19 de fevereiro de 2026

Dona Beija e Seus Amores: o Carnaval que já tivemos

Por Hélio Tremendani

Á época do Carnaval me traz à lembrança várias passagens nos bastidores, que acompanhei desde jovem, vinculado à nossa Aruc.

Em1968 eu estava perto de fazer 16 anos e o presidente da Aruc, Wanderlei César Cardoso, leu numa revista semanal sobre a novela que iria ao ar na TV Manchete, Dona Beija e Seus Amores, com a participação de Maitê Proença e Paulo Gracindo.

Ao notar uma movimentação de pessoas na casa de Wanderlei, fiquei curioso. Me disseram que ele apresentaria à direção da Aruc a proposta para que o tema-enredo da Aruc fosse inspirado na história de Dona Beija.

O jornal Correio Braziliense contou em detalhes sobre o Carnaval de 1968.

A novela

Em resumo, a novela se passava no ano de 1815, em Araxá, Minas. Beija, uma bela moça, é raptada por um serviçal do imperador, para tê-la como amante, deixando para trás seu grande amor, Antônio. Ao voltar ao Brasil, Antônio acredita ter sido abandonado e se casa com Aninha. Após alguns anos, Mota é promovido à Corte e liberta Beija, que nesta altura já está milionária devido aos amantes que teve em troca de joias e terras. Ela então retorna para Araxá e, desiludida com Antônio estar casado, funda um refinado bordel, onde se torna uma influente cortesã, escandalizando as mulheres e tendo o apreço dos poderosos.

Escola campeã

A sugestão de Wanderlei foi aceita e esse foi o enredo da Aruc, em 1968, que lutava pelo seu quarto título carnavalesco, que acabou conquistando. O samba-enredo foi composto pelos compositores Paulinho Nascimento e Salvador.

O desfile foi na Avenida W3 Sul. Eu e o amigo Solimar Martins Vaz, popular Ferrugem, empurramos o carro alegórico até chegar às arquibancadas. Quando chegamos em frente ao palanque oficial, ficamos embaixo das arquibancadas para ver o desfile.

Mesmo com poucos recursos, a Unidos do Cruzeiro desfilou com fantasias luxuosas, recebendo muitos aplausos do público que lotava a avenida.

Hoje, assistindo a série Dona Beija no canal HBO MAX, fico impressionado com a precisão com que os dirigentes da Aruc retrataram a história daquela personagem mineira, com detalhes que aparecem na série da TV Manchete 58 anos atrás.

Homenagem

Passado esse tempo que me permite tão boas lembranças, só me resta homenagear com esta memória toda equipe da Aruc da época, formada por: mestre salas Rubens, Pelezão e Carlinhos; porta-bandeiras: Beth, Marlene e Cota; Diretores de Bateria: João Nilton e Luis Cabide; Confecção de fantasias: Wanderlei, Dudu, Alvaro Apostolo, Gessy, Jerusalém,

Nilton Sabino, Dona Ana, Betão, Hamilton e Denis. Destaques: Gessy, Viana, Anna de Oliveira, Nair e Orlandinho.

Bons tempos, inesquecíveis carnavais, o que não poderei recordar no futuro sobre o Carnaval de agora, pois estamos completando neste 2026 o décimo segundo ano sem desfile das nossas escolas de samba… A falta de apoio dos governos que se sucederam nesse tempo nos levou a essa triste realidade.