Por Helio Tremendani

Em 1966 foi criado um time de basquete na Associação Esportiva Cruzeiro do Sul, onde hoje está a Aruc. Feliz com a novidade, eu acompanhava os treinos, porque meu irmão Melinho jogava. Do alto dos seus 1,98m, ele era um dos destaques do time. Lembro que, quando acabavam os treinos a bola ficava comigo e eu fazia vários arremessos do garrafão, mas, na maioria das vezes, a bola nem tocava no aro. Eu ficava chateado, mas não desistia daquela prática de iniciação.
A grande lição
Certo dia, saindo do Clube em uma cadeira de rodas, Roberto Lima Machado me chamou e, com toda calma do mundo, posicionou as minhas mãos e deu algumas explicações sobre o que eu estava fazendo e como deveria fazer. Prestei a máxima atenção porque sabia que ele entendia de basquete e era considerado o cara mais inteligente do Cruzeiro. Tanto que, todos da minha geração faziam aulas de reforço escolar com ele.
Nos meus treinos de basquete, Roberto também acertou. Eu voltei para a quadra e, aplicando a técnica que ele me ensinara, comecei acertar a maioria dos arremessos. A felicidade tomou conta de nós dois e trocamos um abraço emocionado.
No mesmo ano entrei para o Ginásio do Cruzeiro e no primeiro dia de aula de educação física fui levado para o colégio pelo meu irmão mais velho, o Melão. Muito tímido resolvi ficar bem no fundo de uma quadra improvisada, no pátio do colégio, onde estavam mais de 50 alunos… De repente, sou chamado pelo Professor João de Oliveira para trocar passes com um colega. Na hora, lembrei dos ensinamentos do Roberto, que apliquei em quadra, com um desempenho muito bom. Por conta disso, fui selecionado para jogar na equipe do colégio e, sem dúvida, foi um dos dias mais felizes da minha passagem pelo colégio.
O grande título
Anos depois, participei da partida final dos jogos noturnos de Brasília contra o Setor Leste,que era franco favorito. Porém, vencemos por umponto de diferença e conquistamos o título. Foi a nossa consagração e em todos os momentos em lembrava do Roberto, do Melinho, do treinador do Cruzeiro Mougli e do professor João de Oliveira.
Há bom tempo, acompanho o basquete brasileiro e o norte-americano. Certamente, ainda vou aos Estados Unidos assistir a um jogo da liga mais famosa do mundo, a NBA, acompanhado por minha filha Heloisa e da neta Luísa.
Memórias da Cultura e do Esporte de Brasília