{"id":2088,"date":"2023-09-21T21:05:24","date_gmt":"2023-09-22T00:05:24","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/?p=2088"},"modified":"2023-09-21T21:05:24","modified_gmt":"2023-09-22T00:05:24","slug":"wander-abdalla-bons-tempos-aqueles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/2023\/09\/21\/wander-abdalla-bons-tempos-aqueles\/","title":{"rendered":"Wander Abdalla: Bons tempos aqueles&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0Por <\/strong><strong>H\u00e9lio Tremendani e Jos\u00e9 Cruz<\/strong><\/p>\n<p>O Milion\u00e1rio Futebol Clube, l\u00e1 no in\u00edcio de Bras\u00edlia, era rico s\u00f3 na marca, pois esse nome, \u201cinventado\u201d, sugeria uma ironia diante da falta de dinheiro da agremia\u00e7\u00e3o. Na pr\u00e1tica, os jogadores nada ganhavam, pois praticavam o esporte por divers\u00e3o, por prazer. Bons tempos em que vestiam a camisa \u201cpor amor ao clube\u201d. Ou \u00e0 bola!<\/p>\n<p>O mineiro Wander Abdalla era um dos craques do \u201cMilion\u00e1rio\u201d. Agora, tantos anos depois, numa entrevista em que revela muito saudosismo, ele abriu o seu ba\u00fa de mem\u00f3rias para contar fatos do futebol da capital federal que ele ajudou a construir.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-21-at-20.44.37.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-2089 size-medium\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-21-at-20.44.37-273x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"273\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<blockquote><p>\u201cInventei o Milion\u00e1rio Futebol Clube. O nome era uma ironia, uma provoca\u00e7\u00e3o, porque ningu\u00e9m ganhava nada, n\u00e3o havia dinheiro. Jog\u00e1vamos pelo prazer. Os jogadores eram todos aposentados, time de peladeiros, mas bons de bola. Faz\u00edamos jogos preliminares s\u00f3 para mostrar como se joga futebol\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Neto de s\u00edrio, Wander aqui chegou e 1959, um ano antes da inaugura\u00e7\u00e3o da nova capital. Nasceu em Conquista, pr\u00f3xima de Uberaba, no interior mineiro, onde, garoto, jogou bola na rua. Mas, desde ent\u00e3o, j\u00e1 demonstrava lideran\u00e7a ao organizar competi\u00e7\u00f5es de times formados pelos amigos. Em 1950, com 13 anos, ouviu pela R\u00e1dio Nacional o Brasil perder para o Uruguai, na tr\u00e1gica final da Copa do Mundo. A narra\u00e7\u00e3o daquele jogo, ele lembra, foi de Jorge Curi. Oduvaldo Cozzi, Waldir Amaral e Doalcey Bueno de Camargo eram outros cobras da locu\u00e7\u00e3o esportiva daquela \u00e9poca.<\/p>\n<p><strong>Curr\u00edculo<\/strong><\/p>\n<p>Toda essa viv\u00eancia ajudou a formar a personalidade esportiva de Wander Abdala. E foi com esse \u201ccurr\u00edculo\u201d que ele acabou se revelando um eficiente jogador, t\u00e9cnico e dirigente, com um desempenho que contribuiu para o surgimento de craques em Bras\u00edlia, entre eles Renaldo (Atl\u00e9tico Paranaense e Atl\u00e9tico Mineiro), Anderson (Guar\u00e1, Gama e Fluminense) e Gerson (Guar\u00e1, Gama e Guarani de Campinas).<\/p>\n<p><strong>Roteiro<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Antes de Bras\u00edlia, Wander atuou como profissional pelo Bela Vista, de Sete Lagoas, em Minas. Mas, quando ficou fora da delega\u00e7\u00e3o para uma excurs\u00e3o do clube pela Europa decidiu largar tudo e ir jogar no Goi\u00e2nia Esporte Clube. Dali, foi um pulo at\u00e9 Bras\u00edlia, para onde veio atra\u00eddo pelas novidades e desafios da nova Capital, ainda em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com um desempenho esportivo que durou sete d\u00e9cadas, Wander se consagrou entre os pioneiros do futebol amador e profissional, tornando-se uma das refer\u00eancias desse esporte em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>Garoto esperto<\/strong><\/p>\n<p>Quando aqui chegou, Wander foi trabalhar no Departamento de For\u00e7a e Luz (DFL). Ele era fiscal dos servi\u00e7os da Empresa Brasileira de Engenharia, que implantava a rede el\u00e9trica no Distrito Federal. Com o pessoal dispon\u00edvel, ele decidiu montar um time de futebol do Departamento claro,. A partir da\u00ed, as novas contrata\u00e7\u00f5es passaram a ser feitas de acordo com o perfil do candidato, entre elas as habilidades com a bola nos p\u00e9s.