7 de abril de 2026

O futebol de Brasília agradece

Por Hélio Tremendani

Mesmo ainda recente, com os seus 66 anos de história, o futebol de Brasília tem nomes que garantem espaço na galeria dos “inesquecíveis”. Daqui saíram craques que conquistaram privilegiada vaga na Seleção Brasileira, como Paulo Vitor, Lúcio, Kaká, Felipe Anderson, e, na atualidade, o atacante Endrick.

Outros se tornaram referência no futebol de campo, no de salão e fora deles, atuando na função de gestor de esportes, especialidade que exige outro tipo de preparo e conhecimento específico.

Nesse quesito, quando nos aproximamos dos 66 anos de fundação da capital da República, a data é oportuna para lembrar e reverenciar um desses personagens de ex-atleta e gestor: Wander Abdala.

Certa tarde de sábado, convidei Wander para uma entrevista. Ele topou, pois está aí uma das coisas que ele faz com prazer, ajudar a recuperar e contar sobre a história do futebol de Brasília. Wander chegou ao local do bate-papo com vários arquivos encadernados e outro tanto de álbuns fotográficos. Ali, naquelas imagens e recortes de jornais muito bem guardados, ele tem boa parte da criação e evolução desse esporte na ainda jovem capital federal. E ele, claro, é um dos personagens dessa história.

O começo

“O Milionário Futebol Clube, lá no início de Brasília, era rico só na marca, pois esse nome, “inventado”, sugeria uma ironia diante da falta de dinheiro da agremiação. Na prática, os jogadores nada ganhavam, pois praticavam o esporte por diversão, por prazer. Bons tempos em que vestiam a camisa “por amor ao clube”. Ou à bola”!

O mineiro Wander Abdalla era um dos craques do “Milionário”. Agora, tantos anos depois, numa entrevista em que revela muito saudosismo, ele abriu o seu baú de memórias para contar fatos do futebol da capital federal que ele ajudou a construir.

É assim que começa a entrevista de Wander ao site Memória da Cultura e do Esporte, sempre ao lado do amigo Luciano Gomes, o Marcos Sudário, e cujo texto integral podem pode ser lido nesse link: https://memoriadaculturaesportebsb.com.br/index.php/2023/09/21/wander-abdalla-bons-tempos-aqueles/

Memória

No início dos anos 1960, ou seja, a primeira década de Brasília, Wander jogou na Associação Esportiva Cruzeiro do Sul e no Defelê, uma das mais tradicionais agremiações na história do futebol brasiliense. Depois que se afastou dos campos de futebol, ele passou a trabalhar como dirigente em vários clubes, no que hoje é conhecido de forma elegante como “gestor de esporte”.

Festas

Querido dos desportistas em geral, independentemente de cores clubísticas, Wander até hoje participa de eventos de futebol de nossa cidade e a cada encontro surge sempre um novo e inesquecível bate-papo.

De minha parte, prezo muito essas reuniões, pois é a oportunidade de revê-lo, assim como o Luciano Gomes, amigo desde a infância, quando as ruas do Cruzeiro Velho eram o nosso espaço de lazer. No Cruzeiro, também jogávamos futsal, no Grêmio e no Clube de Vizinhança.

Meu mais recente encontro com essa dupla, Wander e Maranhão, foi para comemorar o aniversário do Luciano, outro amigo desde 1975, que conheci nos torneios da Aruc.

Já naquela época, comentava-se que Banana se destacaria no futebol nacional. E foi o que aconteceu. Depois de atuar pelo Taguatinga, Brasília ,Guarani de Campinas, Vasco da Gama e em outras equipes de expressão nacional. Como nos tempos em que se revelou craque, Hernani é, ainda hoje, um cara discretíssimo e querido por tantos contemporâneos.

Nesse time de amigos e de reencontros, destaco também o Péricles, filho do seu Didi, um dos grandes treinadores do futebol brasiliense, com quem tive o prazer de jogar. Péricles atuou no Ceub e no Gama. Nesses times se destacou, pois era um craque.

Reencontrei também o Jonas Foca, que foi campeão brasiliense várias vezes, atuando pelo Brasília Esporte Clube. Foi um inesquecível zagueiro, que aliava a técnica com o vigor físico. Tempos depois, já em outra fase da vida, lá pelos anos 2000, trabalhamos na Secretaria de Esportes do Distrito Federal. Como monitor de educação física, ele levava a sua experiência de dentro de campo, como craque que foi, para a garotada inscrita no Projeto “Amigo da Gente”, sempre demonstrando experiência e sabedoria.

Organizado pelo competente Potiguar, os aniversários que comemoramos se transformaram numa tarde de reencontro e saudades. Uma tarde para recuperar lembranças de uma geração que tinha no esporte a sua referência de amizade, que dura até hoje. Amigos que escrevem, a cada reunião, um novo capítulo do futebol da já balzaquiana mas sempre querida Brasília.