e9lia em visita \u00e0 ARUC, revendo a hist\u00f3rica ta\u00e7a de campe\u00e3 brasileira<\/figcaption><\/figure>\n<p>O Campeonato Brasileiro de Futsal Feminino de 1990 foi realizado em Mairinque, a 70km da capital, S\u00e3o Paulo. No jogo final, as meninas da ARUC enfrentaram o Saad, de S\u00e3o Paulo \u2013 um dos gigantes no futsal feminino, ao lado do Radar.<\/p>\n<p>Depois de 4&#215;4 no tempo regulamentar, a brasiliense Regina C\u00e9lia defendeu o p\u00eanalti decisivo e garantiu o t\u00edtulo invicto \u00e0 tradicional agremia\u00e7\u00e3o do Cruzeiro.<\/p>\n<p><strong><em>Sob a orienta\u00e7\u00e3o do t\u00e9cnico Jorge Wanderley, o time base da decis\u00e3o jogou com:\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>Regina C\u00e9lia; Erivanda e Jane; V\u00e2nia e Ana L\u00facia<\/em><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/regina2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2491\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/regina2.jpg\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"377\" \/><\/a><strong>DA ESQUERDA PARA A DIREITA<\/strong><\/p>\n<p><strong>EM P\u00c9:<\/strong><em> M\u00e1rio Nishimori (Prefeitura de Mairinque), Romualdo, Iara, Ana L\u00facia, Erivanda, Irene, Regina e H\u00e9lio Tremendani;<\/em><\/p>\n<p><strong>AGACHADAS<\/strong>: V\u00e2nia, Lilian, Jorge Wanderlei (t\u00e9cnico), Ray, Jane e M\u00f4nica Gardez<\/p>\n<p><strong>A decis\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO jogo do t\u00edtulo foi o mais emocionante que disputei. O Saad tinha uma menina de 1,80m que tinha um chute fort\u00edssimo, potente, mesmo\u201d! \u2013 lembra Regina.<\/p>\n<p>Na decis\u00e3o por p\u00eanaltis, H\u00e9lio Tremendani, da dire\u00e7\u00e3o da ARUC, sentiu o perigo, pois conhecia a ousadia de Regina e tinha certeza de que ela iria se jogar para tentar defender. Estava t\u00e3o temeroso que pediu para o servi\u00e7o param\u00e9dico ficar de prontid\u00e3o, pr\u00f3ximo trave onde a goleira atuava.<\/p>\n<p>No decorrer do jogo, Regina j\u00e1 havia defendido um p\u00eanalti dessa jogadora, \u201ccom chute de homem\u201d, como definiu H\u00e9lio. Na decis\u00e3o, ela repetiu o petardo, mas a \u201cpequena giganta\u201d caiu abra\u00e7ada \u00e0 bola impedindo o gol e garantindo o in\u00e9dito t\u00edtulo para a Capital da\u00a0 Rep\u00fablica.<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>A pancada do chute deixou marca na altura do abd\u00f4men de Regina, que levantou cambaleante, enquanto o gin\u00e1sio vinha abaixo e boa parte da torcida invadia a quadra<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Os param\u00e9dicos sugeriram levar a goleira ao hospital para exames. Ela concordou, mas quando viu o p\u00f3dio sendo preparado, mudou de ideia, ficou para a premia\u00e7\u00e3o. \u201cA ta\u00e7a primeiro, depois vou ao hospital\u201d, disse ela. Ao final, a emo\u00e7\u00e3o superou o susto e Regina dispensou os servi\u00e7os m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>\u201cNa verdade, na defesa do p\u00eanalti eu bati com a cabe\u00e7a na trave. Ficou tudo escuro, mas logo passou. A torcida desceu das arquibancadas para a quadra e festejamos todos. Depois, mais tarde, vi que o meu corpo estava cheio de hematomas\u201d.<\/p>\n<p><strong><em>A estrat\u00e9gia<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A campanha desse t\u00edtulo nacional invicto, com cinco vit\u00f3rias, come\u00e7ou com uma estrat\u00e9gia fora das quatro linhas. A competi\u00e7\u00e3o tinha times fort\u00edssimos, entre eles o Saad, de S\u00e3o Paulo, favorito disparado. Jogando \u201cem casa\u201d, ainda havia a torcida da acolhedora cidade de Mairinque \u2013 hoje com 50 mil habitantes \u2013, \u00a0apoiadora dos times paulistas.