{"id":2277,"date":"2024-02-11T11:50:47","date_gmt":"2024-02-11T14:50:47","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/?p=2277"},"modified":"2024-02-11T15:47:26","modified_gmt":"2024-02-11T18:47:26","slug":"a-cultura-carnavalesca-e-a-paixao-pelo-samba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/2024\/02\/11\/a-cultura-carnavalesca-e-a-paixao-pelo-samba\/","title":{"rendered":"A cultura carnavalesca\u00a0e a paix\u00e3o pelo samba"},"content":{"rendered":"<p>Por\u00a0H\u00e9lio Tremendani e Jos\u00e9 Cruz<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong><em>O convite para uma entrevista se transformou numa valiosa aula de introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura musical, \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do samba e \u00e0 dan\u00e7a, em geral, em suas v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es. <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>A sambista, passista, professora de dan\u00e7a e Rainha da Bateria da Escola de Samba da ARUC, Ver\u00f4nica Nu\u00f1es Amaral, foi did\u00e1tica em suas respostas. <\/em><\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_2278\" aria-describedby=\"caption-attachment-2278\" style=\"width: 567px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/rainha-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2278 size-full\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/rainha-1.jpg\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"862\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/rainha-1.jpg 567w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/rainha-1-197x300.jpg 197w\" sizes=\"auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2278\" class=\"wp-caption-text\">Ver\u00f4nica, Rainha da Bateria da ARUC (Cr\u00e9dito: @umaitamatos)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>A arte em fam\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Nascida em Bras\u00edlia h\u00e1 trinta anos, Ver\u00f4nica herdou do av\u00f4, \u00edndio inca peruano, o sobrenome Nu\u00f1es. A\u00ed est\u00e1 uma das origens pelo gosto art\u00edstico-musical manifestado por Ver\u00f4nica, mostrando carinho especial por aquele povo de tradi\u00e7\u00f5es festivas, com suas vestes coloridas e difusor do som de ra\u00edzes andinas com influ\u00eancias espanholas e africanas.<\/p>\n<p>J\u00falio C\u00e9zar Nu\u00f1es, pai de Teresa Cristina, m\u00e3e de Ver\u00f4nica, era artes\u00e3o. Ele esculpia lindas pe\u00e7as em pedra quartzo e vendia na Feira da Torre de TV, segundo a neta.\u00a0 \u201cE a minha av\u00f3 materna, baiana, chegou a ter v\u00ednculos com a etnia cigana\u201d, revela a neta. Teresa Cristina, por sua vez, \u00e9 uma ex\u00edmia dan\u00e7arina de dan\u00e7as \u00e1rabes e ciganas que, claro, influenciou nos rumos art\u00edsticos da filha.<\/p>\n<p>J\u00e1 o pai de Ver\u00f4nica, Enildo Amaral, nasceu em Rio Bonito, interior do Rio de Janeiro. Mas, com 17 anos veio morar em Bras\u00edlia e, por isso, se considera um \u201cbrasiliense de cora\u00e7\u00e3o\u201d. Toda essa rela\u00e7\u00e3o familiar tem a ver com a sambista que se formou, Ver\u00f4nica, personagem principal desta reportagem.<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>\u201cMeu pai me trouxe o amor pela m\u00fasica, principalmente. Quando jovem tinha uma banda de rock. Sempre cantou e tocou viol\u00e3o muito bem. Cresci escutando e apreciando sua m\u00fasica, que era, majoritariamente, rock nacional e MPB.<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>Chance para a dan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>\u201cNa dan\u00e7a, meu pai sempre foi coruja, sempre esteve presente nas minhas apresenta\u00e7\u00f5es. Ele atuava como fot\u00f3grafo profissional na cobertura dos eventos onde eu estava com outras artistas. Depois, revelava e vendia\u00a0as\u00a0fotos\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o restam d\u00favidas de que as suas origens e o ambiente em que se criou foram incentivo para que Ver\u00f4nica, a ca\u00e7ula de tr\u00eas irm\u00e3os, adquirisse o gosto pelo ritmo musical. Da\u00ed para iniciar na carreira art\u00edstica foi apenas um convite feito pela m\u00e3e.