{"id":1886,"date":"2023-05-03T10:04:41","date_gmt":"2023-05-03T13:04:41","guid":{"rendered":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/?p=1886"},"modified":"2023-05-03T10:09:02","modified_gmt":"2023-05-03T13:09:02","slug":"um-charme-de-feitico-em-ritmo-de-samba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/index.php\/2023\/05\/03\/um-charme-de-feitico-em-ritmo-de-samba\/","title":{"rendered":"Um charme de feiti\u00e7o em ritmo de samba"},"content":{"rendered":"<p>Por H\u00e9lio Tremendani e Jos\u00e9 Cruz<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>\u201c\u00c9 dif\u00edcil encontrar outro lugar<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>que tenha tanta diversidade<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>e tantos talentos na m\u00fasica <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>como em Bras\u00edlia\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.51.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1887\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.51-260x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.51-260x300.jpeg 260w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.51-887x1024.jpeg 887w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.51-768x887.jpeg 768w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.51.jpeg 1219w\" sizes=\"auto, (max-width: 260px) 100vw, 260px\" \/><\/a><\/em><\/strong>Em um dos mais tradicionais redutos da cultura e da MPB em Bras\u00edlia, o Feiti\u00e7o das Artes, na Asa Norte, o papo rolou por quase tr\u00eas horas. Final de tarde, ambiente sendo preparado para mais uma noite de show, o entrevistado da vez se apresentava com a mem\u00f3ria \u2013 e o privil\u00e9gio \u2013 de ter dirigido o Canec\u00e3o por 27 anos, intercalados em duas etapas. A conversa da vez \u00e9 com Jerson Alvim.<\/p>\n<p>Para os mais novos, o \u201cCanec\u00e3o Promo\u00e7\u00f5es Espet\u00e1culos Teatrais Ltda\u201d, em Botafogo, no Rio de Janeiro foi a maior casa de shows e espet\u00e1culos musicais do pa\u00eds. Na sua primeira fase (1969 a 2004, com dez anos de intervalo) tinha 2.500 lugares sentados e 4.500 em p\u00e9. Fechado em 2008, a \u00e1rea do Canec\u00e3o foi entregue recentemente a um cons\u00f3rcio alem\u00e3o que dever\u00e1 construir nova estrutura, incluindo espa\u00e7o cultural multiuso.<\/p>\n<p>Foi nessa fase \u00e1urea do Canec\u00e3o que o carioca Jerson Alvim, perto de completar 82 anos, conviveu com grandes nomes m\u00fasica brasileira, estrelas do n\u00edvel de Roberto Carlos, Os Quatro Baianos (Caetano, Gil, Gal e Beth\u00e2nia), Vin\u00edcius, Toquinho, Maysa Matarazzo, Elis Regina, Erasmo Carlos, Alcione, Beth Carvalho. Zeca Pagodinho, Jorge Arag\u00e3o, Elba Ramalho, Fagner, Gonzaguinha, Chico Buarque, Z\u00e9 Ramalho, Ivan Lins, Djavan e por a\u00ed vai&#8230; E na rotina de trabalho, Jerson se p\u00f3s-graduou em dire\u00e7\u00e3o de espet\u00e1culos musicais, onde atua at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>\u00c9 sobre \u201caqueles tempos\u201d \u2013 e os de agora \u2013, sobre a m\u00fasica brasileira e a estrangeira que Jerson conversou com o rep\u00f3rter Jos\u00e9 Cruz e o sambista carnavalesco H\u00e9lio Tremendani, do <em>Mem\u00f3rias da Cultura e do Esporte em Bras\u00edlia<\/em>. O depoimento n\u00e3o \u00e9 apenas uma entrevista, mas uma aula de parte do<em> show<\/em> <em>business<\/em> brasileiro que ele viveu. Jerson entrou nesse ramo depois de aprendizado com personagens famosos da \u00e1rea, como Walter Clark, o grande impulsionador da TV Globo, criador do Jornal Nacional, levando essa emissora do \u00faltimo para o primeiro lugar em audi\u00eancia. \u201cTrabalhando e aprendendo sempre\u201d, diz ainda hoje, humildemente. Vamos l\u00e1!