<\/p>\n<p>Foi assim que o DFL, nas cores vermelha e branca, deu o nome ao novo time de Bras\u00edlia, o \u201cDefel\u00ea\u201d, sigla que se consolidou ao longo dos anos e at\u00e9 hoje \u00e9 lembrada como a de um dos mais tradicionais times do futebol local.<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>\u201cO primeiro uniforme do Defel\u00ea foi doado pela Empresa Brasileira de Engenharia. E como a empresa tinha sede no Rio de Janeiro, de l\u00e1 vieram alguns refor\u00e7os que passaram a valorizar o futebol local\u201d<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Em 1960, Wander, como jogador e t\u00e9cnico de Defel\u00ea, contratou um treinador dos bons, o Seu Didi de Carvalho, que veio de Ponte Alta, interior de Minas Gerais. Na \u00e9poca, Didi era um profissional muito conhecido no futebol daquele estado. Em Bras\u00edlia, consagrou-se com o Defel\u00ea tornando-se bicampe\u00e3o (1960-1961). Seu Didi era pai de dois ex-jogadores, P\u00e9ricles e Wander Carvalho, que tamb\u00e9m fizeram hist\u00f3ria no futebol local. Wander, por sinal, ganhou esse nome de batismo em homenagem a Wander Abdalla.<\/p>\n<p><strong>Defel\u00ea campe\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em 1960, para chegar ao t\u00edtulo de campe\u00e3o da cidade, o Defel\u00ea disputou um turno de classifica\u00e7\u00e3o com outras nove equipes: Guar\u00e1, Rabello, Gr\u00eamio, Nacional, Pederneiras, Sobradinho, Alvorada, Real, Planalto. Nessa fase, o Defel\u00ea foi eliminado pelo Pederneiras (4&#215;3). Por\u00e9m, o Sobradinho, que havia se classificado, desistiu da competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_2090\" aria-describedby=\"caption-attachment-2090\" style=\"width: 618px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-21-at-20.55.42.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2090 size-large\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-21-at-20.55.42-1024x421.jpeg\" alt=\"\" width=\"618\" height=\"254\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-21-at-20.55.42-1024x421.jpeg 1024w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-21-at-20.55.42-300x123.jpeg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-21-at-20.55.42-768x316.jpeg 768w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-21-at-20.55.42.jpeg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 618px) 100vw, 618px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2090\" class=\"wp-caption-text\">P\u00c9 (Da esquerda para a direita) Matil, Raimundinho, Anchieta, Dion\u00edsio, Euclides, Vitinho, Loureiro, Eli, Ramiro, Fino, Z\u00e9 Paulo, Gavi\u00e3o, Wander, Pedrinho, Osvaldo, An\u00e9sio e Didi (treinador) AGACHADOS Caubi, Ot\u00e1vio, Paulinho, Carneiro, Dr. Ramalho (diretor), Cear\u00e1, Dr. Ciro (Presidente do clube) \u00c9lcio, &#8230;&#8230;., Juraci, Roberto Soares &#8230;&#8230;.Cle\u00f3bulo (diretor) e Pel\u00e9.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A vaga foi conquistada pelo Defel\u00ea, que derrotou o Real por 5 x 1. Na etapa seguinte, com nove jogadores (Z\u00e9 Paulo, lateral direito e Eli, centro avante, foram expulsos) o Defel\u00ea chegou ao t\u00edtulo ao empatar com o Guar\u00e1 (1&#215;1), i\u00e1 que o empate o favorecia. O gol do t\u00edtulo foi de Vitinho, de p\u00eanalti, aos 43 minutos do segundo tempo. Surgia assim o primeiro campe\u00e3o oficial de futebol do Distrito Federal.