<\/p>\n<p>\u201cUm dia, a minha m\u00e3e me convidou para uma aula experimental de dan\u00e7a do ventre. Eu tinha 6 ou 7 anos de idade, por a\u00ed. Fui e gostei\u201d.<\/p>\n<p>Assim, o que seria \u201cexperimental\u201d entrou na agenda de Ver\u00f4nica, mas com uma condi\u00e7\u00e3o: os programas infantis da TV Globinho, s\u00e1bado de manh\u00e3, deveriam ser respeitados. Aqueles hor\u00e1rios eram \u201csagrados\u201d, pois tinham \u201cos melhores desenhos da \u00e9poca, eu n\u00e3o poderia ter aula naqueles hor\u00e1rios\u201d, lembra ela, com olhar de saudade. Mas, foi assim que come\u00e7ou uma paix\u00e3o duradoura&#8230;<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>\u201cCom certeza me identifiquei com a dan\u00e7a. Era algo l\u00fadico, gostei mesmo. Foi assim que a dan\u00e7a entrou na minha vida. Experimentei v\u00e1rios estilos e ritmos, a dan\u00e7a do ventre, o hip hop, dan\u00e7a de sal\u00e3o, de gafieira, o forr\u00f3&#8230;\u201d<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Ver\u00f4nica tem mais uma irm\u00e3, que, quer fazer aula de samba. Sem d\u00favida, tem escola em casa! J\u00e1 o irm\u00e3o, Eduardo, herdou do pai o gosto pelo viol\u00e3o, instrumento que \u201ctoca muito bem\u201d, segundo Ver\u00f4nica. \u201cMas, tamb\u00e9m, tem um qu\u00ea\u201d da minha m\u00e3e, pois pratica a dan\u00e7a \u00e1rabe e cigana.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2279\" aria-describedby=\"caption-attachment-2279\" style=\"width: 567px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/rainha-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2279\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/rainha-2.jpg\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"668\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/rainha-2.jpg 567w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/rainha-2-255x300.jpg 255w\" sizes=\"auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2279\" class=\"wp-caption-text\">Teresa Cristina com os filhos, Eduardo e Ver\u00f4nica (Acervo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Resgate para o samba<\/strong><\/p>\n<p>O tempo passou. Ver\u00f4nica integrava um grupo folcl\u00f3rico de dan\u00e7as \u00e1rabes, formado por homens e mulheres, com apresenta\u00e7\u00f5es frequentes. Com 17 anos, estava na terceira s\u00e9rie do ensino m\u00e9dio e o tempo para ensaios come\u00e7ou a ficar apertado. Era preciso pensar no futuro profissional e, por isso, afastou-se da dan\u00e7a, da dan\u00e7a do ventre, inclusive.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2280\" aria-describedby=\"caption-attachment-2280\" style=\"width: 551px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/rainha-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2280\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/rainha-3.jpg\" alt=\"\" width=\"551\" height=\"847\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/rainha-3.jpg 551w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/rainha-3-195x300.jpg 195w\" sizes=\"auto, (max-width: 551px) 100vw, 551px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2280\" class=\"wp-caption-text\">Teresa Cristina e Ver\u00f4nica, m\u00e3e e filha em exibi\u00e7\u00e3o conjunta (Cr\u00e9dito: @galeranafoto)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Mas, com 26 anos \u201cminha m\u00e3e me resgatou, dessa vez para o samba. Fiz uma primeira aula com Flavinho Sambista e com Isabela Teles, gostei e fui investindo\u201d.<\/p>\n<p>Em 2022 veio a pandemia e, em decorr\u00eancia, as inova\u00e7\u00f5es, como os cursos online, e Ver\u00f4nica se manteve em aula com Isabela e com um grupo de profissionais do Rio de Janeiro. Na sequ\u00eancia, ingressou no Aret\u00e9 Brasil, grupo de dan\u00e7a, cuja m\u00e3e \u00e9 a fundadora e diretora art\u00edstica. Aret\u00ea ou aret\u00e9 \u00e9 uma palavra grega que expressa o conceito de \u201cexcel\u00eancia\u201d e \u201calegria\u201d.