<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.52.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1894\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.52-300x240.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.52-300x240.jpeg 300w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.52-1024x819.jpeg 1024w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.52-768x614.jpeg 768w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.52.jpeg 1328w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>CHEGOU PARA FICAR<\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.51-3.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1888\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.51-3-273x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"273\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.51-3-273x300.jpeg 273w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.51-3.jpeg 288w\" sizes=\"auto, (max-width: 273px) 100vw, 273px\" \/><\/a>\u00a0<\/strong><strong><em>O Feiti\u00e7o das Artes \u00e9 a continuidade\u00a0<\/em><\/strong><strong><em>do Feiti\u00e7o Mineiro, casa de shows criada\u00a0 <\/em><\/strong><strong><em>por Jorge Ferreira (1959 \u2013 2013) <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong>Em novembro de 2007, Jerson estava em Bras\u00edlia encerrando um ciclo \u00e0 frente da Academia Music Hall, antiga Americel Hall, na Academia de T\u00eanis.<\/p>\n<p>\u201cEu estava de malas prontas para voltar para o Rio de Janeiro quando o Jorge (Jorge Ferreira) me convidou para ficar pelo menos por seis meses, tocando o Feiti\u00e7o Mineiro. Entrei em dezembro de 2007 e estou aqui at\u00e9 hoje. Seriam s\u00f3 seis meses&#8230;\u201d, lembrou Jerson mostrando satisfa\u00e7\u00e3o no acerto de sua decis\u00e3o de 16 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>E por que ficou at\u00e9 hoje?<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 dif\u00edcil se encontrar outro lugar que tenha tanta diversidade e tantos talentos quanto em Bras\u00edlia. Eu encontro diversidade no Rio, diversidade muito grande de artistas cariocas, diversidade de ritmos&#8230; E a maioria j\u00e1 est\u00e1 agregada, j\u00e1 est\u00e1 engajada na cultura do Rio, na cultura carioca. E aqui em Bras\u00edlia h\u00e1 um grande celeiro de talentos que introduz o que trazem de outros estados\u201d.<\/p>\n<p>Capital da Rep\u00fablica desde 1960, Bras\u00edlia atrai, ainda hoje, nordestinos, paulistas, mineiros, cariocas, sulistas, gente de todo o Brasil que aqui chega e contribui para diversificar a cultura em todas as suas dimens\u00f5es, a musical entre elas.<\/p>\n<p>Essa diversidade que se observa de Norte a Sul e a oportunidade para a m\u00fasica nacional aqui se expandir foi observada por Jerson tamb\u00e9m nas entidades carnavalescas, como ele mesmo explica:<\/p>\n<p>\u201cOnde tem escola de samba neste Brasil que j\u00e1 conquistou oito t\u00edtulos seguidos no Carnaval, como a ARUC, a recordista ARUC, aqui em Bras\u00edlia? Das vinte escolas que conhe\u00e7o no Rio, a metade n\u00e3o tem a estrutura da ARUC. No mundo do samba, Bras\u00edlia est\u00e1 muito bem representada\u201d. \u00c9 oportuno lembrar que essa tradi\u00e7\u00e3o da ARUC se deve, tamb\u00e9m, ao constante interc\u00e2mbio das dire\u00e7\u00f5es que se revezaram ao longo dos anos com entidades carnavalescas do Rio de Janeiro, como a Portela, por exemplo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.51-1.