{"id":2413,"date":"2024-04-18T17:25:43","date_gmt":"2024-04-18T20:25:43","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/?p=2413"},"modified":"2024-04-18T17:26:05","modified_gmt":"2024-04-18T20:26:05","slug":"a-ousadia-do-equilibrio-como-uma-atleta-usou-o-esporte-e-os-estudos-para-enfrentar-o-machismo-e-o-racismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/2024\/04\/18\/a-ousadia-do-equilibrio-como-uma-atleta-usou-o-esporte-e-os-estudos-para-enfrentar-o-machismo-e-o-racismo\/","title":{"rendered":"A OUSADIA DO EQUIL\u00cdBRIO: Como uma atleta usou o esporte e os estudos\u00a0para enfrentar o machismo e o racismo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por\u00a0H\u00e9lio Tremendani e Jos\u00e9 Cruz<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Camilla Dayse n\u00e3o se abateu na derrota por 42&#215;2 no primeiro jogo amistoso de handebol que disputou, ainda nos tempos de escola. Havia uma explica\u00e7\u00e3o para a goleada sofrida pelo Col\u00e9gio Batista Ludovicense contra o Col\u00e9gio Dom Bosco, na capital S\u00e3o Lu\u00eds, que tinha estrutura superior e at\u00e9 oferecia bolsa para os seus melhores atletas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Era o in\u00edcio de uma jornada esportiva que dura at\u00e9 hoje, e Camilla j\u00e1 esperava por dificuldades, em quadra e fora dela. Por\u00e9m, estava determinada e repetia:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>\u201cApesar de tudo, n\u00e3o desistir\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_2414\" aria-describedby=\"caption-attachment-2414\" style=\"width: 618px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/camila1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-2414\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/camila1-750x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"618\" height=\"844\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/camila1-750x1024.jpg 750w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/camila1-220x300.jpg 220w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/camila1-768x1048.jpg 768w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/camila1.jpg 1083w\" sizes=\"auto, (max-width: 618px) 100vw, 618px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2414\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Jos\u00e9 Cruz<\/figcaption><\/figure>\n<p>Dificuldades n\u00e3o faltaram para essa mulher de Imperatriz do Maranh\u00e3o, hoje com 30 anos. Algumas, bem desafiadoras para o emocional do ser humano. Por exemplo, enfrentar e combater o machismo e o racismo nas suas mais diferentes formas, entre elas a exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, foi com esse perfil e mesmo com pouco tempo morando em Bras\u00edlia, aonde chegou em 2008, que Camilla j\u00e1 faz parte da hist\u00f3ria da Capital da Rep\u00fablica, tanto pela intensa pr\u00e1tica esportiva quanto por ter se tornado uma persistente combatente do racismo.<\/p>\n<p><strong>A carreira<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.00-2.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2415 size-medium\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.00-2-240x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.00-2-240x300.jpeg 240w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.00-2-820x1024.jpeg 820w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.00-2-768x959.jpeg 768w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.00-2.jpeg 1079w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a>Depois das primeiras jogadas no Maranh\u00e3o, Camilla intensificou a sua participa\u00e7\u00e3o no handebol, quando se mudou para Bras\u00edlia. Inicialmente no time Anjos de Handebol e, depois, na escola. Ganhou o apoio de uma amiga, que era t\u00e9cnica, e foi evoluindo, at\u00e9 chegar ao D\u00ednatos COC, no Plano Piloto, onde se destacou e ganhou uma bolsa de estudos.<\/p>\n<p>\u201cO D\u00ednatos era uma \u00f3tima escola, pois tamb\u00e9m me oferecia boa base de prepara\u00e7\u00e3o para o vestibular da UnB\u201d, conta a jogadora.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, foi pelo Faro \u00a0que Camilla disputou a sua primeira competi\u00e7\u00e3o oficial como atleta federada, a Copa JK, onde conquistou a medalha de bronze.