<\/p>\n<p><strong>Convites<\/strong><\/p>\n<p>O grupo brasiliense ganhou visibilidade e os convites para apresenta\u00e7\u00f5es eram frequentes, para o exterior, inclusive. Foi assim que o Aret\u00e9 Brasil se apresentou na It\u00e1lia e na Gr\u00e9cia. E, para este ano, j\u00e1 h\u00e1 convites para apresenta\u00e7\u00f5es na Col\u00f4mbia e no Equador.<\/p>\n<p>Na volta da viagem da Europa, Teresa Cristina convidou Ver\u00f4nica para ser professora de um grupo de alunas. \u201cAceitei o convite. Para dar aula tenho que aprender mais, \u00e9 isso se torna um processo cont\u00ednuo de aprendizado. Venho me aprimorando com minha m\u00e3e. Ela me orientou e me orienta bastante, minha eterna professora\u201d.<\/p>\n<p>O grupo que Ver\u00f4nica trabalha \u00e9 formado por mulheres de 47 anos para cima. Tem uma de 70 anos, o que demonstra como a dan\u00e7a \u00e9 uma atividade inclusiva, independentemente da idade.<\/p>\n<p>Na verdade, esse grupo \u00e9 de mulheres que j\u00e1 tiveram outras viv\u00eancias com dan\u00e7as. Por isso, a professora avan\u00e7ou, progressivamente, nas dan\u00e7as coreogr\u00e1ficas, por exemplo, com caracter\u00edsticas para apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e em festivais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2285\" aria-describedby=\"caption-attachment-2285\" style=\"width: 456px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/WhatsApp-Image-2024-02-11-at-14.37.53.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2285 size-large\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/WhatsApp-Image-2024-02-11-at-14.37.53-456x1024.jpeg\" alt=\"\" width=\"456\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/WhatsApp-Image-2024-02-11-at-14.37.53-456x1024.jpeg 456w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/WhatsApp-Image-2024-02-11-at-14.37.53-134x300.jpeg 134w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/WhatsApp-Image-2024-02-11-at-14.37.53-684x1536.jpeg 684w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/WhatsApp-Image-2024-02-11-at-14.37.53.jpeg 713w\" sizes=\"auto, (max-width: 456px) 100vw, 456px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2285\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Jos\u00e9 Cruz<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Profissional e passista<\/strong><\/p>\n<p>Agora, aos 30 anos, esbelta, bonita, culta e com discurso muito bem articulado, Ver\u00f4nica divide as suas atividades art\u00edsticas-musicais com a de profissional em \u201cConsultoria de Prote\u00e7\u00e3o Financeira\u201d. Traduzindo, ela orienta a fazer planejamento financeiro individualizado.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, no seu perfil de 1,70m, ela se mant\u00e9m discreta e n\u00e3o permite que se identifique nela uma apaixonada pela dan\u00e7a, pelos ritmos em geral \u2013 o samba em especial \u2013 e passista de primeira. Foi nesse contexto que Ver\u00f4nica se tornou conhecida e conquistou o seu espa\u00e7o na linha de frente da bateria da Escola de Samba da Associa\u00e7\u00e3o Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro \u2013 ARUC.<\/p>\n<p>No ano passado, Ver\u00f4nica conheceu o Mestre Marquinho, da Escola de Samba Bola Preta, de Sobradinho, durante uma oficina de percuss\u00e3o, que ele oferecia. Em seguida veio um convite e mais um desafio: coordenar a ala das passistas da Escola, que passaram a receber aulas de samba por ela ministradas<strong>.<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong><em>\u201cFoi uma surpresa, uma ascens\u00e3o muito r\u00e1pida\u201d<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A apar\u00eancia <\/strong><\/p>\n<p>Como se sabe, o samba tem a raiz da cultura africana no Brasil. Vem do tempo dos sambas de roda, quando os negros dan\u00e7avam nos terreiros, nos fundos dos quintais, embaladas pelo ritmo musical das batucadas. Com essa origem e identidade negra pode parecer estranho que, agora, seja uma sambista branca a rainha de bateria da mais premiada escola do Carnaval de Bras\u00edlia, a ARUC. <strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Ao aceitar os convites em Bras\u00edlia, Ver\u00f4nica n\u00e3o se apresentava como caso in\u00e9dito de sambista branca.