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-1889\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.51-1-220x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"300\" \/><\/a>Para Jerson, o talento art\u00edstico est\u00e1, inicialmente, acima dos interesses financeiros. \u201cO que realmente atrai p\u00fablico \u00e9 dar oportunidade \u00e0 representa\u00e7\u00e3o do artista dentro dos padr\u00f5es que ele oferece\u201d. Em outras palavras: \u201cQuando se tenta olhar para o artista em benef\u00edcio daquilo que a casa de shows prop\u00f5e, normalmente a parceria n\u00e3o corre bem. Ele (artista) perde a espontaneidade, passa a trabalhar acima de tudo por interesses financeiros e se sobrep\u00f5e \u00e0 criatividade\u201d. Palavra de especialista.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>O COME\u00c7O<\/strong><\/p>\n<p>\u201cMeu contato com a m\u00fasica e com os shows foi a partir de 1962, quando comecei na TV Tupi e conheci alguns tipos de lideran\u00e7as empresariais. Era o tempo do teatro de com\u00e9dias e Carlos Duval era o meu diretor\u201d, lembrou Jerson. Carlos Duval era um ator portugu\u00eas. Radicado no Rio de Janeiro, se destacou no cinema, mas tornou-se especialista em dire\u00e7\u00e3o de teatro.<\/p>\n<p>Tr\u00eas anos depois, Jerson trocou a Tupi pela TV Globo e deu seguimento ao seu aprendizado de dire\u00e7\u00e3o de espet\u00e1culos. L\u00e1, conheceu a \u201cgrande for\u00e7a\u201d de dire\u00e7\u00e3o de Walter Clark, o criador do Jornal Nacional, o grande impulsionador da Globo, tirando a emissora do \u00faltimo e a colocando em primeiro lugar em audi\u00eancia. \u201cWalter Clark (1936 \u2013 1997) era instinto puro. Ele conhecia todas as necessidades que uma televis\u00e3o precisava para se realizar\u201d.<\/p>\n<p><strong>OUSADIA DE UM OFFICE BOY<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A entrada de Walter Clark no mundo art\u00edstico j\u00e1 \u00e9 um show. Show de ousadia e de oportunidade. Jerson relembra esse momento:<\/p>\n<p>\u201cWalter Clark come\u00e7ou como office boy do Departamento Comercial da TV Rio. Um dia, o diretor comercial titular viajou. Naquela \u00e9poca colocava-se algu\u00e9m no lugar e se rendesse bem assumia o cargo. Por isso, quem viajava tinha medo de sair, pois n\u00e3o sabia se, ao voltar, ainda estaria empregado. Para evitar esse risco, o tal diretor colocou um office boy para substitu\u00ed-lo, Walter Clark, acreditando que com isso n\u00e3o correria riscos. Abusado na criatividade, Walter usou do direito do cargo e inovou em diversos setores do Comercial e tudo deu certo. At\u00e9 triplicou o faturamento, dobrou a audi\u00eancia e disputou a lideran\u00e7a com outras emissoras. Quando o titular voltou da tal viagem, o cargo estava muito bem ocupado. Colocaram o distinto senhor em outro lugar, mais acima para valoriz\u00e1-lo, e Walter Clark seguiu dando o seu show de inova\u00e7\u00f5es. Foi o primeiro grande l\u00edder que conheci na vida\u201d, disse Jerson.<\/p>\n<p><strong>OS MESTRES E O CLUBE DA ESQUINA <\/strong><\/p>\n<p>A escola de aprendizado de Jerson continuou com outros expoentes da gest\u00e3o de nossas TVs: Jos\u00e9 Arrabal, na TV Tupi, Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Oliveira Sobrinho e Augusto C\u00e9sar Vanucci, na Globo. E quando pensou que n\u00e3o conheceria mais nenhum l\u00edder da dire\u00e7\u00e3o do <em>show business<\/em> musical se deparou com Jorge Ferreira, mineiro de Cruzilha\u201d \u2013 no Sul de Minas.