<\/p>\n<p>Era preciso conquistar as crian\u00e7as, imaginou Helio Tremendani, para que a Aruc tivesse alguma torcida. E Regina, por sua baixa estatura e jogando no gol, com seu esp\u00edrito alegre e sorridente, mas de s\u00e9ria lideran\u00e7a, tinha o perfil para essa tarefa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, crescia o desempenho dela ao longo da competi\u00e7\u00e3o, de tal forma que chamava a aten\u00e7\u00e3o da crian\u00e7ada, principalmente, que come\u00e7ou a torcer para aquela, at\u00e9 ent\u00e3o, desconhecida goleira baixinha.<\/p>\n<p>Resultado da estrat\u00e9gia: na partida final, a ARUC tinha a maioria do est\u00e1dio, lotado com 2.800 pessoas, torcendo a seu favor.<\/p>\n<p>\u201cNuma cidade pequena, a estrat\u00e9gia de conquistar as crian\u00e7as deu certo. Conversa daqui, abra\u00e7a dali e foi assim que at\u00e9 almocei na casa de uma delas, inclusive, comendo num prato pl\u00e1stico, como ela\u201d, conta Regina, revelando a forma como conquistou boa parte da crian\u00e7ada de Mairinque.<\/p>\n<p><strong>Apoio<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSempre fui a goleira mais baixa do Brasil, mas com boa impuls\u00e3o. O tamanho n\u00e3o me intimidava\u201d, diz Regina, de fala modesta, mas sem esconder o orgulho de sua vitoriosa carreira.<\/p>\n<p>Regina foi parar no gol porque, confessa, \u201ceu era muito ruim na linha\u201d. Apaixonada por esportes \u2013 faz mergulho, ainda hoje \u2013 ela achava uma \u201cbeleza\u201d a goleira distribuir o jogo e antecipar uma jogada de ataque que poderia terminar em gol.<\/p>\n<p>\u201cQuero fazer isso, tamb\u00e9m\u201d, repetia, ainda no in\u00edcio da carreira, sobre iniciar uma jogada de ataque. E fez, com o aux\u00edlio do ent\u00e3o namorado, Marco Ant\u00f4nio Cala\u00e7a, que foi um excelente goleiro e incentivava a namorada a crescer no esporte.<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>\u201cEle me ensinou a ser goleira.\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>Fui melhorada quando cheguei \u00e0 Aruc, em 1987\u201d.<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Treinos<\/strong><\/p>\n<p>Na ARUC, Regina passava por treinamentos de at\u00e9 tr\u00eas horas, com quatro \u201cferas\u201d do chute exigindo desempenho m\u00e1ximo dela sob a trave: H\u00e9lio Tremendani, Jorge Wanderley, Kleber Duarte e M\u00e1rcio Careca se revezavam nos chutes, com Regina se desdobrando em aten\u00e7\u00e3o para tentar defender e, assim, \u00a0aprimorar a sua forma t\u00e9cnica.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEles chutavam forte, pra valer! Treinar cansava, mas era prazeroso\u201d, diz ela, que em cada sess\u00e3o ganhava em reflexo, rea\u00e7\u00e3o, explos\u00e3o e agilidade\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n<p>O desempenho de Regina no gol come\u00e7ou a chamar aten\u00e7\u00e3o quatro anos antes, no 1\u00ba Campeonato Brasileiro de Futsal feminino, disputado em Petr\u00f3polis (RJ), em setembro de 1986.<\/p>\n<p>Naquele ano, a ARUC n\u00e3o tinha um time forte para disputar tal competi\u00e7\u00e3o e fez uma parceria com o Moton\u00e1utica, tendo H\u00e9lio Gomes Ferreira como t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>\u201cCom pouca experi\u00eancia em eventos nacionais e sem tempo para treinar, o time de Bras\u00edlia perdeu os tr\u00eas jogos da fase preliminar, mas por resultados curtos. E foi a\u00ed que Regina come\u00e7ou a se destacar no gol. O grande m\u00e9rito dela, al\u00e9m de agarrar bem, era a leitura do jogo. Ela sabia o quanto poderia arriscar. Assim, ela foi convidada e aceitou atuar pela Aruc\u201d, conta H\u00e9lio, dirigente do tradicional clube do Cruzeiro. De 1984 a 1986 Regina defendeu o Minas Bras\u00edlia T\u00eanis Clube.