<\/p>\n<p>H\u00e1 exemplos de famosas que fizeram sucesso em outros carnavais, como Karine Grum, que em 2023 desfilou pela segunda vez consecutiva como Rainha da Bateria da Drag\u00f5es da Real, escola de samba da torcida organizada do S\u00e3o Paulo F.C.<\/p>\n<p>J\u00e1 no Rio de Janeiro, Sabrina Sato (de origem oriental), desfila \u00e0 frente da bateria da Escola de Santa de Vila Isabel e Paola Oliveira, na Grande Rio.<\/p>\n<p><strong>Tranquila<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo diante dessa realidade, Ver\u00f4nica quis saber do Mestre L\u00e9o (Daniel Leonardo) quando a convidou para ser a Rainha da Bateria: \u201cPorque eu e n\u00e3o outra pessoa\u201d? E insistiu na tese de que Rainha da Bateria tinha que ser \u201cuma beldade negra\u201d.<\/p>\n<p>A resposta foi que havia candidatas negras, mas n\u00e3o estavam dispon\u00edveis, devido outros compromissos. \u201cMe senti com a consci\u00eancia mais tranquila\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, outros fatos contribu\u00edram para que ela se convencesse que n\u00e3o estava invadindo \u00e1rea exclusiva.<\/p>\n<p>Na reflex\u00e3o de Ver\u00f4nica, por exemplo, os desfiles das escolas de samba misturam a influ\u00eancia de tr\u00eas etnias: \u00e0 ra\u00e7a negra \u2013 origem hist\u00f3rica, m\u00fasica e dan\u00e7a \u2013, ao povo ind\u00edgena, nas fantasias com penas coloridas e \u00e0 ra\u00e7a branca, com o seu envolvimento na constru\u00e7\u00e3o do samba-enredo e na competi\u00e7\u00e3o entre as escolas de samba.<\/p>\n<p><strong>Agradecimento<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u201cMe sinto honrada estar \u00e0 altura de poder contar um pouco da minha hist\u00f3ria e fazer parte da hist\u00f3ria do Cruzeiro e da ARUC. O convite para ser a Rainha da Bateria dessa Escola foi a maior oportunidade de me apresentar como sambista. Ter no curr\u00edculo essa passagem pela ARUC \u00e9 relevante e sobretudo de indescrit\u00edvel emo\u00e7\u00e3o\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>Palavra de especialista<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>H\u00e9lio, carnavalesco, ex-presidente da ARUC, na entrevista com Ver\u00f4nica<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>\u201cSobre a escolha de uma sambista branca para Rainha da Bateria, acredito que isso sugere que o Carnaval precisa se abrir mais, n\u00e3o pode ficar concentrado em grupos. Atrav\u00e9s da diversidade das ra\u00e7as o Carnaval se torna mais inclusivo. Na ARUC, a escolha da Rainha da Bateria \u00e9 feita pelo Mestre da Bateria e seus integrantes. E, assim, Ver\u00f4nica foi a escolhida. Porque n\u00e3o temos uma sambista negra vamos ficar sem a Rainha da Bateria\u201d?<\/em><\/strong><strong> \u2013 argumenta H\u00e9lio Tremendani<\/strong><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Carga cultural<\/strong><\/p>\n<p>A diversidade cultural que se formou \u2013 e continua se formando \u2013 em Bras\u00edlia, com manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas-musicais de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds, \u00e9 outro tema que Ver\u00f4nica sugere para um bom debate.<\/p>\n<p>Ela lembra que, ao contr\u00e1rio de outras pessoas que vieram de seus estados para a capital, os que aqui nasceram n\u00e3o t\u00eam essa carga cultural muito forte. At\u00e9 porque, Bras\u00edlia n\u00e3o tem um folclore pr\u00f3prio, por isso concentra as manifesta\u00e7\u00f5es de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Rever\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Com isso ela explica as suas prefer\u00eancias, com o samba. Mas, com uma ressalva: \u201cTamb\u00e9m reverencio demais a dan\u00e7a do ventre\u201d \u2013 onde tudo come\u00e7ou para mim. E explica:<\/p>\n<p>\u201cA dan\u00e7a do ventre vem da cultura \u00e1rabe. Ao exibir essa dan\u00e7a, tamb\u00e9m manifesto a minha gratid\u00e3o pela consci\u00eancia corporal que tenho, pois se trata da mais feminina das dan\u00e7as que existe, mas sem aquele pertencimento que o samba nos traz. A dan\u00e7a do ventre, por\u00e9m, conversa com o samba e era o que faltava. O samba est\u00e1 na minha cultura, est\u00e1 no meu sangue, no meu pa\u00eds. E traz esse pertencimento de cultura nacional, mesmo eu sendo brasiliense\u201d.