<\/p>\n<p>Jerson n\u00e3o podia imaginar que encontraria em Bras\u00edlia um grande l\u00edder, condutor da cultura, um dos fundadores do PT (1980), do Clube da Esquina (1963), hoje museu, em Belo Horizonte. Mas, \u00e9 preciso, antes, contar esta hist\u00f3ria, porque tem tudo a ver com o universo da m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p>O Clube da Esquina, criado em 1963, ficava no encontro das ruas Divin\u00f3polis com Parais\u00f3polis, bairro de Santa Teresa, em Belo Horizonte. Na origem desse grupo est\u00e3o compositores, m\u00fasicos e cantores L\u00f4 Borges, Milton Nascimento, M\u00e1rcio Borges e Beto Guedes. Eles se encontravam nessa esquina, onde tinha um banco, que se tornou s\u00edmbolo das reuni\u00f5es dos talentos da m\u00fasica daquela \u00e9poca, dos quais Jorge Ferreira era um dos parceiros. Tratava-se de um clube sem sede nem diretoria, mas que se tornou famoso, pois at\u00e9 ex-presidente Juscelino Kubitschek ali conviveu e ajudou a consagrar o espa\u00e7o como um dos mais valiosos da cultura musical de Minas e do Brasil.<\/p>\n<p>Pois foi esse personagem musical, Jorge Ferreira, que convidou Jerson para permanecer em Bras\u00edlia. E nessa parceria para shows se fortaleceu o projeto de Jorge \u2013 at\u00e9 conhecido como \u201cum Homem da Noite\u201d \u2013 estendendo-se por outras 11 iniciativas, entre elas o Bar Bras\u00edlia, Mercado, Armaz\u00e9m do Ferreira, Bar Brasil e o Feiti\u00e7o Mineiro na lideran\u00e7a da cultura musical.<\/p>\n<p>\u201cFoi assim que, em 2007, me acertei com Jorge para dirigir o Feiti\u00e7o Mineiro. \u00a0(Comercial da 306 Norte). Ele me perguntou quem eu gostaria de trazer para a iniciar a s\u00e9rie de artistas que viriam. Respondi que precisava investir R$ 5 mil em passagem e hospedagem e mais R$ 10 mil para o Jorge Arag\u00e3o, meu primeiro convidado\u201d.<\/p>\n<p>A proposta avan\u00e7ou e o show come\u00e7ou. Jerson cercou a regi\u00e3o ocupada pelo Feiti\u00e7o Mineiro e ali colocou telas de TV, pois o espa\u00e7o interno n\u00e3o seria suficiente para abrigar tanta gente, como esperado. \u201cA casa lotou\u201d, relembra Jerson. Isso virou mesmo uma casa de show, com mais de 300 pessoas, lota\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o interno, centenas de gente pela rua, sentadas na cal\u00e7ada vendo show de Jorge Arag\u00e3o. Percebemos que o p\u00fablico ficou muito feliz com o show, tamb\u00e9m porque podiam estar perto do artista. O ambiente incentivava continuar criando\u201d.<\/p>\n<p><strong>O SHOW CONTINUA<\/strong><\/p>\n<p>Seis meses depois de Jorge Arag\u00e3o, Jerson ligou para Jos\u00e9 \u00c9boli, presidente da Universal Music. Queria que ele viesse ver o show da maior cantora de samba da atualidade, Dhi Ribeiro, que se apresentaria no Feiti\u00e7o Mineiro. A carioca Dhi j\u00e1 havia passado alguns anos em Bras\u00edlia, quando brilhou, inclusive, num show dos 50 anos da Capital, em 2010. \u00c9boli aceitou o convite, veio e, imediatamente \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o, contratou Dhi Ribeiro para o cast da Universal Music.<\/p>\n<p>No ano seguinte o calend\u00e1rio de eventos continuou, com Jo\u00e3o Bosco, seguido de artistas do Clube da Esquina. Vieram todos, menos o Milton Nascimento, que estava doente. Foi uma semana de festa para p 22\u00ba anivers\u00e1rio do Feiti\u00e7o Mineiro.<\/p>\n<p>O tempo passava, os shows musicais se sucediam e a popularidade do Feiti\u00e7o Mineiro crescia. Baden Powell, Noca da Portela, Nelson Sargento, artistas famosos do samba por aqui desfilaram e ajudaram a fortalecer a imagem da casa de shows, que se mant\u00e9m na lideran\u00e7a do show business de Bras\u00edlia at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>\u201cA grande surpresa nisso tudo \u00e9 que aprendi a lidar com Jorge e passei a entender que ele n\u00e3o era s\u00f3 um empreendedor de com\u00e9rcio, mas um profundo conhecedor da cultura brasileira, um intelectual, um excelente homem pol\u00edtico que esperava o presidente Lula, naqueles anos de seus dois primeiros mandatos, na cozinha da Granja do Torto, onde cozinhava depois de uma pelada de futebol\u201d. Bons tempos aqueles, relembra Jerson.