Por Hélio Tremendani

Em 21 de abril de 1961, às 10h da manhã, enquanto Brasília celebrava seu primeiro ano de fundação, um grupo de 93 moradores do bairro do Cruzeiro se reunia na casa 1 da Quadra 16 do Setor Residencial Econômico Sul (SRES) para fundar a Associação Esportiva Cruzeiro do Sul. Na mesma data, Norberto F. Teixeira foi eleito o primeiro presidente da instituição, dando início a uma trajetória de grandes conquistas no futebol candango.
Pioneirismo no Juvenil
A estreia oficial do time cruzeirense no campeonato da cidade ocorreu em 1962. Naquela edição, cujo título ficou com a equipe do Defelê, o Cruzeiro do Sul encerrou sua participação na 8ª colocação.
Se o time principal ainda buscava consolidar seu espaço, as categorias de base já demonstravam a força do clube. No mesmo ano, a equipe juvenil sagrou-se campeã invicta do Distrito Federal. Sob o comando técnico de Carlos Morales, o elenco vitorioso contou com os jogadores: Zezinho, Mello, Eurípedes, Claudizo, Jorge Sabará, Getúlio, Tota, Chaveiro, Belém, Moisés Capo, Luis Goiano e Marinho.
Cruzeiro do Sul, Juvenil campeão de 1963: Zé Maria, Melinho, Betão, Erito, Zé Goleiro,Zezito, Tota e Ney; Geraldinho, Moisés, Jaja, Mosquito,Eurípedes Jerusa e Melão Tremendani. Fonte: Instituto Aruc Cultural.
1963: O ano de ouro e o topo do futebol brasiliense
O ano de 1963 reservou o ápice para a A.E. Cruzeiro do Sul. Com uma campanha incontestável de 10 vitórias, 5 empates e apenas uma derrota, a equipe principal conquistou o título de campeã da cidade.
O elenco histórico era composto por: Zezinho, João, Adilson Braga, Aderbal, Melo, Davis, Carlos Morales, Humberto, Remis, Valdemar, Pedrinho, Pederçoli, Foguinho, Zezito, Ceará, Beto Prete, Moisés Capo, Seninho, Omar, Quarteroli, Bellini, Raimundinho, Paulo Reais, Isnard e Zezé.
O sucesso foi amplamente reconhecido pela mídia da época. O prestigiado jornal DC – Brasília escalou a seleção dos melhores jogadores do campeonato de 1963 e incluiu três atletas do Cruzeiro: Beto Prete, Seninho e Quarteroli. Para coroar a campanha, Beto Prete foi eleito o craque do campeonato; Gil Campos, por sua vez, recebeu o prêmio de melhor treinador do ano.
A formação do Cruzeiro, acima, tinha, da esquerda para a direita: Aderbal, Valdemar, João, Melão, Morales, Russo e Gil. E, agachados: Raimundinho, Paulinho, Ceninho, Beto Preti e Zezé. Fonte: Melão Tremendani
Hegemonia e a conquista da Taça Eficiência
O domínio do Cruzeiro do Sul em 1963 estendeu-se a todas as categorias, a partir da de Aspirante, que garantiu o título da cidade de forma avassaladora, goleando o Grêmio por 6 a 0 na grande final.
Diante desse desempenho, a antiga Federação de Desportos de Brasília (FDB) concedeu ao clube a Taça Eficiência. O troféu, instituído pelos dirigentes da federação premiava a associação que obtivesse a maior pontuação geral ao somar os resultados das três categorias oficiais, Principal, Aspirante e Juvenil.
Festa no antigo Bairro do Gavião
A conquista do campeonato mobilizou uma multidão, que tomou as ruas para comemorar junto aos jogadores. O ponto de encontro das festividades foi a sede da A.E. Cruzeiro do Sul, inaugurada pouco antes, no dia 20 de julho de 1963.
A celebração foi marcada por fogos de artifício, muita alegria e a animação de uma charanga formada por componentes da bateria da ARUC (Associação Recreativa e Cultural). O dia histórico ficou egravado na memória dos moradores do antigo Bairro do Gavião, localidade que hoje responde como a Região Administrativa do Cruzeiro, em Brasília.
Memórias da Cultura e do Esporte de Brasília