<\/p>\n<p><strong>Apoio e orgulho<\/strong><\/p>\n<p>Para cumprir essa agenda agitada de uma rainha sambista, participar de ensaios, ministrar aulas e se manter ativa em todos os seus compromissos profissionais, Ver\u00f4nica tem um apoio valioso, do marido, Michel Pinheiro da Silva, brasiliense, que d\u00e1 o suporte e a tranquilidade que ela precisa. Nesta entrevista, ela tomou a iniciativa de cit\u00e1-lo:<\/p>\n<p><strong><em>\u201cEle (Michel) sabe, por exemplo, que se apresentar numa escola de samba exige uma exposi\u00e7\u00e3o maior do corpo. Por isso, \u00e9 preciso ter um homem muito seguro do teu lado para te achar linda nessa condi\u00e7\u00e3o de artista e ter orgulho de dizer que est\u00e1 casado com uma Rainha de Bateria de uma escola de samba\u201d, <\/em><\/strong><strong>resume Ver\u00f4nica sobre essa rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a do casal.<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>Frustra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 este ano que Ver\u00f4nica ir\u00e1 estrear \u00e0 frente da Bateria da ARUC. Problemas burocr\u00e1ticos que n\u00e3o foram tratados a tempo levaram \u00e0 suspens\u00e3o do desfile oficial das escolas de samba, em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso que frustra a Rainha Ver\u00f4nica. Ela v\u00ea o Carnaval, Brasil afora, como uma grandiosa manifesta\u00e7\u00e3o cultural. E cita a diferen\u00e7a de ritmos e manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas dos blocos e escolas de samba que se observa.<\/p>\n<p>\u201cDa Bahia para Pernambuco, por exemplo, observa-se o registro da diferen\u00e7a de cultura de um estado para o outro. Cada um tem o seu \u00b4sotaque\u00b4, digamos assim, a sua express\u00e3o musical e art\u00edstica\u201d, explica. \u201cMas essa riqueza da cultura nem sempre tem o apoio p\u00fablico, essas manifesta\u00e7\u00f5es nem sempre s\u00e3o valorizadas e isso \u00e9 muito triste\u201d.<\/p>\n<p>Ver\u00f4nica encerra lembrando o exemplo do Rio de Janeiro, que trata os desfiles de forma profissional. \u201cAl\u00e9m de valorizar a cultura, esse assunto \u00e9 tratado como investimento de \u00f3timo retorno, retorno de bilh\u00f5es de reais\u201d.<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>\u201cApesar de n\u00e3o termos desfiles das nossas escolas de samba, desejo a todos os foli\u00f5es brasilienses um alegre Carnaval de 2024\u201d <\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0H\u00e9lio Tremendani e Jos\u00e9 Cruz \u00a0O convite para uma entrevista se transformou numa valiosa aula de introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura musical, \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do samba e \u00e0 dan\u00e7a, em geral, em suas v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es. A sambista, passista, professora de dan\u00e7a e Rainha da Bateria da Escola de Samba da ARUC, Ver\u00f4nica Nu\u00f1es Amaral, foi did\u00e1tica em &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2282,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,2,3,6,16,14],"tags":[],"class_list":["post-2277","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-colunistas","category-cultura","category-destaque","category-entrevistas","category-helio-tremendani","category-jose-cruz"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2277","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2277"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2277\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2288,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2277\/revisions\/2288"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2282"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2277"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2277"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2277"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}