<\/p>\n<p><strong>Presidente<\/strong><\/p>\n<p>Quando fala em Defel\u00ea, Wander recupera lembran\u00e7as de seu ex-presidente, Dr. Ciro Machado:<\/p>\n<p>\u201cA pessoa de confian\u00e7a do doutor Ciro era o Carlos Magno Maia Dias, que tamb\u00e9m era o diretor administrativo do clube. Carlos resolvia todos os problemas do dia a dia do Defel\u00ea, o que muito facilitava o presidente para resolver outras quest\u00f5es\u201d. Outros personagens importantes na vida desse hist\u00f3rico clube do Distrito Federal foram Lincoln de Sena, Wilis Alvarenga, Rosalvo Freire, Roberto Soares Marreta e Ulisses Xavier.<\/p>\n<p>E se referindo \u00e0 estrutura f\u00edsica do futebol, Wander contou que o campo de futebol do Defel\u00ea foi o primeiro a ser gramado e iluminado no Distrito Federal. O engenheiro autor do projeto e da instala\u00e7\u00e3o dos refletores foi o doutor Dalmo Rebelo.<\/p>\n<p>Em 1962, com 25 anos, Wander Abdalla encerrou a carreira como jogador de futebol, jogando pela Associa\u00e7\u00e3o Esportiva Cruzeiro do Sul. . Por\u00e9m, o seu v\u00ednculo com o futebol n\u00e3o se encerrou. Ao contr\u00e1rio, passou a se dedicar em tempo integral \u00e0 gest\u00e3o do esporte e a dirigir outras equipes.<\/p>\n<p><strong> <a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-21-at-20.55.43.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2091\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-21-at-20.55.43.jpeg\" alt=\"\" width=\"728\" height=\"469\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-21-at-20.55.43.jpeg 728w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-21-at-20.55.43-300x193.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Idealista<\/strong><\/p>\n<p>Hoje, aos 86 anos, Wander n\u00e3o nega o seu lado saudosista e o de um ex-dirigente idealista. Com o tempo, ele esteve \u00e0 frente de v\u00e1rias agremia\u00e7\u00f5es profissionais de Bras\u00edlia, come\u00e7ando pelo Guar\u00e1 F.C, onde jogou e, mais tarde, presidiu o clube, entre 1988 e 1991.<\/p>\n<p>Foi durante a sua gest\u00e3o que Wander trouxe o bicampe\u00e3o Mundial Djalma Santos para treinar esse time. (foto de Djalma Santos) Confirmando o que se conhece da hist\u00f3ria da cidade, naquela \u00e9poca, os clubes locais \u201cexistiam\u201d gra\u00e7as ao apoio de empres\u00e1rios. Numa cidade ainda sem alternativas de lazer, o futebol era uma das raras divers\u00f5es e investir na modalidade ajudava a movimentar o com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Wander Abdalla conta que o Guar\u00e1 era um dos clubes mais bem estruturado da cidade. Tinha o apoio do Unidade Vizinhan\u00e7a, que hoje \u00e9 do Sesc.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, o Girotto, dono do restaurante Girotto, no Guar\u00e1, apoiava oferecendo refei\u00e7\u00f5es aos jogadores em dias de jogos, o Miro, dono do Caf\u00e9 do S\u00edtio, patrocinador oficial, ajudava financeiramente, o Tito propriet\u00e1rio da padaria P\u00e3o Dourado, o David, gerente da \u00c1gua Indai\u00e1, o Jo\u00e3o, dono da Drogalene, que fornecia medicamentos para a equipe, entre outros, nos ajudavam muito e foram important\u00edssimos na nossa estrutura. Eu sa\u00eda pedindo mesmo, e at\u00e9 botava dinheiro do bolso em algumas ocasi\u00f5es. Faz parte do idealismo\u201d. O Caf\u00e9 do S\u00edtio e a Padaria P\u00e3o Dourado s\u00e3o marcas tradicionais h\u00e1 mais de 50 anos entre as principais refer\u00eancias da economia brasiliense.<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>\u201cPara ser dirigente tem que ter dinheiro ou prest\u00edgio. Eu tinha prest\u00edgio, porque gostava do que fazia e fazia bem\u201d<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>Candidato<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Com essa filosofia, Wander concorreu duas vezes \u00e0 presid\u00eancia da ent\u00e3o Federa\u00e7\u00e3o Metropolitana de Futebol. Perdeu em ambas: em 1986, para Wagner Marques e em 1992, para Tadeu Roriz.<\/p>\n<p>\u201cEm 1986, os dirigentes dos clubes me indicaram para ser o representante deles na elei\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o. Eu sabia que estava disputando um cargo pol\u00edtico, justamente o que eu n\u00e3o era e n\u00e3o sou. Mas, na hora do voto, os mesmos dirigentes roeram a corda, votaram no outro candidato e eu perdi\u201d, recorda Wander.