Por Hélio Tremendani e José Cruz
A longa temporada de 12 anos sem desfiles oficiais no Carnaval brasiliense incentiva as agremiações carnavalescas a intensificarem suas programações, principalmente nessa tradicional época de fevereiro, para que acompanhem as evoluções que se sucedem em todos os segmentos de uma escola de samba.
Nesta série de reportagens, que entra para os arquivos da “Memória da Cultura” em Brasília, mostramos o envolvimento de jovens em programas da Aruc, que buscam a atualização e a modernidade de suas rotinas carnavalescas sem perder a história e tradições dessa sexagenária agremiação do Cruzeiro.
O nome é longo: Daniel Leonardo Cavalcante Mendonça (foto). Resumindo, fica “Mestre Léo”, cruzeirense de nascimento, orgulha-se. Como ele diz:
“Nasci numa casa aqui pertinho da Aruc, já ouvindo as batidas da bateria nos dias de ensaios”
Há outros orgulhos. Do seu padrinho, inicialmente, o carnavalesco Roberto Machado.
“Lembro que, ainda criança, eu ia aos ensaios da Aruc. Na época do Carnaval eu me envolvia com a confecção das fantasias, dos adereços, dos bonecos para os desfiles. Minha mãe, Teresinha, desfilava na Ala das Baianas. Eu tinha 10 irmãos (ao todo eram cinco mulheres e seis homens), a maioria tocava na Bateria da Aruc”, recorda.
O pai de Mestre Léo, o carioca Jacob Cavalcante, era o braço direito de Roberto Machado na preparação dos desfiles da Aruc. Bons tempos aqueles em que a Comunidade aguardava pelo desfile e ele acontecia…
Nesse embalo, Léo desfilou por três anos na Ala das Crianças, a partir de 1992, quando estava com apenas seis anos. Já em 1997, com 11 anos, ele ingressou na Bateria, tocando tamborim, coincidentemente com o primo, José Aldano, o Bannca, sendo o Mestre da Bateria. “Fomos campeões na minha estreia na Bateria”, diz ele Daniel sobre o primeiro troféu por ele conquistado e lembrando aqueles tempos dos primeiros aprendizados.
E hoje…
O tempo passou, os ensinamentos foram absorvidos e, agora, ele tem a responsabilidade de ser o Mestre da Bateria.
“Ser Mestre da Bateria é estar à frente dos ritmistas, que são 82, na Aruc, tocando surdos, caixas, repiques, tamborins, chocalhos, agogôs, cuíca. Esse conjunto é o coração pulsante da Escola”
Músico profissional, percursionista, Mestre Léo diz que “a música agrega” e, assim, também se tornou compositor da Escola. Entre as suas produções destaca “Meu Lindo Cruzeiro”, gravado com Renan da Cuíca e Elias Marreco, parceiros na composição”. Com outros parceiros, ele também compôs o samba do Carnaval de 2021, ano em que não houve desfile devido à pandemia.
“Estar na Escola e à frente da bateria é uma emoção única”
Apesar da falta de desfiles nos últimos 12 anos, Mestre Léo observa que há interesse dos moradores do Cruzeiro pelo aprendizado da percussão. Essa é uma forma dele manter vivo na cabeça dos jovens o interesse pela formação de novos ritmistas.
“O interesse é muito grande e a procura é sempre maior do que a oferta de vagas e isso se observa, também, nas Oficinas de Percussão que a Aruc realiza anualmente” diz Mestre Léo.

Nesse quesito, Léo destaca o interesse das mulheres pela percussão. Elas são mais de 50% na Bateria da Aruc. Isso se explica pela origem, pois muitas passaram por grupos de “fanfarras”, nas escolas, o que acaba incentivando.
“E são mulheres de todas as idades, muitas que aprenderam a tocar um instrumento e querem continuar envolvidas nessa cultura”, conclui Mestre Leo.

Na tradicional foto ao final de cada e entrevista: José Cruz, Léo, Fernanda e Hélio
Memórias da Cultura e do Esporte de Brasília