<\/p>\n<p><strong>Campeon\u00edssima <\/strong><\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca, a Aruc tinha bons patrocinadores e disputava todas as competi\u00e7\u00f5es oficiais, al\u00e9m de incentivar a cria\u00e7\u00e3o de outras equipes para fortalecer os eventos locais, principalmente.<\/p>\n<p><strong><em>\u201cA ARUC era o time a ser derrotado. Em dez anos consecutivos ganhamos todos os campeonatos que disputamos. A cada in\u00edcio de temporada dava um frio na barriga quando pens\u00e1vamos: ser\u00e1 que este ano vamos ganhar de novo\u201d? recorda Regina.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>O come\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>A agilidade e o desempenho geral de Regina C\u00e9lia da Silva Vieira jogando no gol de times de futsal deve-se, tamb\u00e9m, a um bom aprendizado que teve no handebol, desde os 14 anos, ainda na escola.<\/p>\n<p>\u201cJoguei muito handebol, esse esporte foi o ponto de partida. Primeiro na escola e, depois, na Ascade (Associa\u00e7\u00e3o dos Servidores da C\u00e2mara dos Deputados). Sa\u00eda de um jogo e ia para outro\u201d, refor\u00e7a Regina. Essa frequ\u00eancia de atua\u00e7\u00f5es contribu\u00eda para que ela crescesse na modalidade.<\/p>\n<p>Mais tarde, quando chegou ao futsal, pode avaliar a import\u00e2ncia do que havia feito at\u00e9 ent\u00e3o: \u201cPara mim, que vim do handebol, era fichinha defender no futsal, pois a bola que eu treinava, antes, \u2013 medicine ball \u2013 era muito mais pesada do que a do futsal\u201d.<\/p>\n<p>As bolas de medicine ball que Regina usava em treinamentos s\u00e3o destonadas a treinos de pilates e yoga, projetadas para melhorar a for\u00e7a, a resist\u00eancia e a coordena\u00e7\u00e3o do corpo. Podem pesar at\u00e9 6kg.<\/p>\n<p><strong>Lideran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Helio Tremendani, um carioca intimamente vinculado ao esporte e \u00e0 cultura de Bras\u00edlia h\u00e1 seis d\u00e9cadas, conviveu com parte da carreira de Regina, no futsal. Quando foi jogar na Aruc, ela foi designada capit\u00e3 da equipe e assumiu a lideran\u00e7a do grupo.<\/p>\n<p>\u201cOs problemas das atletas passam pela Regina, antes de chegarem \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do clube\u201d, afirmou H\u00e9lio sobre a norma de ent\u00e3o. E, assim, aplicando nas rotinas com as atletas as suas viv\u00eancias de servidora p\u00fablica e a experi\u00eancia de professora e coordenadora, Regina liderou o grupo de forma harmoniosa, antes de tudo.<\/p>\n<p>\u201cEm casa tamb\u00e9m \u00e9 assim. At\u00e9 digo que n\u00e3o tenho uma casa tenho um lar. Meus filhos vivem em harmonia\u201d, orgulha-se.<\/p>\n<p>Mas&#8230; \u201cN\u00e3o sou t\u00e3o boazinha&#8230; sei ouvir, ponderar e at\u00e9 voltar atr\u00e1s, n\u00e3o tenho problema quanto a isso. Por\u00e9m, tenho voz ativa\u201d!<\/p>\n<p><strong>Aten\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Certa vez, o jogo dessa goleira chamou a aten\u00e7\u00e3o de um dirigente do Ceub, que logo lhe ofereceu uma bolsa de estudos, para quando fizesse vestibular, no tempo em que essa universidade investia em equipes esportivas. Regina, que j\u00e1 estudava o idioma Ingl\u00eas, optou pelo curso de Letras. E, a forma\u00e7\u00e3o que se daria em quatro anos acabou sendo em apenas tr\u00eas, pois ela antecipava disciplinas para ganhar tempo.