<\/p>\n<p>Perder a elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o o tirou dos prop\u00f3sitos de \u201cfazer\u201d futebol. Hoje, est\u00e1 claro, que o esporte local foi quem perdeu a oportunidade de ter um dirigente que n\u00e3o estava ali por acaso, mas era conhecedor sobre a gest\u00e3o da modalidade.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Entre 1985 e 1987, depois de passar pela gest\u00e3o do Taguatinga e do Gama, Wander Abdala voltou ao Clube de Regatas Guar\u00e1, dessa vez como gerente de futebol, durante a Ta\u00e7a de Prata que, mais tarde, se tornaria a atual Copa do Brasil.<\/p>\n<p>N\u00e3o demorou para que Wander fosse convidado pelo ent\u00e3o administrador dessa cidade sat\u00e9lite para ser o presidente do Guar\u00e1, em substitui\u00e7\u00e3o a Marcelo Poli, que havia renunciado.<\/p>\n<p>Nessa posi\u00e7\u00e3o, Wander se revelou um dirigente audacioso ao contratar jogadores que estavam em fim de carreira, mas ainda com \u00f3tima qualidade t\u00e9cnica. Entre eles, Beijoca, do Bahia, e Ailtom Lira, ex-Santos e S\u00e3o Paulo. Tamb\u00e9m vieram Ataliba e Mauro (Corinthians) e Dema (Santos), todos dirigidos pelo bicampe\u00e3o mundial, Djalma Santos.<\/p>\n<p>Nas suas andan\u00e7as, Wander voltaria ao Guar\u00e1 como gerente de futebol, em 1998, depois de passagens pelo Sobradinho, 1994, e comodoro do Moton\u00e1utica, 1995.<\/p>\n<p><strong>Nilton Santos<\/strong><\/p>\n<p>Apoiado por amigos com bom tr\u00e2nsito entre os governantes da \u00e9poca, Wander liderou a vinda de Nilton Santos, que morava em Uberaba (MG), para Bras\u00edlia. <strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_2092\" aria-describedby=\"caption-attachment-2092\" style=\"width: 232px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-21-at-20.44.38.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2092 size-medium\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-21-at-20.44.38-232x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"232\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-21-at-20.44.38-232x300.jpeg 232w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-21-at-20.44.38-792x1024.jpeg 792w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-21-at-20.44.38-768x993.jpeg 768w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/WhatsApp-Image-2023-09-21-at-20.44.38.jpeg 990w\" sizes=\"auto, (max-width: 232px) 100vw, 232px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2092\" class=\"wp-caption-text\">Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nilton aqui chegou em 1987 com o prest\u00edgio de ter sido o lateral esquerdo que se sagrou bicampe\u00e3o mundial (1958\/1962), numa inesquec\u00edvel Sele\u00e7\u00e3o que tinha um ataque formado por Garrincha, Didi, Vav\u00e1, Pel\u00e9 e Zagalo. O destino de Nilton foi treinar o Taguatinga, onde sagrou-se vice-campe\u00e3o da cidade naquela temporada.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca, Jos\u00e9 Aparecido de Oliveira era o governador do Distrito Federal. E foi ele quem nomeou Nilton Santos para dirigir uma escolinha de futebol no extinto Departamento de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e Recrea\u00e7\u00e3o (DEFER), que ficava no est\u00e1dio Man\u00e9 Garrincha. Paralelamente, o ent\u00e3o ministro da Previd\u00eancia, Rafael de Almeida Magalh\u00e3es, amigo de Aparecido, ofereceu a Nilton Santos um apartamento para morar, na 214 Sul.<\/p>\n<p>Para<strong> c<\/strong>umprir esse roteiro no futebol em todas as suas frentes, Wander lembra que Bras\u00edlia sempre teve grandes construtoras aqui instaladas, embora nem todas tenham sido parceiras nas iniciativas do futebol. Ainda hoje a cidade est\u00e1 em constantes obras, com a presen\u00e7a de grandes empreiteiras nacionais nos principais canteiros.