2 de abril de 2026

O samba da minha terra…

Da série “nova geração de sambistas” apresentamos a carnavalesca Mikaelle Souza

A brasiliense Mikaelle (foto) é filha do mineiro, José, casado com uma baiana, Onelice. Dessa união nasceu essa sambista apaixonada por esse ritmo brasileiro, que ela ouviu desde criança e cresceu ao som de cantores famosos.

“Desde criança, quando meu pai se reunia com tios e primos, eu já ouvia música, muito samba. Beth Carvalho e Bezerra da Silva eram os preferidos da família”, recorda.

Tão apaixonada pelo samba que Mikaelle acompanha o calendário do Carnaval Carioca, onde a Beija Flor é a sua sua preferida.

“Sempre acompanhei as escolas de samba e quando vou ao Rio visito os principais barracões. Adoro esse ambiente”, revela Mikaelle.

Em Brasília, Mikaelle frequentava há bom tempo as rodas de samba da Aruc. Certo dia, Hélio Tremenani, ex-presidente e atual diretor da agremiação, a convidou para um ensaio na ala das passistas. Ela topou e foi ao primeiro ensaio. Está lá até hoje, já completando o segundo ano.

É esse nome, Mikaelle Vieira de Souza, que integra a nova geração de passistas da Aruc, em particular, e do Carnaval Brasiliense, em especial.

Comunidade

“A Escola é uma comunidade. A questão do pessoal ser fiel, ter compromisso com a agremiação é uma religião. Assim, sempre vai surgir uma nova geração. A minha filha, que me acompanha nesse movimento, adora me acompanhar”

Mamãe de Ana Júlia, de 8 anos, Michaelle tem nessa garotinha uma seguidora fiel. “Amo o samba e para ser passista é uma religião, tem que ter compromisso. E minha filha está nessa escola, ela me segue no ritmo”, orgulha-se.

Atualização

Atualizada sobre samba e sambistas, Mikaelle busca na internet o que precisa sobre vida e obra dos autores e cantores, como a eterna Beth Carvalho (1946 – 2019).

“Ela está muito viva pra gente”, diz Mikaelle sobre a grande intérprete do samba. “Mas amo Alcione, também. Um dia, fui convidada para uma festa em que ela cantou. Fiquei próxima, emocionada, impactada com Alcione ali na minha frente”.

Sobre a sua participação na Aruc, ela revela: “Aqui na Aruc estou aprendendo com a velha guarda. A Escola é uma comunidade unida, sempre tem alguém para tirar dúvidas. Meu contato principal é com Davis Sousa, que é o professor de samba e dá suporte para as passistas”.

Estreia

Michelle vai estrear na avenida em 18 e 19 de abril próximo, quando será realizado o Carnaval fora de época. Há 12 anos sem desfiles por falta de apoio dos órgãos públicos, este ano o governo do Distrito Federal chegou a um acordo com as agremiações. Daí o “Carnaval fora de época”

Como numa espécie de ensaio, Mikaelle participou do desfile de rua, no Cruzeiro, no Carnaval de fevereiro último.

“Naquele desfile nem dormi à noite, senti muita responsabilidade, todo mundo nos olhando, porque a ala das passistas é uma das maiores da Escola, chama muito atenção”, explicou sobre a ansiedade de nova carnavalesca.

“Mas o Davis estava lá para nos dar apoio. Ele tira dúvidas até sobre as roupas das meninas. No geral, estão todos sempre dispostos a nos orientar”. No desfile fora de época serão 14 escolas. “Aí, o peso do desfile é maior, principalmente para a Aruc, que é a escola mais premiada no Carnaval de Brasília. Completamos 12 anos sem desfile oficial, mas o samba está aí, o samba permanece”.

Mikaelle e Ana Júlia: férias

Aproveitando o tempo

Professora de educação básica no estado de Goiás, Mikaelle encontra tempo para valorizar a cultura musical em Brasília. Morando e trabalhando em Águas Lindas, ela se desloca por 100km (ida e volta), para não perder um só ensaio ou apresentação na Aruc. E faz isso com muita satisfação, revelou.

“Adoro este ambiente de comunidade carnavalesca e música. O ser humano precisa desse acolhimento”, ensina a passista da jovem guarda da Escola da Aruc.