<\/p>\n<p><strong>Universit\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>O tempo passou e Camilla chegou \u00e0 UnB. Inicialmente, para cursar Engenharia de Energia.<\/p>\n<p>\u201cPouco tempo depois, troquei para Engenharia Ambiental\u201d, relembra, curso em que se formou em 2023. E, nas horas de lazer, seguia jogando. Como acad\u00eamica disputou sete campeonatos brasileiros universit\u00e1rios de handebol pela UnB, onde ganhou duas medalhas de prata e duas de bronze.<\/p>\n<p><strong>Quest\u00e3o racial <\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m do ensino superior, chegar \u00e0 UnB foi um incentivo para que Camilla entrasse de vez no debate sobre um grave problema que a atormentava:<\/p>\n<p><strong><em>\u201cNa Universidade, conheci mais sobre o assunto e comecei a entender melhor a quest\u00e3o da mulher negra e seus conflitos na sociedade, o que muito me animou a me manifestar com maior conhecimento sobre essa quest\u00e3o\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Assim, participando de movimentos, a primeira causa que ela combateu foi a do machismo. As \u00a0mulheres da Atl\u00e9tica de Engenharia criaram uma bandeira, com frases de efeito, no uniforme, inclusive. Isso foi me empoderando para poder falar sobre as quest\u00f5es femininas e da mulher negra, principalmente\u201d.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0\u201cNa pr\u00e1tica, o conflito do machismo e do racismo se acentuaram com a minha entrada para a Universidade. Como explicar sobre uma mulher frequentando curso de engenharia? em segundo lugar, era uma negra estudando no espa\u00e7o do branco&#8230;\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong>O depoimento de Camilla, sem meias palavras, d\u00e1 a dimens\u00e3o da gravidade desse problema que tristemente persiste, tamb\u00e9m no esporte, aqui e no exterior.<\/p>\n<p><strong>Desabafo<\/strong><\/p>\n<p>\u201cQuando entrei no curso de Engenharia Ambiental, eu era a \u00fanica mulher em algumas mat\u00e9rias. Nesses ambientes, somos sempre minoria. A\u00ed come\u00e7avam as d\u00favidas: ser\u00e1 que eu deveria estar ali? Em decorr\u00eancia, surgia uma autocobran\u00e7a, pois eu tinha que me desdobrar para mostrar que era capaz, sim, de estar naquele espa\u00e7o, naquele curso. Eu havia me habilitado para isso\u201d.<\/p>\n<p><strong><em>\u201cO negro tem sempre que se desdobrar mais para justificar a presen\u00e7a em certos espa\u00e7os e ainda deve dar explica\u00e7\u00f5es para mostrar a sua capacidade para ser algu\u00e9m\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.00-1.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-2416\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.00-1-1024x445.jpeg\" alt=\"\" width=\"618\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.00-1-1024x445.jpeg 1024w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.00-1-300x131.jpeg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.00-1-768x334.jpeg 768w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.00-1-1536x668.jpeg 1536w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.00-1.jpeg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 618px) 100vw, 618px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Mais d\u00favidas<\/strong><\/p>\n<p>Fora da sala de aula, o constrangimento continuava em outros ambientes. Por ser mulher e negra j\u00e1 havia passado por momentos constrangedores. Por exemplo:<\/p>\n<p>\u201cQuando fui morar num pr\u00e9dio da Asa Norte, os porteiros me perguntavam se eu morava, mesmo, ali, como se isso n\u00e3o fosse poss\u00edvel. E isso durou tr\u00eas meses\u201d&#8230;<\/p>\n<p><strong>Sa\u00fade<\/strong><\/p>\n<p>Nessa conviv\u00eancia nada saud\u00e1vel, Camilla desenvolveu um problema s\u00e9rio, \u201ctranstorno de ansiedade\u201d. Sofria de crises de p\u00e2nico que atrapalhavam, tamb\u00e9m, os seus estudos, pois as noites eram de ins\u00f4nias constantes.<\/p>\n<p>\u201cSou privilegiada porque tenho condi\u00e7\u00f5es para pagar uma terapia. Acredito nesse processo e sou testemunha de que esse apoio \u00e9 muito importante\u201d.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>\u201cHoje, sou outra pessoa, mais consciente sobre toda essa realidade, com argumentos<\/em><\/strong>\u00a0<strong><em>que ajudem a combater o racismo. <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Segue o jogo<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.01-1.