<\/p>\n<p>\u201cMas essas empreiteiras poderiam ter ajudado muito mais\u201d, diz Wander, que conhece bem o assunto. \u201cCom o apoio delas (construtoras), Bras\u00edlia poderia ter tido outros rumos no futebol, por exemplo, ter dois bons times na S\u00e9ria A do Brasileir\u00e3o\u201d, aposta. E, a prop\u00f3sito de apoios empresariais, contra outro \u201ccauso\u201d:<\/p>\n<p>\u201cCerta vez, decidi ir \u00e0s empresas de \u00f4nibus pedir apoio para o nosso futebol. Visitei um empres\u00e1rio meu amigo, que tinha uma frota de 500 \u00f4nibus. O cara chorou tanta mis\u00e9ria que eu sa\u00ed de l\u00e1 quase tirando dinheiro do bolso para ajud\u00e1-lo a pagar as contas\u201d&#8230;<\/p>\n<p><strong>Dirigentes <\/strong><\/p>\n<p>O problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dinheiro, na avalia\u00e7\u00e3o desse especialista em futebol. Para ele faltam, tamb\u00e9m, dirigentes!<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>\u201c\u00c9 verdade. N\u00e3o temos gente competente para bem dirigirem as agremia\u00e7\u00f5es. Quando aparece um, n\u00e3o \u00e9 profissional, mas amador. E isso \u00e9 no Brasil todo, pode-se ver, faltam dirigentes profissionais\u201d!<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>Exemplo<\/strong><\/p>\n<p>Wander cita uma proposta que aplicou no seu tempo e vingou, entre tantas outras: os jogos do Guar\u00e1, aos domingos, foram antecipados para \u00e0s 11h. Com isso, fugia da concorr\u00eancia dos jogos da TV, \u00e0 tarde, e oferecia uma alternativa de lazer pela manh\u00e3 para o torcedor local. \u201cO resultado foi vis\u00edvel. T\u00ednhamos at\u00e9 quatro mil pessoas no est\u00e1dio\u201d, recorda.<\/p>\n<p><strong>Na bronca<\/strong><\/p>\n<p>Analista por excel\u00eancia, Wander Abdala fica na bronca com os sal\u00e1rios pagos hoje em dia para t\u00e9cnicos e jogadores. E sugere que o governo interfira, estipulando um teto de R$ 100 mil mensais. Mas reconhece que isso \u00e9 muito dif\u00edcil de ocorrer, pois o governo n\u00e3o pode interferir em neg\u00f3cios da iniciativa privada, como as agremia\u00e7\u00f5es esportivas.<\/p>\n<p><strong>Consolo<\/strong><\/p>\n<p>\u201cCom boa base para analisar o futebol de ontem e o de hoje, em todos os seus segmentos, Wander se lamenta. Desejaria ter nascido vinte anos atr\u00e1s e n\u00e3o 86&#8230; Porque, na atualidade, ele v\u00ea muita ajuda dos governos, em geral, para o esporte, como um todo.<\/p>\n<blockquote><p><strong><em>\u201cCom o dinheiro de hoje eu poderia fazer muito mais do que fiz. Inclusive como jogador. Se eu fosse mexer com o futebol, hoje, seria preso, porque todo mundo que fala a verdade \u00e9 comunista&#8230;\u201d<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>Desabafo<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong><em> \u201cVeja o caso do Distrito Federal. O banco daqui (BRB), patrocina o Flamengo, a F\u00f3rmula 1, a F\u00f3rmula 4, a Confedera\u00e7\u00e3o de T\u00eanis&#8230; Mas, n\u00e3o temos dirigentes. Que pena!<\/em><\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong>Futebol atual<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cPrefiro ver o futebol internacional, porque l\u00e1 tem futebol. Aqui \u00e9 briga, \u00e9 porrada. Na Inglaterra o futebol \u00e9 jogado, \u00e9 muito bom de se ver. <\/em><\/p>\n<p><em>Temos condi\u00e7\u00f5es para ser o melhor futebol do mundo, mas&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><strong>CAD\u00ca OS CRAQUES?