<\/p>\n<p>Depois de formada, Regina cursou Direito e seguiu estudando, pois isso era um incentivo: se parasse, a atua\u00e7\u00e3o como atleta universit\u00e1ria estaria encerrada, justamente o que ela n\u00e3o queria.<\/p>\n<p>Assim, para n\u00e3o ficar fora dos Jogos Universit\u00e1rios (JUBs), Regina foi se p\u00f3s-graduar em Moderna Literatura Brasileira e, posteriormente, mais uma p\u00f3s, em Direito P\u00fablico. Foi dessa forma, estudando, que ela seguiu em quadra, a sua paix\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs Jogos Universit\u00e1rios de 1985 foram em Goi\u00e2nia e eu fui a primeira goleira a fazer um gol nessa competi\u00e7\u00e3o, batendo uma falta\u201d, recorda.<\/p>\n<p><strong>\u201cCoisa de homem\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Para jogar e crescer no esporte, Regina enfrentou oposi\u00e7\u00f5es. Inicialmente em casa. Seu pai n\u00e3o a proibia de jogar, mas era frontalmente contr\u00e1rio \u00e0s mulheres que praticavam o futebol, de sal\u00e3o, que seja.<\/p>\n<p>\u00c9 oportuno lembra que quando Regina come\u00e7ou a se interessar por esportes j\u00e1 estava superada a repress\u00e3o esportiva imposta \u00e0s mulheres pelo ex-presidente Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<p><strong><em>Em 14 de abril de <\/em><\/strong><strong><em>1941, na ditadura do Estado Novo (1937-1945),\u00a0Get\u00falio Vargas assinou o Decreto-Lei n\u00ba 3199, que em seu artigo 54 tirava das\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>mulheres<\/em><\/strong><strong><em>\u00a0o direito de praticar esportes \u201cincompat\u00edveis com as condi\u00e7\u00f5es de sua natureza\u201d \u2013 a\u00ed, incluindo-se o futebol, o boxe e o remo.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Para essa decis\u00e3o, o ent\u00e3o presidente tomou como refer\u00eancia, entre outras, uma tese biom\u00e9dica, que considerava as mulheres mais fr\u00e1geis e, por isso, sua \u201cintegridade f\u00edsica deveria ser protegida\u201d, segundo escreveu a pesquisadora Silvana Goellner, do curso de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Com o tempo a situa\u00e7\u00e3o mudou e em 1979 o artigo 54 foi revogado. Ou seja, o time da ARUC sagrou-se campe\u00e3o brasileiro somente 11 anos ap\u00f3s a revoga\u00e7\u00e3o da esdr\u00faxula medida autorit\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Trabalhadora<\/strong><\/p>\n<p>O futsal n\u00e3o ocupava tempo integral de Regina. Ao contr\u00e1rio, a pr\u00e1tica desse esporte ocorria nas horas de folga, pois o trabalho era prioridade. Perto de completar 60 anos, ela se orgulha: \u201cTrabalho desde os 18 anos. Dei aulas no Col\u00e9gio Inei quando eu tinha 22 anos\u201d.<\/p>\n<p>Nessa ocasi\u00e3o, Regina j\u00e1 era p\u00f3s-graduada e coordenava as disciplinas de Ingl\u00eas t\u00e9cnico para os cursos de Administra\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior e o de Ci\u00eancias Cont\u00e1beis, na Universidade de Ensino de Bras\u00edlia (Uneb). \u201cEu era mais nova que os alunos!\u201d \u2013 recorda, orgulhosa, sobre aqueles tempos.<\/p>\n<p><strong>No Executivo<\/strong><\/p>\n<p>Paralelamente \u00e0s aulas, Regina era secret\u00e1ria do Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio, nos governos dos ex-presidentes Jo\u00e3o Baptista de Oliveira Figueiredo e Jos\u00e9 Sarney. Depois, trabalhou como tradutora, na Cosipa.