{"id":2254,"date":"2024-01-14T13:21:40","date_gmt":"2024-01-14T16:21:40","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/?p=2254"},"modified":"2024-01-14T13:30:49","modified_gmt":"2024-01-14T16:30:49","slug":"a-cor-da-pele-ainda-espanta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/2024\/01\/14\/a-cor-da-pele-ainda-espanta\/","title":{"rendered":"A cor da pele\u00a0ainda espanta"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_2255\" aria-describedby=\"caption-attachment-2255\" style=\"width: 618px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/387750630_18390283180004574_7252927236269507174_n.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-2255\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/387750630_18390283180004574_7252927236269507174_n-1024x682.jpeg\" alt=\"\" width=\"618\" height=\"412\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/387750630_18390283180004574_7252927236269507174_n-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/387750630_18390283180004574_7252927236269507174_n-300x200.jpeg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/387750630_18390283180004574_7252927236269507174_n-768x511.jpeg 768w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/387750630_18390283180004574_7252927236269507174_n.jpeg 1440w\" sizes=\"auto, (max-width: 618px) 100vw, 618px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2255\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ricardo Bufolin\/CBG<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong><em>\u201cGeneticamente, somos todos iguais\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong>No in\u00edcio de outubro do ano passado, as principais TVs e portais j\u00e1 tinham escancarado a imagem. Em seguida, foram os jornais que mostraram em suas primeiras p\u00e1ginas a foto de tr\u00eas ginastas negras no mesmo p\u00f3dio da prova \u201cindividual geral\u201d do Mundial de Gin\u00e1stica Art\u00edstica, na Antu\u00e9rpia, B\u00e9lgica.<\/p>\n<p><strong>Espanto&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>O feito das nortes-americanas Shilese Jones (ouro) e Simone Biles (bronze) e da brasileira Rebeca Andrade (prata) surpreendeu e se tornou not\u00edcia \u201cvalorizada\u201d por serem atletas negras! Lamentavelmente, ainda convivemos com essa diferencia\u00e7\u00e3o da cor da pele&#8230; \u00c9 preciso entender que as ginastas competiram entre iguais, isto \u00e9, s\u00e3o seres humanos, antes de tudo! Por qu\u00ea transformar a cor da pele em not\u00edcia?<\/p>\n<p><strong>Quest\u00e3o social<\/strong><\/p>\n<p>Espanto seria se tiv\u00e9ssemos uma negra ou um negro num valorizado p\u00f3dio do t\u00eanis internacional, ou no hipismo; um nadador ou nadadora, por exemplo, considerando-se o seletivo acesso aos clubes que essas modalidades imp\u00f5em. O negro n\u00e3o est\u00e1, tamb\u00e9m, nesses p\u00f3dios porque foram \u201celiminados\u201d por quest\u00f5es sociais e econ\u00f4micas, mas n\u00e3o pela falta de capacidade de praticar essa ou aquela modalidade.<\/p>\n<p><strong>Pesquisa<\/strong><\/p>\n<p>A prop\u00f3sito desse tema, na mesma \u00e9poca da not\u00edcia esportiva, o bi\u00f3logo, geneticista e estat\u00edstico norte-americano, Alan Templeton, divulgou o resultado de uma pesquisa em que comparou mais de oito mil pessoas de v\u00e1rias partes do mundo, entre elas \u00edndios ianomamis e xavantes do Brasil. Uma de suas conclus\u00f5es diz que &#8220;as diferen\u00e7as gen\u00e9ticas entre grupos das mais distintas etnias s\u00e3o insignificantes\u201d. Disse mais: \u201cEncontrar um \u00edndio brasileiro n\u00e3o miscigenado ou mesmo um alem\u00e3o puro da ra\u00e7a ariana \u00e9 tarefa quase imposs\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>Classifica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 imprensa da Universidade Federal de Minas Gerais, Templeton afirmou:<\/p>\n<p>\u201cCuriosamente, foi aqui no Brasil que h\u00e1 mais de 20 anos eu senti &#8211; digo senti porque ainda n\u00e3o era algo cient\u00edfico, mas emocional mesmo &#8211; o quanto \u00e9 arbitr\u00e1ria a divis\u00e3o dos seres humanos em ra\u00e7as. Um professor da Universidade de S\u00e3o Paulo me contou que, numa viagem aos Estados Unidos, percebeu que l\u00e1, diferentemente do Brasil, as pessoas morenas ou pardas s\u00e3o consideradas negras.