Por Francisco Xavier
Quando “moleque”, o carioca Ricardo Vidal de Oliveira tinha dois desejos na vida: ser atleta olímpico, campeão, se possível, e morar no exterior para aprender novos idiomas. Inicialmente, já morando em Brasília, competiu no atletismo numa época em que experimentou o vôlei e o basquete e várias provas do atletismo, as preferidas 100 e 200 metros rasos, salto em altura e 400m com barreiras, na qual se fixou.
O início
Cadinho, como é conhecido, nasceu em abril de 1962, no Rio de Janeiro, e veio para Brasília com três anos de idade. Numa família de esportistas, seguiu os passos do pai João de Oliveira, que foi ex-atleta e conceituado professor e técnico de atletismo, reconhecido nacionalmente. Com esse exemplo em casa, Cadinho iniciou no esporte com 13 anos na “Operação Juventude-DF”, quando já participou da final, em São Paulo.
Com 16 anos, na categoria de menores, ele já demostrava seu potencial quebrando vários recordes e estabelecendo dois novos na categoria: o recorde Brasileiro e Sul Americano dos 300 metros com barreiras. No mesmo ano, sagrou-se vice-campeão brasileiro e participou do Campeonato Sul-Americano no Uruguai, quando conquistou quatro medalhas: Ouro nos 300 metros sobre Barreiras e no revezamento 4×400, prata nos 110 metros sobre barreiras e bronze no revezamento 4×100 metros. Na sequência, ele ganhou a medalha de bronze no revezamento 4x400m do Campeonato Sul-Americano Juvenil, em São Paulo.
Em competição, ele ganhou importantes eventos nacionais, bateu recordes, mas não chegou ao time olímpico. Mas, bateu na trave: Ricardo Vidal estava no quarteto brasileiro que disputou o Mundial Estudantil de Atletismo, em Lile, na França, em 1979, que ganhou a medalha de bronze na prova de Revezamento 4x100m. Ele se tornou o único brasileiro a retornar do Mundial com medalha. O quarteto da seleção brasileira de revezamento foi formado por Herval (Bahia), Ricardo Vidal (Brasília), Roberto (Rio Grande do Norte) e Pedro (Pernambuco).

Nos Jogos Estudantis Brasileiros – JEB´s, do mesmo ano, em Brasília, ele terminou em 3º lugar nos 100 metros rasos. Além disso, ele ganhou a medalha de prata no revezamento 4×400.
Nova década
Já nos Jogos Universitários de 1980, no Distrito Federal, Ricardo Vidal estabeleceu novo recorde nas provas de 100 metros e salto em distância. No Campeonato Brasileiro Juvenil de Atletismo ele foi vice-campeão no salto em distância e foi finalista nos Jogos Sul-Americanos no Chile, na mesma prova.

Reformada
Na mudança de ano, em 1981, o atleta manteve o ritmo de frequentar pódios nacionais, principalmente. Nos Jogos Universitários Brasileiros -JUBs em São Luís MA, ele conquistou a medalha de bronze, na prova do salto em altura. Depois, fez uma transição de modalidade e foi para as quadras onde praticou voleibol por quatro anos. Em 1985 decidiu-se pelo atletismo e disputou o Troféu Brasil, com participações destacadas em eventos nacionais até 1992.
Profissional
Mais tarde, fora das quadras e pistas e já ex-funcionário da Telebras, Ricardo Vidal saiu para “desbravar o mundo” e realizar o seu segundo sonho, estudar o idioma inglês no exterior. Para isso, escolheu um lugar distante: Nova Zelândia, a 12 mil quilômetros daqui. Depois, na Austrália por mais três meses e foi aprender o idioma alemão, na Suíça.
A vivência no exterior somou aos demais aprendizado que ajudaram nos investimentos profissionais que faria, na volta ao Brasil, em 2004, como o curso de Gestão do Esporte, promovido pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB). Nesse embalo, dirigiu o Instituto Joaquim Cruz por 17 anos, trabalhando na captação e formação de novos atletas em provas do atletismo e ajudando a desenvolver e fortalecer a modalidade em Brasília.
Nova meta
Formado em Administração de Empresas, Vidal está a um ano de colar grau em novo curso, Psicologia. Enquanto isso, representa a Confederação Brasileira de Atletismo junto aos órgãos de governo em Brasília, ao Congresso Nacional, TCU e Governo do Distrito Federal.
Com passagens por órgãos afins em nível federal, entre eles o Ministério do Esporte, Ricardo Vida conheceu a máquina esportiva “por dentro”, como afirmou. Conheceu também “o que é essa fortaleza institucional e suas fragilidades”, afirmou.
Com esse desempenho, ele se capacitou para ser o CEO do Campeonato Mundial de Marcha Atlético, em Brasília, em abril de 2026, com a participação de competidores de 40 países nas provas masculina e feminina.
A competição mundial foi disputada na Esplanada dos Ministérios, cenário das decisões políticas nacionais, que abriu espaço para evento mundial de uma das mais tradicionais competições do atletismo, a marcha.
Mesmo sem ter chegado às provas olímpicas, Ricardo Vidal revelou-se um atleta vitorioso de seu tempo, demonstrando empenho nas competições e conquistando pódios nas categorias que disputou. Com refinada técnica, ele honrou a tradição familiar e os ensinamentos de seu pai, Mestre João de Oliveira. Cadinho é, há bom tempo, um prestigiado gestor esportivo e um ser humano estimado por todas as pessoas que o cercam. E, sem dúvida, um orgulho para o desporto do Distrito Federal.
Memórias da Cultura e do Esporte de Brasília