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-2418\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.01-1-261x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"261\" height=\"300\" \/><\/a>Atleta com boa t\u00e9cnica e muito aguerrida, Camilla \u00e9 uma jogadora visada em quadra, pois joga bem, ataca bem e aproveita os vacilos do advers\u00e1rio, na avalia\u00e7\u00e3o de H\u00e9lio Tremendani, da ARUC, onde ela tamb\u00e9m joga.<\/p>\n<p>Por conta desse desempenho, Camilla \u00e9 frequentemente contratada para refor\u00e7ar equipes de outros estados. Por isso, tornou-se uma \u201catleta rodada\u201d, como se diz, pois atende a frequentes convites para jogar aqui e ali.<\/p>\n<p><strong><em>\u201cJ\u00e1 joguei em todas as regi\u00f5es brasileiras, em Rond\u00f4nia, inclusive. \u00c9 uma forma de me manter ativa no esporte\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong>Numa dessas sa\u00eddas, em 2013, jogando em S\u00e3o Paulo, rompeu o ligamento esquerdo. Precisou passar por cirurgia e longa recupera\u00e7\u00e3o, o que lhe provocou um quadro depressivo preocupante. \u201cEu n\u00e3o tinha \u00e2nimo para nada\u201d, recorda.<\/p>\n<p>\u201cFoi quando decidi mudar de curso (Engenharia El\u00e9trica para a Ambiental). Isso me fez bem, pois eu estava precisando de uma mudan\u00e7a para me reanimar\u201d, revela.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima meta de Camilla nos estudos \u00e9 frequentar o Mestrado. Chegar\u00e1 \u00e0 Universidade em outras condi\u00e7\u00f5es. Ela mesma reconhece: \u201cA Camilla de agora tem mais ferramentas para enfrentar os desafios\u201d, afirma, confiante.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Em Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.00.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-2417\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.00-270x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.00-270x300.jpeg 270w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.00-921x1024.jpeg 921w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.00-768x854.jpeg 768w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.00.jpeg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/a>Em Bras\u00edlia, Camilla se reveza entre dois times, o da UnB e o da ARUC.<\/p>\n<p>\u201cA UnB tem um time muito competitivo. A maioria das jogadoras j\u00e1 se formou, mas continua unida e conversando, mesclando atletas mais velhas com as mais novas. Tudo isso me ajudou. Na verdade, eu era muito calada e, hoje, sou mais expansiva.<\/p>\n<p>J\u00e1 na ARUC, Camilla est\u00e1 h\u00e1 dois anos. Chegou l\u00e1 convidada pelo t\u00e9cnico Mois\u00e9s Vieira, e j\u00e1 conquistou o t\u00edtulo de campe\u00e3 Master de 2023.<\/p>\n<p><strong>Trabalho<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente, Camilla trabalha com catadores de lixo, mulheres negras, em geral, que se dedicam \u00e0 reciclagem de embalagens para retorno \u00e0 cadeia produtiva. Esse ambiente permite que Camilla possa lembrar de realidades j\u00e1 vividas.<\/p>\n<p><strong>Apoio<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e9lio Tremendani lembra que o preconceito existe, inclusive, com as institui\u00e7\u00f5es. E cita o caso do bairro Cruzeiro, onde se criou e mora at\u00e9 hoje. \u00c9 dele o seguinte relato:<\/p>\n<p><strong><em>Camilla e H\u00e9lio, defensores da mesma causa<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u201cEu tamb\u00e9m vivi situa\u00e7\u00f5es parecidas. Minhas irm\u00e3s, principalmente. Quando a ARUC entrou para disputar competi\u00e7\u00f5es federadas de esporte havia um preconceito, porque o Cruzeiro ainda era um bairro abandonado. Mas era ali mesmo que um time de uma escola de Samba aparecia em Bras\u00edlia. Encontr\u00e1vamos resist\u00eancia com as demais equipes, como a do Minas T\u00eanis CLUBE, a do Iate, da AABB, APCEF e a do Unidade Vizinhan\u00e7a. Para esses clubes era uma desmoraliza\u00e7\u00e3o perder para a ARUC, considerado por eles um time de favela&#8230; Mas, a\u00ed entrava o nosso orgulho: ningu\u00e9m vai nos intimidar. E assim venc\u00edamos onde entr\u00e1vamos para disputar. O preconceito \u00e9 muito forte. Mas, sobrevivemos\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Depoimento<\/strong><\/p>\n<p><em>A entrevista com Camilla termina com um depoimento dela em que exp\u00f5e como buscou for\u00e7as para manter o equil\u00edbrio, superar as adversidades sociais e conquistar o seu espa\u00e7o de forma honrada:<\/em><\/p>\n<blockquote><p><strong><em>\u201cEntrar para a universidade, ter apoio psicol\u00f3gico, jogar handebol e trabalhar foram ambientes importantes para eu enfrentar os conflitos como o machismo, o racismo e a depress\u00e3o.