<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>Foi a\u00ed que comecei a compreender que a classifica\u00e7\u00e3o de pessoas em ra\u00e7as\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>\u00e9 feita a partir de uma viv\u00eancia cultural.<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Quest\u00e3o cultural<\/strong><\/p>\n<p>Ainda segundo o pesquisador norte-americano, \u201ca defini\u00e7\u00e3o de negro, para o brasileiro, \u00e9 diferente daquela usada por quem mora no Alaska. O conceito de ra\u00e7a, ao contr\u00e1rio do que se acredita, n\u00e3o \u00e9 biol\u00f3gico, mas cultural. Foi quando o rep\u00f3rter quis saber: \u201cSe n\u00e3o existem ra\u00e7as, porque um negro norte-americano \u00e9 t\u00e3o diferente de um japon\u00eas ou de um \u00edndio maxacali? \u2013 indagou o rep\u00f3rter.<\/p>\n<p><strong>Explica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201c<\/strong>Os genes, unidades que carregam todas as informa\u00e7\u00f5es sobre o organismo de um ser humano, determinam as caracter\u00edsticas f\u00edsicas. Mas as part\u00edculas que definem a cor do cabelo ou o formato do rosto s\u00e3o t\u00e3o poucas que perdem seu significado quando comparadas ao n\u00famero total de genes. A cor da pele de uma pessoa pode representar uma adapta\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica a certas condi\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas ao longo de sua evolu\u00e7\u00e3o. Na regi\u00e3o de origem dos negros, por exemplo, o sol \u00e9 bastante forte. Como o excesso de energia solar prejudica o organismo, a cor negra protege a pele contra os raios nocivos\u201d. E concluiu Alan Templeton:<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>\u201cN\u00e3o importa se h\u00e1 diferen\u00e7as na cor da pele, nas fei\u00e7\u00f5es do rosto, na estatura ou origem geogr\u00e1fica. Geneticamente,\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>somos todos iguais\u201d.<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Todos s\u00e3o iguais<\/strong><\/p>\n<p>Seja por preceito religioso \u2013 \u201ctodos s\u00e3o filhos de Deus\u201d \u2013 seja por direito constitucional \u2013 \u201ctodos s\u00e3o iguais perante a lei\u201d \u2013 \u00a0a cor da pele entre brancos e negros ainda sustenta discuss\u00f5es que n\u00e3o se pode mais aceitar. Tr\u00eas atletas negras estarem no mesmo p\u00f3dio \u00e9 t\u00e3o normal quanto tr\u00eas brancos recebendo medalhas. A valoriza\u00e7\u00e3o da not\u00edcia baseada na cor indigna.<\/p>\n<p><strong>Oportunidades<\/strong><\/p>\n<p>O resultado da ginasta brasileira, especificamente, n\u00e3o \u00e9 \u201cmilagre\u201d. Deve-se, principalmente, \u00e0 oportunidade que teve de frequentar projetos sociais de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos em comunidades carentes. Da mesma forma que j\u00e1 ocorreu com atletas do jud\u00f4, da canoagem, do boxe e do atletismo, por exemplo. Mas esses projetos n\u00e3o se repetem no t\u00eanis, na nata\u00e7\u00e3o, no hipismo, surfe&#8230; ainda reservados \u00e0 elite social. Essa \u00e9 a quest\u00e3o. Esse \u00e9 o debate.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2256\" aria-describedby=\"caption-attachment-2256\" style=\"width: 618px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/387029014_18390273325004574_6191524170644211693_n.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-2256\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/387029014_18390273325004574_6191524170644211693_n-1024x768.jpeg\" alt=\"\" width=\"618\" height=\"464\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/387029014_18390273325004574_6191524170644211693_n-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/387029014_18390273325004574_6191524170644211693_n-300x225.jpeg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/387029014_18390273325004574_6191524170644211693_n-768x576.jpeg 768w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/387029014_18390273325004574_6191524170644211693_n.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 618px) 100vw, 618px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2256\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ricardo Bufolin\/CBG<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cGeneticamente, somos todos iguais\u201d \u00a0No in\u00edcio de outubro do ano passado, as principais TVs e portais j\u00e1 tinham escancarado a imagem. 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