<\/p>\n<p>E, l\u00e1 se v\u00e3o 34 anos de v\u00ednculo como servidora. Advogada, atualmente ela atua na Procuradoria Geral da Rep\u00fablica. E afirma: \u201cAmo o que fa\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Fim de carreira<\/strong><\/p>\n<p>\u201cJoguei pouco futebol de campo. Treinava na Faculdade Dom Bosco, mas devido \u00e0 minha estatura n\u00e3o investi nessa modalidade. Jogava mais para ter o encontro com as meninas, quando faltava uma atleta&#8230;\u201d<\/p>\n<p>No futsal, Regina parou em 2011, aos 47 anos, quando j\u00e1 tinha dois filhos, Rebecca, hoje com 23 anos, e Rafael, com 20. \u201cFoi um presente que ganhei. Meus filhos vieram como um presente\u201d, repete. J\u00e1 a decis\u00e3o de parar foi \u201cdo\u00edda\u201d, reconhece. Mas, era preciso. Muitas vezes sa\u00eda para treinar num domingo. \u201cImagine, deixar a fam\u00edlia para ir treinar\u201d&#8230;\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_2492\" aria-describedby=\"caption-attachment-2492\" style=\"width: 567px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/regina4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2492\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/regina4.jpg\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"814\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/regina4.jpg 567w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/regina4-209x300.jpg 209w\" sizes=\"auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2492\" class=\"wp-caption-text\">Regina com os filhos, Rebecca e Rafael<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cDaqueles tempos\u201d Regina guarda boas lembran\u00e7as dos chefes que teve. Foram todos \u201cmaravilhosos\u201d. Colaboraram com a carreira dela, permitindo que viajasse para um ou outro jogo, quando necess\u00e1rio. Mas sempre com uma recomenda\u00e7\u00e3o, afinal, chefe \u00e9 chefe:<\/p>\n<p>&#8211; V\u00e1 jogar, mas traga o t\u00edtulo!<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, a carreira de Regina C\u00e9lia da Silva Vieira \u00e9 vitoriosa, com muitos t\u00edtulos em quadra ou fora dela, nos gabinetes onde trabalhou, em universidades ou salas de aula, efim.<\/p>\n<p>Professora e advogada, conheceu cerca de 35 pa\u00edses, o que contribuiu para a sua constante atualiza\u00e7\u00e3o cultural. \u201cTudo isso ajuda a melhorar como ser humano. E, se n\u00e3o se atualizar, que vida boba seria, n\u00e9\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>\u201cSe eu n\u00e3o tivesse sido atleta, n\u00e3o sei o que teria sido.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>A minha adrenalina, os meus picos dos horm\u00f4nios que d\u00e3o prazer<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>estavam na quadra. Ainda bem que pude jogar\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Regina C\u00e9lia da Silva Vieira<\/em><\/p>\n<p><strong>Nota da Reda\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p>Originalmente, o t\u00edtulo \u201cA pequena not\u00e1vel\u201d foi aplicado a Carmem Miranda, portuguesa que chegou ao Brasil ainda crian\u00e7as, se consagrou como cantora e ganhou prest\u00edgio internacional.<\/p>\n<p>Assim como na m\u00fasica, o futsal tamb\u00e9m teve a sua \u201cPequena not\u00e1vel\u201d, express\u00e3o ganhou espa\u00e7o nos dicion\u00e1rios com a seguinte defini\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<ol>\n<li>digno de nota, de aten\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>que pode ser percebido; apreci\u00e1vel, sens\u00edvel.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0H\u00e9lio Tremendani e Jos\u00e9 Cruz Goleira de 1,59m relembra a fa\u00e7anha do time de futsal feminino da ARUC, o \u00fanico de Bras\u00edlia a se tornar campe\u00e3o brasileiro. 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