<\/p>\n<p>Essa viagem que Jerson viveu ele agrade a Deus, ainda hoje, quando lembra de suas origens, ainda jovem pelas noites cariocas: \u201cAgrade\u00e7o a Deus, nem sei por que fui chamado pelo M\u00e1rio Priolli (1936 \u2013 2018), que era o fundador e o dono do Canec\u00e3o. Ele nunca disse por que apostaria num garoto de 26 anos para ser o diretor da maior casa de show da Am\u00e9rica Latina, sem nunca ter feito um s\u00f3 show\u201d.<\/p>\n<p>Nas lembran\u00e7as e agradecimentos que faz, Jerson n\u00e3o esquece a import\u00e2ncia das participa\u00e7\u00f5es de Paulinho Pedra Azul, amigo que, para ele, \u201c\u00e9 um dos sustent\u00e1culos do Feiti\u00e7o Mineiro e do Feiti\u00e7o da Arte\u201d.<\/p>\n<p><strong>CANEC\u00c3O, O SUSTO<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>E aquele momento de enfrentar o Canec\u00e3o pela primeira vez (1968) como diretor, assustou?<\/p>\n<p>\u201cP\u00f4! Imagina! Peguei uma casa com nome, mas praticamente vazia, sem contrato com patrocinadores, bilheteria parada. Como n\u00e3o ia assustar\u201d? O Canec\u00e3o funcionou de 1969 at\u00e9 mar\u00e7o de 2008, com dez anos de intervalo. Nesse per\u00edodo, Jerson trabalhou por sete anos, saiu e voltou para ficar mais 20 anos.<\/p>\n<p>Enfim, come\u00e7aram os shows In\u00edcio de 1969, era tempo de Carnaval e Jerson promoveu 15 bailes. Fez uma sele\u00e7\u00e3o dos melhores da cidade e os levei para o Canec\u00e3o: Baile da Cidade, Baile dos Artistas, do Atlantic e do Bola Preta.<\/p>\n<p>\u201cA partir da\u00ed a casa embalou. Maysa deu o ponta p\u00e9 inicial no desfile dos artistas, come\u00e7aram os shows. Quem se apresentava no Canec\u00e3o ganhava proje\u00e7\u00e3o nacional, se ainda n\u00e3o tivesse. O show continuou com um calend\u00e1rio incr\u00edvel\u201d, conta Jerson. N\u00edvel alto de estrelas que por l\u00e1 passaram: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Alcione, Bete Carvalho, Nei Matogrosso, Tom Jobim, Vin\u00edcius de Moraes, Toquinho, Clara Nunes, Lulu Santos, Tim Maia, Jorge Arag\u00e3o&#8230; A minha rotina era de acerto de contratos, datas, inova\u00e7\u00f5es, enfim, que eu ficava aprendendo o tempo inteiro. Eu tive essa oportunidade. Brasileiro Profiss\u00e3o Esperan\u00e7a, com Clara Nunes e Paulo Gracindo, ficou oito meses em cartaz. Tinha texto de Paulo Pontes e can\u00e7\u00f5es de Dolores Duran e Ant\u00f4nio Maria. O inesquec\u00edvel show de Bet\u00e2nia e Chico foi gravado no Canec\u00e3o e o disco vendeu mais de um milh\u00e3o de c\u00f3pias\u201d.<\/p>\n<p><strong>DUAS ESTRELAS: \u201cTE VIRA\u201d!<\/strong><\/p>\n<p>A rotina de Jerson n\u00e3o era s\u00f3 de alegria com os aplausos a cada sucesso no Canec\u00e3o. Certa vez ele entrou numa enrascada e s\u00f3 ele poderia resolver. Veja a\u00ed:<\/p>\n<p>\u201cUm dia, M\u00e1rio Priolli, dono do Canec\u00e3o, me chamou. Fui na sala dele e l\u00e1 estava Tom Jobim, por sinal num p\u00e9ssimo dia, pois o jornal da leitura di\u00e1ria dele, o Jornal do Brasil \u2013 JB para os ass\u00edduos leitores \u2013 tinha parado de circular. Tom foi logo dizendo: `Quero cantar aqui \u2013 no Canec\u00e3o \u2013 de tanto a tanto\u00b4, j\u00e1 foi fixando a data. Eram tr\u00eas semanas que j\u00e1 estavam ocupadas, com boa anteced\u00eancia pelo n\u00e3o menos famoso Chico Buarque&#8230; Ainda bem que os dois, Chico e Tom, se davam muito bem e conversavam, trocando palavr\u00f5es na maior intimidade de amigos. No final, depois de muita conversa consegui ajeitar datas para os dois, sem perder uma das duas estrelas. Tom ficou com as tr\u00eas semanas que estavam agendadas com Chico e Chico voltou nas quatro semanas seguintes.