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>No in\u00edcio de Bras\u00edlia o futebol era em campo de barro, a chuteira era com agarradeiras presas na sola com prego, a bola era de couro, pesada! Mas, t\u00ednhamos jogadores de excelente qualidade. Depois, a tecnologia melhorou tudo isso, mas n\u00e3o surgiram jogadores do mesmo n\u00edvel de antes<\/p>\n<p><strong>\u201cObrigado, Bras\u00edlia\u201d<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u201cViver em Bras\u00edlia foi uma das melhores fases que tive. Aqui, casei com Luzia L\u00facia, de Uberaba (MG). Tivemos tr\u00eas filhos, Vander Jr, Juliana e Volmar, que tristemente morreu, em 1991. Fui funcion\u00e1rio p\u00fablico e dono de empresa. Tenho conhecimentos em v\u00e1rios setores da cidade, fui comodoro do Clube Moton\u00e1utica, diretor de clubes. Foi uma vida rica. Tudo o que tive e o que tenho foi conquistado aqui. As amizades, essas sim, s\u00e3o o que vale muito e tudo, a maioria feita atrav\u00e9s do futebol\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O MELHOR DE BRAS\u00cdLIA NOS ANOS 1960<\/strong><\/p>\n<p>Wander buscou na mem\u00f3ria os nomes de alguns dos melhores jogadores que marcaram a sua gera\u00e7\u00e3o. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, Sabar\u00e1 foi o melhor de todos. \u201cEle era um volante, jogou no Guar\u00e1, no Rabello e no Luizi\u00e2nia\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Atacante: <\/strong>Iris, era dentista, marcava tr\u00eas a quatro gols por jogo<\/p>\n<p><strong>Goleiro:<\/strong> Matil \u2013 jogava no Defel\u00ea<\/p>\n<p><strong>Zagueiro central<\/strong>: Edilson Braga, era sargento da Aeron\u00e1utica.<\/p>\n<p><strong>Zagueiro:<\/strong> Mel\u00e3o, um grande jogador, marcou o Pel\u00e9 no jogo do Santos 5&#215;1 Sele\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, no est\u00e1dio Pelez\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Ponta esquerda<\/strong>: Jo\u00e3zinho, que jogou na Rabello<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Companheiro<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A entrevista de Wander Abdalla foi acompanhada por seu amigo e companheiro das antigas, Marcos Aur\u00e9lio Souza Sud\u00e1rio, o Maranh\u00e3o, 63 anos.<\/p>\n<p>Natural de S\u00e3o Francisco, interior maranhense, ele est\u00e1 em Bras\u00edlia desde 1980. Funcion\u00e1rio aposentado do GDF, aqui atuou como preparador f\u00edsico do Guar\u00e1, do Dom Pedro, do Bandeirantes, Ceil\u00e2ndia, Brasiliense e Aruc e est\u00e1 de acordo com o depoimento do amigo ao portal Mem\u00f3ria da Cultura e do Esporte em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>\u201cDe fato, o tempo passou. N\u00e3o tenho mais motiva\u00e7\u00e3o para continuar\u201d, resumiu. Antes, todos os times tinham uma estrutura m\u00ednima para se atuar. Hoje, \u00e9 s\u00f3 o Brasiliense e o Gama. Tudo para se disputar um campeonato que dura apenas tr\u00eas meses\u201d, sintetizou Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>E concluiu, mostrando a realidade do amadorismo que ainda se observa em Bras\u00edlia: \u201cSem investimento \u00e9 dif\u00edcil trabalhar profissionalmente\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Por H\u00e9lio Tremendani e Jos\u00e9 Cruz O Milion\u00e1rio Futebol Clube, l\u00e1 no in\u00edcio de Bras\u00edlia, era rico s\u00f3 na marca, pois esse nome, \u201cinventado\u201d, sugeria uma ironia diante da falta de dinheiro da agremia\u00e7\u00e3o. Na pr\u00e1tica, os jogadores nada ganhavam, pois praticavam o esporte por divers\u00e3o, por prazer. Bons tempos em que vestiam a camisa &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2089,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,3,6,4,16,14],"tags":[],"class_list":["post-2088","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-colunistas","category-destaque","category-entrevistas","category-esporte","category-helio-tremendani","category-jose-cruz"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2088","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2088"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2088\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2093,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2088\/revisions\/2093"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2089"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2088"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2088"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2088"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}