\u00a0 Essa conjuga\u00e7\u00e3o de ambientes ajudou a entender o comportamento do indiv\u00edduo na sociedade. Comecei a falar nos grupos de Atl\u00e9tica, que existem em cada curso para promover o esporte e a integra\u00e7\u00e3o entre alunos. Aproveitei que tinha algum destaque no esporte para impor condi\u00e7\u00f5es, tipo: ou voc\u00eas mudam esse comportamento ou eu n\u00e3o jogo! E vi muita coisa mudar. Por exemplo, nos Jogos Universit\u00e1rios, os gritos de ofensa agora s\u00e3o para enaltecer os atletas. Agora \u00e9 torcida, mesmo!\u00a0 O time feminino foi se fortificando. Entendi que falar, para mim, \u00e9 uma premissa importante. A palavra \u00e9 o que me move, me tr\u00e1s est\u00edmulo. Eu era calada e fui me tornando e me empoderando atrav\u00e9s da palavra. Consegui algo importante, aquilo que eu n\u00e3o concordava passei a falar, sobre os atos machistas, por exemplo. Muitas meninas come\u00e7aram a me apoiar, n\u00e3o fui sozinha, mas plantei a semente. Ela floresceu. Jogos sem machismo \u00e9 a norma, numa campanha que veio do Rio de Janeiro. Mas, ainda estamos muito longe da igualdade social. Para que isso aconte\u00e7a, tem que refor\u00e7ar pol\u00edticas p\u00fablicas para tratar a todos com equidade\u201d.<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><strong><em> <a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.01.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-2419 size-large\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.01-1024x892.jpeg\" alt=\"\" width=\"618\" height=\"538\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.01-1024x892.jpeg 1024w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.01-300x261.jpeg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.01-768x669.jpeg 768w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/WhatsApp-Image-2024-04-16-at-13.40.01.jpeg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 618px) 100vw, 618px\" \/><\/a><\/em><\/strong><strong>Campanhas<\/strong><\/p>\n<p>No handebol, Camilla disputou sete campeonatos universit\u00e1rios (JUBs) e quatro Ligas Nacionais. Jogou em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds e durante oito anos disputou campeonatos regionais e abertos em S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, SP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0H\u00e9lio Tremendani e Jos\u00e9 Cruz \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Camilla Dayse n\u00e3o se abateu na derrota por 42&#215;2 no primeiro jogo amistoso de handebol que disputou, ainda nos tempos de escola. Havia uma explica\u00e7\u00e3o para a goleada sofrida pelo Col\u00e9gio Batista Ludovicense contra o Col\u00e9gio Dom Bosco, na capital S\u00e3o Lu\u00eds, que tinha estrutura superior e at\u00e9 oferecia &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2418,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,3,6,4,14],"tags":[],"class_list":["post-2413","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-colunistas","category-destaque","category-entrevistas","category-esporte","category-jose-cruz"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2413","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2413"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2413\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2422,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2413\/revisions\/2422"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2418"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2413"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2413"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2413"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}