<\/p>\n<p>Houve \u00e9pocas, segundo Jerson, que os shows eram variados. Por exemplo, Oswaldo Montenegro cantava \u00e0s 16h; Lulu Santos \u00e0s 20h e Gilberto Gil \u00e0s 23 horas. Espet\u00e1culos para p\u00fablicos de estilos bem diferentes. Desse tempo, Jerson revela que tem uma saudade: \u201cEu poderia ter feito uma foto com cada artista desses. Mas, nunca fiz isso. Eu tinha um respeito muito grande pelo artista, embora a proximidade com muitos. Beth\u00e2nia, por exemplo, chegava para se apresentar e ia direto para o camarim. Ela me chamava e fic\u00e1vamos conversando, enquanto se maquiava. Queria revisar o dia anterior, fazer corre\u00e7\u00f5es que achava necess\u00e1rio e pedia opini\u00f5es. Ela me chamava de \u201cmeu afilhado\u201d. Quando estava pronta, descia comigo e entrava no palco. Ali ela se transformava, era outra Maria Beth\u00e2nia, um show. Tudo isso me emociona at\u00e9 hoje&#8230;\u201d<\/p>\n<p><strong>Nessa avalanche de espet\u00e1culos, qual foi o melhor, qual o que mais lhe agradou?<\/strong><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tem como responder. N\u00e3o tem como comparar. Eram espet\u00e1culos bem diferentes. Mas todos foram importantes. Todos fizeram hist\u00f3ria. Quem se apresentou sem nome virou sucesso, quem era sucesso se realizou. Ningu\u00e9m fracassou\u201d.<\/p>\n<p><strong>A FOR\u00c7A DO CANEC\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>A for\u00e7a do Canec\u00e3o era impressionante. E, para mostrar a import\u00e2ncia da marca \u201cCanec\u00e3o\u201d, Jerson contou o seguinte epis\u00f3dio:<\/p>\n<p>&#8220;No final dos anos 1960, a TV Record era l\u00edder de audi\u00eancia. Tinha um musical todos os dias; a Globo tinha humor\u00edsticos maravilhosos, principalmente com Chico An\u00edsio. Precis\u00e1vamos de algo diferente para abrir o Canec\u00e3o. Selecionamos cinco artistas para as primeiras temporadas, come\u00e7ando com Maysa Matarazzo, Elis Regina e Jair Rodrigues, Chico Buarque e Chico An\u00edsio. Maysa estava h\u00e1 dois anos na Europa. Todo mundo queria v\u00ea-la aqui no Brasil, depois desse tempo. Consultei a agenda e ela j\u00e1 estava contratada para um show na boate Sucata, na Lagoa, no Rio de Janeiro. Fui falar com Ricardo Amaral, que era o dono da boate. Expliquei sobre a abertura do Canec\u00e3o e Ricardo, numa boa, abriu m\u00e3o do contrato com Maysa. \u201c\u00c9 presente meu\u201d! At\u00e9 as passagens dela que j\u00e1 havia comprado ele doou. Foi assim que pudemos fechar contrato com Maysa, que ficou dois meses se apresentando, de ter\u00e7a a domingo\u201d. O repert\u00f3rio era maravilhoso e inclu\u00eda o nost\u00e1lgico \u201cMeu Mundo Caiu\u201d e \u201cLigth My Fire\u201d, sucesso da banda norte-americana The Doors, lan\u00e7ada em 1967.<\/p>\n<p>A for\u00e7a da marca Canec\u00e3o era, tamb\u00e9m, proporcional ao susto que muitos artistas sentiam quando viam o tamanho da casa. \u201cMuita gente n\u00e3o queria cantar l\u00e1, principalmente os que estavam acostumados a se apresentarem em boates, bem menores. Se assustavam com o tamanho da casa. Teve um cantor que olhou o palco e decretou: `N\u00e3o canto a\u00ed, n\u00e3o\u00b4. E foi embora\u201d, relembra Jerson.<\/p>\n<p><strong>A TRISTEZA DO AMIGO POETA<\/strong><\/p>\n<p>Quando Maysa morreu (1977) num acidente de carro, na ocasi\u00e3o em que entrava na ponte Rio-Niter\u00f3i, Jerson Alvim desabou de tristeza. Nessa ocasi\u00e3o, ele revelou o seu lado poeta ao compor a letra de \u201cA chuva caiu\u201d, musicada por Sthel Nogueira. Jerson cantarola a primeira estrofe. Olhos baixo, ele procura no seu celular o link da m\u00fasica. Sil\u00eancio&#8230; e mostra a sua composi\u00e7\u00e3o de pura saudade, que come\u00e7a assim:<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>\u201cE a chuva caiu e ningu\u00e9m viu<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O meu amor ir embora<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tanto tempo passou s\u00f3 a saudade ficou<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Morando na minha vitrola<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Passo a noite escutando os velhos discos\u00a0 <\/em><em>rodando<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As can\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas de <\/em><em>outrora<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ou\u00e7o \u201cMeu Mundo Caiu\u201d, voc\u00ea conseguiu<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Dar um fim \u00e0 nossa hist\u00f3ria&#8230;<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.51-2.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1890\" src=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.51-2-148x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"148\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.51-2-148x300.jpeg 148w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.51-2-506x1024.jpeg 506w, https:\/\/memoriadaculturaesportebsb.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/WhatsApp-Image-2023-05-03-at-09.33.51-2.jpeg 632w\" sizes=\"auto, (max-width: 148px) 100vw, 148px\" \/><\/a>Neste in\u00edcio do ano 2023, perto de completar 82 anos, sentado na sua mesa cativa no Feiti\u00e7o das Artes, onde \u00e9 seguidamente interrompido por cumprimentos e abra\u00e7os de amigos, Jerson Alvim vive ali o seu mundo real, o mundo que embalou a sua vida inteira, o mundo da m\u00fasica e dos shows que se revezam, sob a sua dire\u00e7\u00e3o, numa das casas de refer\u00eancia das noites brasilienses.<\/p>\n<p>Duas horas de conversa e Jerson continua did\u00e1tico nas respostas de um mundo que ele conhece em detalhes:<\/p>\n<p><strong>Quais as diferen\u00e7as entre dirigir o Canec\u00e3o e o Feiti\u00e7o? <\/strong><\/p>\n<p>\u201cNo Canec\u00e3o se oferecia oportunidades de se lan\u00e7ar algu\u00e9m e, na maioria, se apresentavam artistas consagrados. J\u00e1 no Feiti\u00e7o se d\u00e1 a oportunidade de lan\u00e7ar muita gente que tem o talento, a virtude de passar pelo gargalo da MPB. S\u00f3 aqui, conheci dez ou 15 artistas com esse roteiro. E as duas casas t\u00eam grande relev\u00e2ncia na cultura da M\u00fasica Popular Brasileira\u201d.<\/p>\n<p>Mas, tem mais:<\/p>\n<p>\u201cQual o estado brasileiro que n\u00e3o tem representante cantando aqui no Feiti\u00e7o? Mas tem muitos estados que n\u00e3o tem artistas que cantaram no Canec\u00e3o\u201d, conclui Jerson.<\/p>\n<p>Jerson faz uma pausa e demonstra que ainda h\u00e1 espa\u00e7o para seguir mais um pouco. Vamos l\u00e1, afinal a oportunidade de aulas como essa \u00e9 muito rara.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, depois do samba, quais as suas prefer\u00eancias? H\u00e1 espa\u00e7o para a m\u00fasica estrangeira?<\/p>\n<p>\u201cDesconhe\u00e7o a m\u00fasica internacional. Com rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es presto aten\u00e7\u00e3o\u201d, diz Jerson. E conclui:<\/p>\n<p>&#8220;Meu pa\u00eds \u00e9 t\u00e3o f\u00e9rtil em cria\u00e7\u00e3o, em composi\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o preciso analisar o que vem dos outros. Mas as m\u00fasicas l\u00e1 de fora que conhe\u00e7o, algumas mais do passado, minha maior admira\u00e7\u00e3o \u00e9 pelos Beatles. Eles n\u00e3o foram apenas um processo musical, mas social. Com eles mudou-se um processo, mudou-se h\u00e1bitos como o corte dos cabelos. A m\u00fasica afetou diretamente a cultura em todos os sentidos, a vestimenta, inclusive, e postura social. Eles revolucionaram o mundo, o corte das cal\u00e7as, tipo boca de sino. A sociedade se transformou pela m\u00fasica dos Beatles, nunca vi nada igual. O mundo inteiro copiou e seguiu\u201d.<\/p>\n<p>E voltando \u00e0 m\u00fasica brasileira:<\/p>\n<p>\u201cTem tanta coisa boa nos instrumentos, por aqui, que pulsa no cora\u00e7\u00e3o. J\u00e1 notaram como o pa\u00eds \u00e9 f\u00e9rtil? Os maiores percussionistas s\u00e3o brasileiros. Olha o que fez Nan\u00e1 Vasconcelos\u201d<\/p>\n<p>Juvenal de Holanda Vasconcelos, conhecido como Nan\u00e1 Vasconcelos foi eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo pela revista americana Down Beat. Ganhou oito pr\u00eamios Grammy. Revolucion\u00e1rio na sua arte, era considerado uma autoridade mundial em percuss\u00e3o, a partir dos batuques dos tambores das na\u00e7\u00f5es de maracatu. Nan\u00e1 conferiu erudi\u00e7\u00e3o a instrumentos de origem popular, chegando a gravar concertos para berimbau e orquestra, ainda na d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n<p>Jerson encerra:<\/p>\n<p>&#8220;A pulsa\u00e7\u00e3o do brasileiro est\u00e1 na m\u00fasica, toda m\u00fasica do Brasil pulsa no cora\u00e7\u00e3o. Dentro da que mais me emociona \u00e9 o linguajar do samba. \u00c9 um linguajar popular, n\u00e3o tem sofistica\u00e7\u00e3o. Olha o que fez Cartola, o que ele escreveu, o que ele disse de forma simples. O poeta do samba. Olha as frases dos versos de Jorge Arag\u00e3o, do Paulinho da viola, Nelson Cavaquinho.\u00a0 A gente entende tudo, tem sentimento. Ent\u00e3o \u00e9 caso para ser estudado. Em vez de ficar estudando o fen\u00f4meno Rolling Stones, vamos estudar os nossos primeiro. Vamos saber como Noel Rosa se inspirava para escrever o que escrevia. Isso me interessa muito. O samba tomou conta da minha vida&#8221;.<\/p>\n<p>O bate papo se se aproxima do final, a noite est\u00e1 chegando e daqui a pouco come\u00e7a mais um show no Feiti\u00e7o das Artes. As perguntas diminuem e fica espa\u00e7o para Jerson encerrar esta valiosa aula sobre uma de nossas mais caras culturas, a m\u00fasica.<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cPor enquanto n\u00e3o planejo nada. Enquanto n\u00e3o tiver certeza de que o meu estado de sa\u00fade vai melhorar&#8230; Vou viver o dia a dia. Viver o amanh\u00e3 \u00e9 frustrante, como pode ser compensador. Perto dos 82 anos n\u00e3o estou mais aqui para viver emo\u00e7\u00f5es, preciso um pouco de sossego. N\u00e3o me programo para nada. Se eu puder, quero viver mais uns anos, quero fazer mais umas coisas, principalmente nessa parte de cultura. Mas preciso estar com sa\u00fade para isso&#8230; N\u00e3o estou mais aqui para viver emo\u00e7\u00f5es, preciso um pouco mais de sossego. Se eu puder, quero viver mais uns anos, quero fazer mais umas coisas, principalmente nessa parte de cultura, mas preciso estar com sa\u00fade. Vou viver o meu dia a dia. Eu gosto \u00e9 de samba!\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por H\u00e9lio Tremendani e Jos\u00e9 Cruz &nbsp; \u00a0\u201c\u00c9 dif\u00edcil encontrar outro lugar que tenha tanta diversidade e tantos talentos na m\u00fasica como em Bras\u00edlia\u201d Em um dos mais tradicionais redutos da cultura e da MPB em Bras\u00edlia, o Feiti\u00e7o das Artes, na Asa Norte, o papo rolou por quase tr\u00eas horas. 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